Ouro ilegal na Amazônia é “lavado” por permissões falsas e movimenta quase US$ 4 bilhões, aponta Greenpeace

A exploração ilegal de ouro na Amazônia brasileira continua movimentando bilhões de dólares, segundo investigação da organização ambiental Greenpeace, mesmo após ações de combate reforçadas pelo governo federal desde 2023. O levantamento, consoante a Reuters, aponta que a atividade se adapta às fiscalizações por meio de mecanismos que mascaram a origem do metal.

O estudo indica que o esquema envolve o uso de autorizações de lavra emitidas para áreas sem qualquer sinal de extração mineral, criando uma espécie de fachada documental que viabiliza a comercialização do ouro irregular. Parte significativa desse material estaria associada a regiões próximas a territórios indígenas e áreas de proteção ambiental.

As conclusões foram obtidas a partir da análise de dezenas de áreas na floresta amazônica e de sobrevoos realizados por equipes de reportagem, que também registraram a presença de operações ilegais ativas em regiões protegidas, levantando dúvidas sobre a efetividade do controle estatal.

Para quem tem pressa:

  • Estudo aponta que ouro ilegal na Amazônia é “legalizado” por permissões em áreas sem mineração real, mantendo um fluxo bilionário;
  • Levantamento analisou 187 áreas e identificou 98 sem qualquer atividade, mas com licenças usadas na comercialização do ouro;
  • Investigações e sobrevoos registraram garimpo ativo próximo a áreas protegidas e impactos em territórios indígenas.

Ouro ilegal na Amazônia movimenta bilhões com uso de autorizações irregulares

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Floresta Amazônica (Imagem: vitormarigo/Shutterstock)

A investigação do Greenpeace descreve um sistema de circulação de ouro ilegal sustentado por permissões minerárias emitidas para locais sem indícios de exploração. Esse mecanismo é apontado como uma forma de validar comercialmente o ouro retirado de áreas clandestinas.

O levantamento analisou 187 áreas florestais com autorizações emitidas pela Agência Nacional de Mineração em regiões próximas a territórios indígenas e áreas protegidas. Desse total, 98 não apresentavam sinais de atividade mineradora, apesar da existência formal das licenças.

Segundo a pesquisa, cerca de 26,8 toneladas de ouro foram comercializadas com base nessas autorizações, movimentando aproximadamente 3,88 bilhões de dólares entre 2018 e março de 2026.

Durante a apuração, equipes de reportagem da Reuters sobrevoaram duas áreas incluídas no estudo e não encontraram qualquer atividade de mineração. Em contraste, foi identificada uma operação ilegal ativa em área protegida a poucos minutos de voo.

Imagem: Jezper/Shutterstock

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Parte do material analisado indica relação com territórios indígenas, incluindo regiões do povo Kayapó, no estado do Pará. Lideranças locais relatam impactos ambientais severos e afirmam que a contaminação de rios e a perda da fauna comprometem diretamente a alimentação das comunidades.

O Greenpeace afirma que o uso de permissões emitidas para áreas sem exploração facilita a expansão contínua do garimpo ilegal. Já a Agência Nacional de Mineração declarou que acompanha os casos citados e destacou que o grande volume de autorizações na Amazônia representa desafios de fiscalização em larga escala.

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