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Viagens espaciais têm se tornado mais comuns. A tecnologia espacial tem evoluído de maneira muito rápida e com ela também as missões tripuladas. Astronautas têm se acostumado a viajar e ficar longos períodos em órbita – e isso pode se tornar um problema.
Pesquisadora da NASA Johnson Space Center, nos Estados Unidos, e outros cientistas publicaram um estudo sobre as consequências que longos períodos no espaço podem ter sobre os corpos de astronautas. Os resultados apontaram que problemas no quadril são mais comuns quando as missões passam de 90 dias.
Para quem tem pressa:
Estudo da NASA encontrou uma maior taxa de fraturas no quadril entre astronautas que passaram mais de 90 dias em missões espaciais;
A pesquisa aponta que avaliar apenas a densidade mineral dos ossos, um dos procedimentos atuais, pode não ser suficiente para entender os efeitos da microgravidade sobre a estrutura óssea;
Os autores ainda defendem a ampliação do monitoramento com exames mais detalhados e buscar estratégias para prevenir ou reduzir os danos causados por longos períodos no espaço.
Missões cada vez mais longas
Megafoguete Starship, da SpaceX, levou quatro astronautas da NASA para a ISS – Imagem: SpaceX
A NASA enviou quatro astronautas para a Estação Internacional Espacial (ISS), na missão Crew-13, na quarta-feira (01). Ela durará aproximadamente 180 dias. Ao chegar a ISS, a equipe encontrou outro grupo que ficou o mesmo período na estação.
Essas missões buscam avançar nas pesquisas sobre a Lua e Marte. As focadas no satélite natural terrestre, inclusive, visam acumular mais informações que podem auxiliar no avanço das missões Artemis, que buscam desenvolver uma base lunar humana até 2032.
Com essas novas tendências, uma outra ala de pesquisa investiga como o corpo humano responderá ao prolongado período no ambiente de microgravidade.
A perda muscular e fragilização óssea devida a menor carga exercida sobre o corpo dos astronautas já são conhecidas, mas análises mais profundas sobre o possível impacto ainda seguem em desenvolvimento.
Partindo dessa ideia, o estudo em questão reuniu dados acumulados pela NASA e analisou a incidência de fraturas em diferentes períodos. A comparação foi feita entre os astronautas e levou em consideração fatores como as durações de acompanhamento e a idade média.
Os resultados mostraram uma maior taxa de fraturas no quadril entre astronautas que passaram mais de 90 dias no espaço. As ocorrências também foram registradas em idades consideradas mais jovens do que as esperadas em comparação com a população em geral.
Os pesquisadores expuseram que a pesquisa tem pouca amostragem e poucos dados a serem coletados, pelo ainda recente avanço das viagens tripuladas e pequenos grupos que vão ao espaço.
Ainda assim, o estudo defende a ampliação de procedimentos e análises profundas em relação à saúde corporal dos astronautas. Atualmente, o monitoramento ósseo da NASA utiliza principalmente a DXA, um exame de imagem para avaliar a densidade mineral dos ossos.
De forma simples, o equipamento utiliza dois níveis de energia de raios X para estimar a quantidade de minerais, principalmente cálcio, presente nos ossos. É um dos métodos usados para avaliar a resistência óssea e identificar perda de massa óssea.
A questão defendida pelo grupo de pesquisa, é que medir apenas a densidade mineral não mostra toda a condição do osso. Um astronauta pode apresentar determinada densidade óssea, mas isso não necessariamente revela como estão a estrutura interna e a microarquitetura do tecido ósseo.
Mais recentemente, a NASA também começou a solicitar tomografias dos ossos antes e depois dos voos espaciais. O exame permite obter informações mais detalhadas sobre diferentes regiões e características dos ossos.
Mesmo com a atualização, os pesquisadores defendem que o acompanhamento seja ampliado e complementado para obter uma avaliação mais completa dos efeitos dos voos espaciais. Sendo possível ampliar e desenvolver exercícios, medicamentos e outros procedimentos que previnam ou mitiguem os danos na saúde óssea dos astronautas.
Nesta sexta-feira (02), França e Itália se enfrentam em duelo válido pela 3ª rodada da Liga das Nações 2026. A bola rola para a partida às 15h45 (horário de Brasília) no Stade de France, em Saint-Denis, na França.
França x Itália:
Competição: Liga das Nações
Rodada: 3ª
Data: 02/10 (sexta-feira)
Horário: 15h45 (horário de Brasília)
Local: Stade de France, em Saint-Denis, na França.
A França está invicta e lidera o Grupo A1 com seis pontos. As vitórias foram contra a Turquia e Bélgica. Para a partida, Zidane não contará com a estrela Kylian Mbappé, que lesionou o joelho esquerdo na primeira partida da competição e foi cortado desta Data FIFA.
Já a Itália é a terceira colocada com uma derrota para a Bélgica por 2 a 0, mas venceu a Turquia por 4 a 1. A competição é a primeira do novo ciclo de Copa do Mundo, considerado muito importante para a seleção italiana que não conseguiu se classificar para a maior competição de seleções desde a Copa do Mundo no Brasil, em 2014.
O Olhar Digital leva ao ar nesta semana uma série analisando as propostas de candidatos à Presidência da República na Ciência e na Tecnologia. Neste episódio, você vai ler sobre minerais críticos e terras raras.
Muitas vezes confundidos, minerais críticos e terras raras constituem duas categorias distintas e altamente estratégicas.
As terras raras formam um grupo fixo de 17 elementos químicos essenciais para ímãs de motores elétricos e defesa. Já os minerais críticos são insumos vitais com alto risco de desabastecimento global, como lítio, níquel, cobre e potássio. Em resumo: todas as terras raras são minerais críticos, mas nem todos os minerais críticos são terras raras.
Diferenças entre minerais críticos e terras raras. – Crédito: Imagem gerada por IA
O Brasil possui uma posição geopolítica privilegiada por deter a segunda maior reserva mundial de terras raras, além de vastas jazidas de minerais essenciais. Essa riqueza impacta diretamente a fabricação de baterias, semicondutores, painéis solares e inteligência artificial, além da produção de fertilizantes para o agronegócio.
O grande debate político concentra-se na capacidade de processar, refinar e industrializar esses insumos no país. Historicamente limitado à exportação de matéria-prima bruta, o Brasil enfrenta a oportunidade de integrar etapas complexas das cadeias de valor, tornando a regulação do setor um tema central de soberania econômica.
Minerais críticos e terras raras: propostas de seis presidenciáveis nas Eleições 2026
Diante da disputa internacional por esses recursos, os planos de governo dividem-se entre a indução estatal para exigir o refino interno e diretrizes voltadas à desregulamentação para atração rápida de capital privado. A seguir, apresentamos as propostas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por seis candidatos à Presidência nas Eleições de 2026.
As propostas de Lula aparecem primeiro por ele ser o atual presidente da República. Em seguida, vem Flávio Bolsonaro, candidato que tem aparecido tecnicamente empatado com Lula em pesquisas recentes de intenção de voto. Os demais quatro candidatos foram listados em ordem alfabética.
Vamos começar com um resumo:
Infográfico resume as propostas dos candidatos à Presidência para o desenvolvimento da cadeia de terras raras no Brasil. – Crédito: Imagem gerada por IADo subsolo à indústria, veja como os candidatos pretendem transformar os minerais críticos em vantagem estratégica para o Brasil. – Crédito: Imagem gerada por IA
Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
O plano prioriza a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos para estruturar a cadeia produtiva sob coordenação do Estado. A diretriz central é combater a exportação de minério bruto sem processamento, estabelecendo exigências para que o beneficiamento e o refino ocorram em solo nacional.
A pauta mineral integra a política de reindustrialização verde, apontando o Nordeste como polo de plantas industriais movidas a energia eólica e solar. O candidato defende usar o poder de compra do Estado e conceder financiamentos condicionados à transferência de tecnologia e produção de componentes no país.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
A proposta busca integrar a exploração mineral à oferta de energia limpa para atrair indústrias tecnológicas e data centers. O plano estabelece o Estado prioritariamente como regulador, rejeitando a atuação governamental direta como ente produtor. A estratégia foca na desburocratização, agilidade no licenciamento e atração de investimento privado.
Na diplomacia comercial, o candidato defende parcerias internacionais de cooperação tecnológica sem restrições ou preferências ideológicas. Além disso, propõe utilizar as reservas de fosfato e potássio para expandir a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência do agronegócio.
Augusto Cury, candidato à presidência do Brasil pelo Avante. – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
O candidato estrutura suas propostas por meio do projeto PETRA-BR, focado em transformar reservas minerais em capacidade industrial. O plano prevê a criação do Atlas Brasileiro de Minerais Críticos para mapear todo o território nacional. Para conter a exportação bruta, propõe incentivos fiscais ao refino interno e a criação de polos industriais voltados à fabricação de ímãs permanentes.
No campo regulatório, defende que grandes contratos com empresas estrangeiras exijam transferência tecnológica e instalação de centros de pesquisa no país. O plano também apoia a formação de especialistas e pós-graduados em Inteligência Artificial aplicada ao desenvolvimento de derivados de terras raras.
Renan Santos, candidato à presidência do Brasil pelo MISSÃO. – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
O candidato dedica o capítulo “Cum Mente et Malleo” do seu programa ao tema, tratando a pauta sob a ótica da segurança nacional. A proposta central é enviar uma PEC para classificar as reservas de terras raras como patrimônio estratégico de defesa e criar uma Zona Econômica Específica cobrindo oito etapas industriais.
O plano prevê a captação de R$ 20 bilhões em dez anos para construir uma planta-piloto de refino até 2030. Em âmbito internacional, busca acordos de longo prazo com Estados Unidos e União Europeia, além de estabelecer licenciamento acelerado para potássio e fosfato visando à autossuficiência de fertilizantes até 2035.
Romeu Zema, candidato à presidência do Brasil pelo NOVO. – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
A proposta fundamenta-se nos princípios do livre mercado e da desregulamentação, apontando a burocracia estatal como o principal entrave ao setor. O candidato prioriza reestruturar a Agência Nacional de Mineração para digitalizar processos e fixar prazos-limite rígidos na análise de pedidos de pesquisa e lavra.
A diretriz central é atrair empresas privadas e investidores internacionais para a exploração de lítio, nióbio e terras raras sem subsídios diretos. O plano prevê ainda a disponibilização de dados geológicos abertos ao mercado externo e simplificações regulatórias para o aproveitamento de rejeitos em barragens.
Ronaldo Caiado, candidato à presidência do Brasil pelo PSD. – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
O plano propõe a Estratégia Nacional de Minerais Críticos para articular ações entre ministérios, agências e o setor privado. A proposta utiliza crédito público e incentivos fiscais para instalar unidades de separação química, refino e fabricação de baterias e ímãs no país.
O candidato defende fortalecer a Agência Nacional de Mineração com processos digitais e um modelo de licenciamento unificado por nível de risco. O acesso de empresas estrangeiras às reservas fica condicionado à transferência tecnológica, ao adensamento industrial local e à implementação de sistemas rigorosos contra o garimpo ilegal.
Veja os destaques do Olhar Digital News desta quinta-feira (01/10).
Aconteceu de novo: agentes de IA tentaram invadir site do governo do Canadá
A empresa de pesquisa em inteligência artificial Transluce revelou que agentes de IA tentaram acessar um site ligado ao governo do Canadá. As investidas ocorreram em 28 de maio e 9 de junho, sem indicação de que os sistemas públicos tenham sido comprometidos.
Redes sociais são vistas como ameaça à democracia, revela pesquisa
Um número crescente de pessoas acredita que as redes sociais manipulam e dividem a população. É o que revela uma pesquisa do Pew Research Center divulgada nesta quinta-feira (01). Segundo o levantamento, cidadãos de países mais ricos tendem a ter uma percepção pior das plataformas.
SpaceX lança chips de IA do Google em teste para futuros data centers espaciais
A SpaceX lançou, nesta quinta-feira (01), um protótipo de satélite equipado com chips de inteligência artificial do Google. O dispositivo foi enviado à órbita a bordo de um foguete Falcon 9 durante a missão Transporter-18, realizada a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.
NASA e SpaceX lançam astronautas à Estação Espacial Internacional
A NASA e a SpaceX lançaram nesta quinta-feira (01) a missão Crew-13. Com destino à Estação Espacial Internacional, ela decolou da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, por volta de 12h11, pelo horário de Brasília.
Em meio a planos de governo extensos, sabatinas diárias e um volume avassalador de propagandas políticas, a tentação de buscar um atalho é grande. Para a parcela de indecisos que costuma deixar a escolha para a reta final, o celular oferece uma consulta rápida e tentadora: pedir uma indicação direta aos assistentes virtuais de Inteligência Artificial.
Mas o que esses chatbots de IA realmente podem responder nessas horas? O Olhar Digital News desta quarta-feira (30) convidou Ricardo Souza, advogado especialista em direito digital, para analisar o que pode e o que não pode.
O plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta quarta-feira (30) para manter a remoção de publicações que relacionam o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto movimento para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Até o momento descrito no julgamento, três ministros votaram para manter vetadas as publicações que associem Flávio Bolsonaro à suposta iniciativa. Outros dois defenderam restringir a medida a conteúdos considerados “notoriamente inverídicos”, delimitando a remoção às publicações com aparente conteúdo falso.
O julgamento ocorre no plenário virtual e tem previsão de encerramento às 23h59 desta quarta-feira.
Entre as publicações removidas estava uma postagem do humorista Antonio Tabet, que escreveu, sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
Após a remoção, Tabet levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), em processo relatado pelo ministro Flávio Dino. O ministro havia determinado o restabelecimento da publicação e de outros conteúdos retirados pelo mesmo fundamento.
Na segunda-feira (28), porém, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu, até uma análise do plenário do STF, a determinação de André Mendonça para retirar as publicações.
Votos pela manutenção da decisão
André Mendonça foi o primeiro ministro a votar no julgamento do TSE. Ele havia incluído sua manifestação no sistema da Justiça Eleitoral antes mesmo do horário previsto para o início da sessão, às 10h;
Segundo Mendonça, suas decisões não restringem a liberdade religiosa e foram tomadas de maneira excepcional. O ministro também afirmou que elas “não constituem censura prévia”;
Ele votou para referendar as duas decisões tomadas anteriormente sobre o caso;
Mendonça afirmou que a primeira decisão ocorreu porque a Justiça identificou informações específicas que poderiam ser verificadas e que, em uma análise inicial, foram consideradas falsas;
Já a segunda decisão, segundo o ministro, teve como objetivo fazer cumprir a medida diante da ampla divulgação do conteúdo, com base nas regras eleitorais e em decisões anteriores do STF.
Mendonça também citou o entendimento do Supremo sobre o Marco Civil da Internet, que ampliou a responsabilidade das plataformas pelo conteúdo publicado por usuários.
“A regulamentação eleitoral passou a expressamente prever o dever de os provedores promoverem a imediata remoção de conteúdos de publicações que reproduzam, no todo ou em parte, conteúdo idêntico ou substancialmente equivalente àquele objeto de fake news que já tenha sido objeto de ordem de indisponibilização pela Justiça Eleitoral, independentemente de nova ordem judicial específica”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que a decisão não impede manifestações de fé, a defesa de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, críticas a uma eventual mudança dessa condição ou debates envolvendo religião e política.
Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques acompanhou Mendonça. Para ele, a medida protege a liberdade religiosa em sua dimensão coletiva e democrática.
“A meu sentir, a tutela deferida protege a liberdade religiosa em sua dimensão coletiva e democrática, pois impede que a fé de milhões de brasileiros seja instrumentalizada, às vésperas do pleito, por meio de uma afirmação factual inexistente, destinada a despertar, artificialmente, estados emocionais no eleitorado”, afirmou.
Nunes Marques também considerou que a publicação de Tabet não precisava mencionar nominalmente Flávio Bolsonaro para atribuir o fato ao candidato.
Segundo o ministro, a premissa factual identificada no caso era a de que o candidato ou sua família teriam proposto, apoiado ou pretendido retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, sem que houvesse suporte fático mínimo para essa afirmação.
“A publicação impugnada não precisava nomear o candidato para lhe imputar o fato, pois, veiculada no auge da circulação da narrativa falsa, acompanhada da imagem da Padroeira, sua mensagem somente se completava e somente produzia o efeito pretendido, em razão do contexto informacional em que inserida”, afirmou.
O ministro Dias Toffoli também votou pela manutenção da medida. Para Toffoli, a liberdade de expressão não impede a atuação da Justiça Eleitoral quando uma manifestação deixa o campo da opinião ou da crítica política e passa a apresentar fatos objetivamente verificáveis sem suporte mínimo na realidade.
“A medida somente alcança publicações que reproduzam, de forma inequívoca, o núcleo factual especificamente delimitado pelo relator, qual seja, a ideia falsa de que o candidato propôs, apoiou, articulou ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil”, afirmou.
Divergências sobre o alcance da remoção
Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano Peixoto Marques Neto divergiram de Mendonça quanto ao alcance da decisão.
Cueva propôs restringir as medidas para preservar críticas, opiniões e manifestações relacionadas a uma eventual atuação futura de Flávio Bolsonaro.
Em seu voto, o ministro considerou falsas, em análise preliminar, as afirmações apresentadas como fatos já ocorridos ou em andamento de que Flávio Bolsonaro teria proposto, apoiado ou articulado concretamente a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida ou a extinção do feriado nacional.
Ele defendeu, porém, que previsões e avaliações sobre possíveis iniciativas futuras não sejam automaticamente abrangidas pela ordem de remoção.
Cueva também votou contra a retirada da publicação de Tabet. Para ele, o texto contém uma crítica política e não atribui ao candidato uma conduta concreta e verificável sobre o tema.
O ministro propôs o restabelecimento dos conteúdos removidos que não estejam dentro dos limites definidos em seu voto e a manutenção da retirada de cópias idênticas do card que afirma que Flávio Bolsonaro articula a mudança para agradar evangélicos.
Em relação às plataformas, Cueva defendeu que a remoção preventiva de novas publicações dependa de uma ordem confirmada pelo colegiado e de uma definição clara sobre o conteúdo considerado ilícito pela Justiça Eleitoral.
Em caso de dúvida sobre o alcance da determinação, a orientação proposta é preservar a postagem e permitir que a plataforma peça esclarecimentos ao tribunal.
Floriano Peixoto Marques Neto, por sua vez, votou para que sejam retiradas apenas as publicações consideradas “notoriamente inverídicas”, restringindo a medida aos conteúdos com aparente conteúdo falso.
Para o ministro, a vedação deve estar estritamente relacionada a afirmar ou insinuar que Flávio Bolsonaro atuou na proposta de mudança.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
Perto das 20h30, André Mendonça acrescentou uma manifestação ao voto inicial e reconsiderou parte de sua posição.
O ministro liberou a publicação de Antonio Tabet, mas manteve a proibição de conteúdos que façam ligação entre Flávio Bolsonaro e a suposta tentativa de mudança do título de Padroeira do Brasil.
Na nova manifestação, Mendonça afirmou que a atuação da Justiça Eleitoral sobre manifestações no debate político deve seguir critérios estritos e que, diante de dúvida razoável sobre o enquadramento de uma publicação no núcleo factual considerado falso, deve prevalecer a liberdade de expressão.
“Nesse sentido, realço a convergência com a premissa central que tenho reiteradamente sustentado no sentido de que a intervenção da Justiça Eleitoral sobre manifestações veiculadas no debate político deve observar critérios estritos e que, especialmente diante de dúvida razoável acerca do enquadramento de determinada publicação no núcleo factual reconhecido como falso, deve-se privilegiar a liberdade de expressão e a manutenção do conteúdo”, afirmou.
Sobre a publicação de Tabet, Mendonça considerou recomendável aplicar com especial rigor a preservação da liberdade de expressão em situações fronteiriças.
“Não se trata, portanto, de afirmar que a compreensão adotada na decisão inicial fosse desprovida de fundamento. Tampouco se altera o reconhecimento de que são objetivamente falsas as afirmações, apresentadas como fatos já ocorridos ou em curso, segundo as quais Flávio Bolsonaro teria sido autor, apresentado, proposto, apoiado ou articulado concretamente iniciativa destinada à retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil”, acrescentou.
Disputa entre TSE e STF
A decisão do TSE ocorre em meio a uma sequência de decisões envolvendo o tribunal eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF).
No domingo (27), Flávio Dino havia determinado o restabelecimento da publicação de Tabet e de outros conteúdos removidos pelo mesmo fundamento. Segundo Dino, a postagem do humorista não citava nominalmente Flávio Bolsonaro e a medida era necessária para proteger a liberdade de expressão.
Na segunda-feira (28), Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino após um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro. Com isso, restabeleceu temporariamente a determinação de Mendonça para a retirada dos conteúdos, incluindo a publicação de Tabet.
Fux defendeu que o tema fosse analisado pelo colegiado do STF, diante dos impactos sobre a Justiça Eleitoral e sobre a disputa presidencial em curso.
Após Flávio Bolsonaro recorrer da decisão de Mendonça, Dino havia enviado sua decisão para análise do plenário do STF.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, chegou a sinalizar que poderia pautar o assunto nesta quarta-feira (30), mas isso não havia sido confirmado.
Segundo informações do blog da jornalista Camila Bomfim, no g1, Fachin aguardava o julgamento do TSE para decidir se seria necessária uma atuação do Supremo.
Uma decisão colegiada da Justiça Eleitoral se sobrepõe às liminares concedidas individualmente no STF.
No dia 8 de setembro, a Meta lançou o Muse, um agente de IA que roda sozinho, em segundo plano, o tempo todo. Ontem, a OpenAI respondeu com o Dots, ferramenta capaz de acompanhar calendário, e-mail e dezenas de aplicativos sem que ninguém precise pedir nada.
Será que estamos diante de uma nova era da IA? Esse é o assunto da coluna Olhar do Amanhã, com o doutor Álvaro Machado Dias, professor da UNIFESP, neurocientista, futurista e colunista do Olhar Digital News. Confira!
A OpenAI afirma ter identificado e interrompido uma campanha coordenada de distilação de modelos de inteligência artificial (IA) que teria como objetivo extrair capacidades de raciocínio protegidas de seus sistemas. Segundo a empresa, uma parte central da atividade foi atribuída a indivíduos associados à chinesa Moonshot AI, desenvolvedora do chatbot Kimi.
A atividade teria começado no início de julho e atingido pico entre os dias 24 e 25 daquele mês, quando a OpenAI identificou 16 mil solicitações feitas por mais de quatro mil usuários, seguindo padrão de extração semelhante. A investigação posteriormente encontrou atividades relacionadas em conjunto de mais de 15 mil usuários. A empresa afirma que interrompeu completamente a campanha em 28 de julho.
Como funcionava a tentativa de extração
Segundo a OpenAI, os operadores não invadiram seus bancos de dados nem quebraram diretamente a criptografia utilizada para proteger o raciocínio dos modelos;
O método identificado explorava a forma como os modelos processavam informações entre diferentes conversas. Usuários copiavam dados de raciocínio criptografados de uma conversa e, em uma segunda interação, solicitavam ao modelo que descriptografasse e transcrevesse o conteúdo oculto em texto visível;
“Os operadores não quebraram nossa criptografia, comprometeram um banco de dados nem obtiveram acesso direto às conversas armazenadas dos usuários. Em vez disso, manipularam as interações com o modelo para que o raciocínio protegido pudesse ser reproduzido em formas visíveis ao solicitante, de maneira coordenada e em escala, violando nossos termos de serviço”, afirmou a OpenAI;
A empresa classificou a técnica como nova forma de ataque de distilação. De acordo com a companhia, não está claro se toda a atividade partiu de um único operador utilizando milhares de contas ou se envolveu diferentes grupos;
A OpenAI, contudo, afirma que um núcleo da atividade pode ser associado a pessoas ligadas à Moonshot AI. A empresa não apresentou publicamente evidências técnicas detalhadas que sustentem essa atribuição.
O que é distilação de IA?
A distilação de modelos é uma técnica legítima de treinamento na qual um sistema mais poderoso, chamado de “professor”, produz respostas que podem ser utilizadas para treinar um modelo menor, o “aluno”.
O objetivo pode ser criar sistemas mais baratos e eficientes, capazes de reproduzir determinadas capacidades do modelo maior sem exigir a mesma quantidade de processamento. A prática é utilizada normalmente no desenvolvimento de modelos de IA.
A controvérsia surge quando empresas utilizam modelos proprietários de terceiros para coletar grandes volumes de respostas sem autorização e reproduzir capacidades consideradas protegidas. Nesse contexto, empresas estadunidenses de IA passaram a chamar determinadas operações de distilação ilícita.
O raciocínio intermediário dos modelos se tornou especialmente relevante nesse processo. Em vez de utilizar apenas respostas finais, uma operação de distilação pode tentar coletar informações sobre como um sistema resolve problemas complexos, fornecendo ao modelo que está sendo treinado exemplos mais detalhados de como chegar a determinada conclusão.
Moonshot já havia sido acusada pela Anthropic
A acusação da OpenAI ocorre em meio a uma disputa mais ampla envolvendo empresas chinesas e laboratórios estadunidenses de IA.
Em fevereiro, a Anthropic afirmou ter identificado campanhas de distilação envolvendo três laboratórios chineses, incluindo a Moonshot. Na ocasião, a empresa disse ter identificado mais de 16 milhões de interações com o Claude associadas a aproximadamente 24 mil contas fraudulentas. A Moonshot teria sido responsável por mais de 3,4 milhões dessas interações, segundo a Anthropic.
Em setembro, a Anthropic voltou a acusar a Moonshot de utilizar seus modelos para treinamento. Segundo um relatório da empresa, a startup teria encaminhado silenciosamente solicitações de seus próprios clientes para o Claude, fazendo com que usuários que acreditavam estar utilizando o Kimi recebessem respostas do modelo da Anthropic.
A empresa afirma ter identificado quase 300 mil solicitações encaminhadas ao Claude durante um período de dez dias, principalmente para o modelo Opus, utilizando uma rede de 5.380 contas fraudulentas. A Anthropic também afirmou ter identificado mecanismos destinados a extrair registros de raciocínio das respostas obtidas.
Ainda segundo a Anthropic, a Moonshot teria observado mais de 23 milhões de interações relacionadas a campanhas de distilação entre maio e julho de 2026. Esses números se referem às investigações da própria Anthropic e não à campanha descrita agora pela OpenAI.
Moonshot nega as acusações – Imagem: gguy/Shutterstock
A discussão também chegou ao governo dos Estados Unidos. Em julho, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo poderia aplicar sanções contra modelos chineses de pesos abertos caso fossem confirmadas evidências de distilação de modelos estadunidenses.
Na ocasião, Bessent disse que autoridades estadunidenses estavam encontrando marcas associadas a grandes modelos de linguagem dos EUA em diversos modelos chineses e classificou a situação como inaceitável.
A possibilidade de sanções surgiu em meio às acusações de que empresas chinesas estariam utilizando modelos estadunidenses para acelerar o desenvolvimento de seus próprios sistemas. A Reuters informou na época que autoridades dos EUA também avaliavam possíveis restrições contra empresas chinesas, enquanto Pequim rejeitou as acusações de apropriação indevida de tecnologia.
A Moonshot, por sua vez, já havia rejeitado anteriormente a alegação de que o desempenho de seu modelo Kimi K3 fosse resultado de distilação. Segundo a Reuters, a empresa afirmou que os ganhos de desempenho vieram de mudanças próprias na arquitetura do sistema.
OpenAI promete reforçar as defesas
A OpenAI afirma que o episódio não representa uma vulnerabilidade exclusiva de seus modelos. A empresa compartilhou informações sobre a campanha com parceiros do setor por meio do Frontier Model Forum, com o objetivo de melhorar as defesas contra tentativas semelhantes.
Além de bloquear as contas envolvidas, a companhia afirma ter reforçado os controles de criação de contas e infraestrutura, ampliado o monitoramento de redes e corrigido o mecanismo que permitia transportar dados de raciocínio criptografados de uma conversa para outra e tentar convertê-los novamente em texto legível.
A empresa espera que esse tipo de operação fique mais sofisticado à medida que os modelos de fronteira avancem.
“Esperamos que as tentativas de distilação adversarial se tornem mais sofisticadas à medida que os modelos de fronteira melhorem e os agentes busquem maneiras mais baratas de reproduzir suas capacidades. A defesa contra essa atividade exige controles em várias camadas e adaptação contínua”, afirmou a OpenAI.
Nesta quarta-feira (30), Argentina e Bolívia se enfrentam em amistoso. A bola rola para a partida às 21h (horário de Brasília) no Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, na Argentina.
Argentina x Bolívia:
Competição: amistoso
Data: 30/09 (quarta-feira)
Horário: 21h (horário de Brasília)
Local: Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, na Argentina.
A Argentina enfrenta a Bolívia no primeiro confronto após o vice-campeonato na Copa do Mundo de 2026, onde foi derrotada na final pela Espanha. Os compromissos marcados para esta Data FIFA iniciam uma nova era de renovação para a equipe comandada por Lionel Scaloni.
A Bolívia volta a campo tentando se reconstruir após ficar de fora do último Mundial, quando acabou eliminada pelo Iraque na repescagem intercontinental. Em seu compromisso mais recente nesta mesma Data FIFA, a seleção boliviana vem de um tropeço por 2 a 0 contra o Paraguai.
O Olhar Digital publica nesta semana uma série analisando as propostas de candidatos à Presidência da República na Ciência e na Tecnologia. Nesta matéria, você vai ler sobre as propostas envolvendo inteligência artificial, data centers e soberania digital.
Tecnologia nunca esteve tão amarrada a outras esferas da vida como atualmente. Do Papa Leão XIV ao presidente dos EUA, Donald Trump, todos têm algo a dizer sobre o assunto. E a propor.
Em candidaturas à presidência da República, tecnologia aparece como um pilar estratégico. Não é mais uma pauta secundária.
O Olhar Digital analisou planos de governo de seis candidatos: Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
(Para quem não sabe: soberania digital é a capacidade de um país de governar e controlar sua própria tecnologia, dados e infraestrutura digital sem depender totalmente de empresas ou governos estrangeiros.)
Nas listas de destaques das propostas, Lula aparece em primeiro por ser o atual presidente da República. Em seguida, vem Flávio Bolsonaro, candidato que tem aparecido tecnicamente empatado com Lula em pesquisas recentes de intenção de voto. Os demais quatro candidatos foram listados em ordem alfabética.
Planos de governo de candidatos à presidência da República têm propostas voltadas para tecnologia – Imagem: mr_tigga/Shutterstock
Eleições 2026: o ‘Brasil digital’ que seis candidatos propõem criar
Existe um “núcleo comum” no qual propostas de candidatos distantes no espectro político se encontram. As convergências retratam o Estado “arrumando a própria casa”. E usando tecnologia para melhorar seus serviços.
As divergências, por sua vez, aparecem quando os textos exploram regras de mercado, direitos digitais e atuação das empresas privadas.
Agora, vamos aos temas:
Inteligência artificial (IA)
Planos de governo convergem na importância da IA e divergem nas regras para o setor – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock
Os planos de governo analisados consideram a IA uma ferramenta decisiva para aumentar produtividade, modernizar serviços públicos e melhorar a saúde e a segurança do país.
Ou seja: os candidatos concordam sobre a importância do tema. Mas discordam sobre como o Estado deve agir e regular a IA.
Cury e Lula, por exemplo, defendem papel ativo do Estado, com foco em soberania digital, ética, proteção de direitos autorais, transparência e mitigação de riscos sociais e psicológicos.
Já Caiado propõe um caminho intermediário, estabelecendo regras jurídicas baseadas no nível de risco e dano concreto da tecnologia, sem copiar modelos rígidos estrangeiros.
Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos, por sua vez, priorizam a liberdade econômica e a atração de investimentos privados, opondo-se a regulações amplas ou prévias que possam travar a inovação.
Defende a regulação da IA no Brasil e no plano internacional. Propõe a remuneração de artistas e autores pelo uso de seus conteúdos no treinamento de modelos digitais, exige transparência sobre como os algoritmos tomam decisões e prevê a rastreabilidade de conteúdos gerados por IA, ancorados na criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica;
Aplicações práticas:
Uso de IA no SUS para fazer triagem de pacientes, identificar casos graves, apoiar diagnósticos onde faltam especialistas e organizar fila única digital por risco clínico;
Difusão de ferramentas de IA no agronegócio, na saúde e nas pequenas empresas;
Criação de plataforma inteligente no Sine para cruzar vagas de trabalho e cursos;
Regras de transparência de algoritmos para proteger trabalhadores de aplicativos;
Modernização do Portal da Transparência com IA para prevenir corrupção e aprimorar a auditagem de contas públicas.
Flávio Bolsonaro (PL)
Adota postura voltada ao mercado. Defende que o Brasil aproveite suas vantagens em energia limpa e minerais críticos para atrair investimentos e se tornar produtor e desenvolvedor de IA, não apenas consumidor;
Defende legislação focada na liberdade de criar e inovar, inspirada em práticas internacionais. Rejeita a criação de regras burocráticas que limitem o setor ou estruturas estatais de controle que possam funcionar como mecanismo de censura ou rotulagem de opiniões;
Aplicações práticas:
Integração de assistentes virtuais de IA ao portal Gov.br (como a assistente ClarIA no programa “Brasil por Elas”), inclusive por comandos de voz, para que o sistema identifique os direitos de cada cidadão e os ofereça proativamente;
Propõe o desenvolvimento de aplicativo inteligente para suporte e segurança para idosos que moram sozinhos;
Criação do sistema Smart Brasil, que usaria IA, análise preditiva e reconhecimento facial integrados a mais de um milhão de câmeras novas em áreas públicas, portos e aeroportos;
Aplicação de IA para agilizar agendamento de consultas e exames no SUS, encaixando os pacientes nas primeiras vagas disponíveis;
Ensino de IA e competências digitais nas escolas públicas;
Criação da Estratégia Nacional de IA para levar soluções práticas a micro, pequenas e médias empresas na indústria, no agronegócio, na saúde e na logística.
Augusto Cury (Avante)
Considera a IA como infraestrutura estratégica de Estado e propõe uma política nacional específica. Defende colocar a tecnologia a serviço do bem-estar humano, unindo inovação com proteção da saúde mental e preparação do mercado de trabalho;
Defende um Marco Legal para a IA, focado em garantir ética e segurança jurídica. Demonstra preocupação com os efeitos dos algoritmos na saúde emocional de crianças e adolescentes. E defende o uso da tecnologia para formar pensadores críticos nas escolas;
Aplicações práticas:
Democratizar o acesso à IA para micro e pequenos empreendedores e pequenos agricultores, automatizando processos para que os pequenos ganhem produtividade e não fiquem desprotegidos diante da automação;
Uso de IA no programa SEO (Sociedade Está de Olho) e no controle dos gastos públicos para cruzar bilhões de dados, o que permitiria identificar fraudes, sobrepreços, superfaturamento e pagamentos indevidos, por exemplo;
Sistemas inteligentes para triagem inicial de sintomas, classificação automática de risco, redução de filas e rastreamento precoce do câncer em parceria com centros globais como Harvard;
Uso de IA e câmeras no programa de segurança FATO; e uso de satélites com IA no programa Floresta Viva – BR para detectar focos de incêndio florestal no início e coordenar o combate.
Renan Santos (Missão)
Apresenta um plano focado em política industrial agressiva. Propõe a criação do Marco Brasileiro de Inteligência Artificial (MBIA), conjunto de 14 medidas estruturadas em cinco eixos, com a meta de transformar o Brasil num grande exportador global de capacidade computacional, priorizando a região Nordeste;
Rejeita regulações da internet ou da mídia que imponham amarras à tecnologia ou à liberdade de expressão. Propõe reduções de impostos para empresas de tecnologia, facilitação de incentivos e expansão de capital de risco;
Em relação a infraestrutura e polos de pesquisa, propõe o Projeto Abaporu (laboratório nacional de IA com maioria de capital privado, governança independente e foco nas vantagens do país), ZEAIs (Zonas Econômicas de Alta Inteligência) e cluster de pesquisa (infraestrutura de dez mil GPUs dedicadas ao ensino e à pesquisa junto a universidades públicas).
Aplicações práticas:
Base Agro-Bio Nacional para reunir os dados do setor e desenvolver drones e robótica movidos por IA brasileira;
Criação de um sistema digital de saúde inspirado no DoctorSV (de El Salvador), que une diagnósticos por IA, histórico unificado e triagem por estratificação de risco;
Uso de drones autônomos com identificação facial em tempo real para prevenção de crimes.
Romeu Zema (Novo)
Apoia propostas sobre desregulamentação, atração de capitais privados e internacionais para data centers e fortalecimento do ambiente de negócios;
É contra a regulação ampla e prévia da IA. Sustenta que o Estado deve evitar regras antecipadas que criem insegurança jurídica ou travem o setor. Para Zema, o Estado deve intervir pontualmente, quando houver danos concretos e comprovados;
Aplicações práticas:
Incorporação de soluções tecnológicas já desenvolvidas pelo mercado privado para acelerar os serviços públicos;
No SUS, uso de IA para organizar filas de espera de forma inteligente, otimizar a distribuição de pacientes e gerenciar prontuários eletrônicos;
Estímulo ao investimento privado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no campo, integração entre universidades e empresas farmacêuticas/agrícolas e modernização da Embrapa.
Ronaldo Caiado (PSD)
Combina agenda de incentivo industrial com proposta de regulação. Defende garantir quatro pilares básicos para o desenvolvimento da IA no Brasil: capacidade computacional, dados de qualidade, formação de talentos e energia limpa;
Propõe marco legal focado no uso, no dano e no risco concreto, com transparência e fiscalização feita por agências reguladoras setoriais;
Manifestou oposição ao Projeto de Lei 2338/2023 por avaliar que o texto copia o modelo rígido da União Europeia antes de o Brasil criar sua própria capacidade industrial;
Defende regras de direitos autorais e remuneração justa;
Propõe a organização das bases de dados públicas como ativos estratégicos e ampliação de modelos de linguagem em português;
Aplicações práticas:
Programa Nacional de Indústria 4.0 e de IA, que ofereceriam crédito, vouchers de digitalização e incentivos para que pequenas e médias empresas automatizassem seus processos;
Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente, que usaria IA para organizar a fila do SUS de acordo com a gravidade e risco do paciente em vez da ordem de chegada;
Plataforma de análise de riscos em licitações públicas com IA para detectar empresas de fachada, sobrepreços e relações suspeitas;
Proteção dos sistemas de IA contra “envenenamento” e manipulação de dados; e fomento a aeronaves e drones autônomos.
Data centers
Atração de data centers no Brasil aparece como consenso em planos de governo analisados – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT
Um data center é um grande galpão recheado de computadores superpotentes e servidores que funcionam sem parar.
Eles são o “cérebro” da internet. É neles que ficam guardados dados de governos, empresas, pessoas.
Também são neles que ocorrem os cálculos pesados para a inteligência artificial – aquela que não roda localmente em dispositivos – funcionar.
Entre os planos de governo analisados, atração e expansão de data centers aparecem como consenso.
Os seis candidatos consideram que o Brasil tem uma enorme vantagem em comparação a outros países. Isso porque o país tem energia limpa, renovável e abundante – ideal para alimentar esses galpões de supercomputadores.
Todos querem trazer esse dinheiro para o Brasil. Mas divergem sobre as regras para esses investimentos.
Uns exigem contrapartidas ecológicas e sociais. Outros preferem cortar impostos e burocracia para atrair empresas o mais rápido possível.
Confira abaixo os destaques das propostas:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Quer atrair investimentos para o ecossistema de data centers e serviços de nuvem, mas exige que a instalação de galpões no Brasil traga benefícios diretos para a pesquisa e as empresas brasileiras;
Define que a expansão de data centers deve obrigatoriamente cumprir regras ambientais rígidas, como o uso progressivo de energia 100% renovável, alta eficiência energética e avaliação de impactos na água local e na rede elétrica da comunidade;
Exige que os data centers instalados em solo brasileiro reservem parte de sua capacidade computacional para atender o mercado interno e a pesquisa científica do país, além de usar equipamentos e serviços nacionais;
Destaca o Nordeste como a região ideal para data centers devido ao excesso de energia solar e eólica, conectando essa infraestrutura ao desenvolvimento de supercomputadores públicos mantidos pelo Estado.
Flávio Bolsonaro (PL)
Propõe simplificar as contas de luz e reduzir impostos sobre energia para criar ambiente atraente para grandes empresas globais instalarem seus data centers;
Defende transformar o Brasil (a região Nordeste, especialmente) num polo mundial de data centers sustentáveis, que gerariam empregos (sem dependência de regras burocráticas pesadas);
Conecta a chegada dos data centers às reservas brasileiras de minerais estratégicos (por exemplo: lítio, nióbio e terras raras). A ideia seria usar energia limpa e minérios para processar dados e fabricar tecnologia no Brasil, em vez de exportar pedra bruta;
Propõe foco na liberdade econômica e na facilitação de investimentos privados, rejeitando amarras regulatórias que possam afugentar investidores.
Renan Santos (Missão)
Apresenta a proposta mais agressiva de política industrial para o setor por meio do Marco Brasileiro de Inteligência Artificial (MBIA);
Propõe incentivos fiscais para transformar a região Nordeste na “Arábia Saudita da IA” – isto é, no maior centro exportador de capacidade computacional do ocidente;
Propõe a criação de áreas com regimes tributários, energéticos e regulatórios próprios (as Zonas Econômicas Especiais – ZEAIs) para atrair grandes data centers sem amarras burocráticas.
Romeu Zema (Novo)
Defende que o Estado não deve criar regras burocráticas ou taxas que travem o setor. A estratégia é atuar com foco na desregulamentação para atrair bilhões de dólares investidos por big techs mundo afora;
Propõe usar a energia renovável e barata que o Brasil já produz e os recursos hídricos disponíveis para atração de investimentos internacionais em data centers;
Planeja oferecer ambiente de negócios previsível, segurança jurídica e formação de profissionais capacitados para trabalhar em data centers.
Ronaldo Caiado (PSD)
Defende a criação de regras e impostos estáveis para a compra de equipamentos de data centers. A ideia seria garantir segurança jurídica para quem investe;
Condiciona os benefícios fiscais ao cumprimento de metas ambientais bem definidas: uso de energia nova e renovável, sistemas de resfriamento de água em circuito fechado (para não gastar recursos hídricos) e métricas públicas de eficiência;
Exige que as empresas que receberem incentivos reservem parte da sua capacidade de processamento para universidades brasileiras, pesquisas públicas e pequenas empresas nacionais, além de investir na melhoria da rede elétrica local;
Defende que, em vez de o Brasil apenas exportar a sobra de sua energia limpa, use essa energia para atrair data centers e exportar serviços digitais de alto valor.
(O plano de governo de Augusto Cury não tem propostas detalhadas sobre data centers. A agenda do candidato voltada para tecnologia foca em saúde mental, educação e cibersegurança.)
Soberania digital
Planos de governo analisados abordam soberania digital a partir de duas visões políticas – Imagem: The Hornbills Studio/Shutterstock
Os planos de governo analisados abordam a soberania digital a partir de duas visões políticas.
Uma delas é a soberania por meio da capacidade estatal e da regulação. Aqui, prioriza-se a criação de infraestruturas públicas soberanas (supercomputadores estatais, por exemplo), o controle nacional sobre dados e a imposição de regras e salvaguardas para empresas de tecnologia.
A outra é a soberania via mercado e atração de capitais. Nesta visão, entende-se autonomia do país como a capacidade de se tornar produtor e polo atrativo para investimentos privados vindos de fora. Isso por meio de eliminação de amarras burocráticas. E aproveitando a energia limpa e os minerais estratégicos presentes no Brasil para desenvolver o setor.
Dito isso, vamos aos destaques das propostas dos candidatos:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A soberania digital é a espinha dorsal da sua agenda de tecnologia e inovação. O plano define o conceito como a garantia de que o país tenha liberdade de escolha, autodeterminação e capacidade de operar, regular e governar suas próprias tecnologias;
Propõe a criação de um órgão com participação da sociedade civil e de especialistas para planejar e acompanhar as políticas de independência tecnológica;
Defende o desenvolvimento de uma rede nacional de supercomputadores mantidos e operados por instituições públicas brasileiras para reduzir a dependência de servidores e nuvens estrangeiras;
Trata as informações dos cidadãos como ativos estratégicos nacionais. Propõe organizar a “Base de Dados do Brasil” como uma infraestrutura pública digital governada pelo Estado para personalizar serviços do Gov.br e criar políticas públicas eficientes;
Defende que as plataformas de tecnologia e sistemas de IA atuantes no país cumpram a legislação brasileira. Também propõe a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e a proteção aos direitos autorais.
Flávio Bolsonaro (PL)
Enxerga a soberania na capacidade de o Brasil reunir os insumos necessários (energia limpa barata, minerais críticos e talentos) para atrair o capital privado global e se tornar produtor de IA e tecnologia;
Propõe estratégia que une as reservas brasileiras de lítio, nióbio e terras raras à nossa energia renovável para que o refino e o processamento de dados aconteçam em solo nacional;
Defende que o Estado atue como comprador e indutor de inovação (via compras públicas e GovTech), mas rejeita qualquer estrutura estatal de fiscalização que possa criar trava regulatória ou funcionar como mecanismo de censura (o candidato chamou isso de “Tesouraço na Censura”);
Propõe o fortalecimento da ciberdefesa nacional para proteger os serviços públicos, as redes de utilidade pública e a privacidade dos dados do cidadão.
Augusto Cury (Avante)
Trata a soberania digital como a proteção dos dados estratégicos e da infraestrutura física da nação contra riscos e invasões estrangeiras;
Defende a criação de uma política nacional para atrair fábricas de chips e microeletrônica para o Brasil. Classifica os semicondutores como o “petróleo do século 21” e essenciais para a autonomia do país;
Propõe tratar a IA como infraestrutura pública e estratégica, sob um marco legal ético, aplicada prioritariamente na saúde (prontuário único e telessaúde) e na educação.
Renan Santos (Missão)
Trata a capacidade de processamento e os minerais como assuntos de segurança nacional;
Por meio do Marco Brasileiro de Inteligência Artificial (MBIA), pretende transformar a região Nordeste num polo exportador de capacidade de processamento computacional, o que reduziria a dependência em relação às potências globais;
Propõe uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para blindar a cadeia produtiva das terras raras como pauta de Estado. Também propõe criar uma Zona Econômica Especial (ZEE) abrangendo desde a mineração até a fabricação local de chips e ímãs;
Propõe a criação do Projeto Abaporu (laboratório nacional de IA com governança independente) e de um cluster soberano de dez mil GPUs dedicado à pesquisa em universidades públicas.
Romeu Zema (Novo)
Não articula uma política tradicional de “soberania estatal”. Zema entende que a autonomia tecnológica do Brasil é alcançada pela livre concorrência, desregulamentação e atração maciça de capital privado internacional;
Apoia-se na matriz de energia renovável do Brasil para atrair bilhões de dólares de big techs para a construção de data centers, sem impor restrições ou exigências prévias;
Concentra o papel do Estado na digitalização eficiente dos serviços públicos, fim do sigilo de 100 anos e abertura de dados em formatos transparentes para a sociedade.
Ronaldo Caiado (PSD)
Define a soberania como o compromisso de fazer com que o Brasil domine as tecnologias críticas de que necessita, tornando-se produtor e não apenas consumidor;
Propõe a criação de uma autoridade nacional de cibersegurança tecnicamente independente, com orçamento próprio, voltada a proteger infraestruturas críticas e sistemas de IA contra “envenenamento” e manipulação de dados;
Defende tratar as bases de dados públicas como patrimônio estratégico com acesso seguro e apoiar a criação de modelos de inteligência artificial desenvolvidos em língua portuguesa;
Estimula a instalação de data centers por meio de incentivos fiscais, mas condiciona os benefícios à reserva de capacidade de processamento para universidades brasileiras e ao uso de energia limpa;
Prevê ações para desenvolver gradualmente capacidades nacionais em semicondutores (chips), computação quântica, robótica e satélites de defesa e comunicação.
Duas aves encontradas no Brasil estão entre as mais barulhentas já medidas pela ciência: a araponga-de-garganta-nua (Procnias nudicollis) e a seriema (Cariama cristata). Os cantos das duas ultrapassaram 120 decibéis (dB) de pico, volume comparável ou superior ao de equipamentos extremamente ruidosos, como motosserras e britadeiras.
A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst (EUA), entre eles o brasileiro João C.T. Menezes, durante seu trabalho de pós-graduação. O estudo foi publicado na revista científica Evolution.
O objetivo dos cientistas, porém, não era simplesmente descobrir qual ave faz mais barulho. A pesquisa buscou entender quais características físicas podem determinar a intensidade dos cantos e investigar se o volume está relacionado ao ambiente em que as espécies vivem ou à sua organização social.
Para isso, os pesquisadores mediram a amplitude dos cantos de 123 espécies de aves em áreas próximas a Amherst, em Massachusetts (EUA), e em diferentes regiões do Brasil. Das espécies analisadas, 113 nunca haviam tido o volume de seus cantos catalogado.
Menezes explica que ainda há poucos dados sobre a amplitude vocal das aves. Os resultados indicam que algumas espécies brasileiras estão próximas do limite de produção de som observado nesses animais. “Podemos dizer com segurança que as arapongas da Amazônia e da Mata Atlântica e a seriema emitem os cantos mais altos já medidos”, disse ao g1.
Aves ultrapassam 120 decibéis
A pesquisa identificou uma diferença de 58 decibéis entre os cantos analisados;
Na parte mais baixa da escala estava o beija-flor, com cerca de 64 dB, aproximadamente o volume de uma conversa normal. No extremo oposto estavam a araponga-de-garganta-nua e a seriema, ambas com registros superiores a 120 dB de pico;
No caso da araponga-de-garganta-nua, uma das medições chegou a 122,4 dB quando o som foi padronizado a uma distância de 1 metro. O estudo também registrou um pico individual próximo de 131 dB para um exemplar da espécie, dependendo do critério utilizado para calcular a amplitude;
Isso coloca as duas espécies em uma faixa sonora comparável à de motosserras e britadeiras.
As descobertas também ajudam a contextualizar um recorde anterior. Em 2019, pesquisadores da mesma universidade identificaram a araponga-branca, encontrada na Amazônia, como responsável pelo canto de ave mais alto já documentado, com registros de até 125,4 dB. O feito foi posteriormente reconhecido pelo Guinness World Records.
Assim, a nova pesquisa não necessariamente estabelece uma única campeã. Dependendo da forma como os pesquisadores calculam o volume, diferentes espécies podem ocupar o topo da classificação. Para os cientistas, no entanto, essa disputa é menos importante do que entender por que algumas aves evoluíram para produzir sons tão intensos.
O que faz uma ave ser tão barulhenta?
Os pesquisadores encontraram duas características físicas que ajudam a explicar as diferenças de volume: tamanho corporal e largura da abertura do bico.
Em geral, aves maiores tendem a produzir sons mais altos. Elas também apresentam músculos mais robustos, que podem permitir uma maior compressão do ar e, consequentemente, uma emissão sonora mais intensa.
As aves com cantos mais fortes também possuem aberturas de bico particularmente largas. A comparação feita pelos pesquisadores é com instrumentos musicais: estruturas mais largas, como as campânulas de instrumentos de sopro, podem ajudar a amplificar o som.
A seriema é a maior espécie entre as aves analisadas, enquanto as arapongas apresentam aberturas de bico especialmente largas para o tamanho do corpo.
Apesar dessas descobertas, os pesquisadores ainda não conseguiram explicar completamente por que algumas espécies produzem sons tão extremos.
Por que cantar tão alto?
Antes da pesquisa, os cientistas levantaram algumas hipóteses sobre possíveis funções ecológicas e evolutivas dos cantos muito intensos.
Uma delas era que aves mais barulhentas poderiam ser voadoras mais fracas, usando o som para compensar uma mobilidade limitada. Outra possibilidade era que espécies que vivem em florestas densas precisassem de cantos mais intensos para facilitar a comunicação quando os indivíduos não conseguem se enxergar.
Os pesquisadores também imaginaram que aves mais barulhentas poderiam apresentar maior frequência de poligamia, já que chamados capazes de viajar por distâncias maiores poderiam ajudar a alcançar potenciais parceiros.
Aaraponga-de-garganta-nua também está na lista – Imagem: Diego Grandi/Shutterstock
Os dados, porém, não sustentaram essas hipóteses de forma ampla.
“Entre os fatores ecológicos que estudamos, nenhum explicou com clareza por que algumas espécies evoluíram cantos mais altos do que outras. Isso não quer dizer que habitat, capacidade de voo ou sistema de acasalamento nunca sejam importantes, mas sim que não parecem ser regras gerais para as aves como um todo”, pontua Menezes.
Para os pesquisadores, tamanho corporal e abertura do bico ajudam a explicar como determinadas aves conseguem produzir sons tão fortes, mas ainda não explicam completamente por que elas desenvolveram essa capacidade.
“Deve haver algo particularmente eficiente na maneira como elas produzem ou irradiam o som que tamanho corporal e largura do bico sozinhos não explicam. Descobrir esse ‘algo a mais’ é justamente uma das perguntas que surgem do estudo”, prossegue.
Determinar o volume de um canto na natureza é uma tarefa complicada porque a amplitude do som depende diretamente da distância entre a ave e o equipamento de medição.
Um canto que parece ensurdecedor quando ouvido de perto pode quase não ser registrado a algumas centenas de metros. Por isso, uma possibilidade seria capturar o animal e levá-lo a um laboratório para realizar experimentos controlados.
O problema é que esse método se torna pouco prático quando a pesquisa envolve muitas espécies e diferentes regiões do mundo.
Para fazer as medições em campo, os cientistas utilizaram telêmetros a laser, capazes de determinar a distância até a ave, e medidores de som portáteis de alta resolução. A combinação dos equipamentos permitiu relacionar a intensidade registrada com a distância do animal e obter medidas comparáveis entre as espécies.
Com essa abordagem, os pesquisadores conseguiram ampliar consideravelmente a quantidade de espécies para as quais existem dados confiáveis sobre a amplitude dos cantos.
O mistério continua
O estudo respondeu parte da pergunta, mas deixou outras em aberto.
Os cientistas sabem agora que aves maiores e com aberturas de bico mais largas tendem a produzir sons mais intensos. Ainda assim, essas características não explicam completamente como algumas espécies relativamente pequenas conseguem chegar a volumes comparáveis aos de animais muito maiores.
Para Menezes, duas questões devem orientar os próximos estudos: qual é o mecanismo que permite a essas aves produzir e irradiar sons tão fortes e qual é a vantagem evolutiva dessa capacidade? “Agora queremos entender melhor o que há de especial nessas espécies que as permite produzir e irradiar sons tão intensos.”
Também permanece a dúvida sobre os custos desse comportamento. Um canto extremamente alto pode ajudar na comunicação ou na disputa por parceiros, mas também pode tornar a ave mais fácil de ser localizada por predadores.
“O interessante agora é testar diretamente quais vantagens esses cantos extremamente altos oferecem e quais custos vêm junto com eles. É bem possível que espécies diferentes tenham chegado a amplitudes extremas por caminhos evolutivos completamente diferentes”, encerra o pesquisador brasileiro.
Para os pesquisadores, portanto, descobrir quais aves fazem mais barulho é apenas o começo. A questão central agora é entender por que a evolução levou espécies diferentes a desenvolver uma capacidade vocal tão extrema.