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Nesta quinta-feira (22), Flamengo e Estudiantes se enfrentam pela volta das semifinais da Libertadores 2026. A bola rola às 21h30 (horário de Brasília) no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).
O Flamengo eliminou o Cruzeiro e o Independiente Del Valle para chegar à atual fase da Libertadores. Atual campeão da competição, a equipe carioca pode chegar à sua sexta final de Libertadores.
O Estudiantes chegou à semifinal após eliminar o Universidad Católica e o Corinthians, nas oitavas e quartas de final, respectivamente. O time argentino não chega a uma final de Copa Libertadores desde 2009, quando venceu o Cruzeiro e conquistou seu quarto título da competição. Único representante não brasileiro da competição na atual fase, o Estudiantes pode acabar com a sequência de finais entre times brasileiros que perdura há cinco anos.
Mudanças climáticas e transição energética estão entre os desafios que o próximo presidente do Brasil terá de enfrentar. Especialista consultado pelo Olhar Digital analisou as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que concorrem no segundo turno, para essas duas áreas.
A transição energética consiste em mudar a forma como o mundo produz e consome energia. Durante mais de um século, a humanidade dependeu fortemente da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural, para movimentar indústrias, veículos e gerar eletricidade. No entanto, substituir gradualmente essas fontes poluidoras por opções limpas e renováveis – como a energia solar, eólica, biomassa e o hidrogênio verde – tornou-se uma urgência global.
O Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário, pois já possui uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta e tem um enorme potencial natural para liderar a produção global de energias do futuro.
Ainda na agenda ambiental, as mudanças climáticas impõem desafios práticos à infraestrutura e à economia do país. O aumento da temperatura média da Terra, causado pelo acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera, manifesta-se em eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas históricas, ondas de calor severas e enchentes devastadoras em centros urbanos e áreas rurais.
Os candidatos à Presidência apresentam diferentes propostas para o setor energético e o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas no Brasil – Crédito: Imagem gerada por IA
Paulo Eduardo Artaxo Netto, físico com doutorado em física atmosférica e professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), enfatiza que a dimensão continental e a localização tropical tornam o país extremamente vulnerável aos impactos do clima.
Para conter os danos, ele afirma que o papel do Estado e a cooperação com o setor privado são decisivos. “É evidente que sem políticas públicas adequadas e implementadas corretamente, obviamente não temos saída para a questão das mudanças climáticas”.
A forma de responder aos impactos varia entre os presidenciáveis. Os planos de governo protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dividem-se entre abordagens focadas em metas de neutralidade de carbono, mecanismos de mercado e regulação, ou medidas de Defesa Civil e segurança para o agronegócio e os centros urbanos.
Os caminhos que os postulantes ao Planalto pretendem seguir nessas áreas são decisivos não apenas para a preservação ambiental, mas também para o futuro da economia, a segurança energética e a qualidade de vida dos brasileiros.
Clima e energia: as propostas dos presidenciáveis nas Eleições 2026
Conheça a seguir as diretrizes e propostas que constam nos projetos entregues à Justiça Eleitoral em relação a esses dois temas pelos dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno nas Eleições de 2026.
Vamos começar com um resumo:
Resumo das propostas dos candidatos em relação ao clima. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos candidatosResumo das propostas dos candidatos em relação ao setor energético. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos candidatos
No plano de governo do atual presidente, a agenda climática e a transição energética aparecem como eixos centrais do desenvolvimento econômico nacional. A candidatura reafirma o compromisso de reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em relação aos níveis de 2005, por meio de políticas de transição ecológica.
Ao analisar o plano de Lula, Artaxo ressalta o histórico positivo no combate à devastação na Amazônia. Para o professor, essa queda no desmatamento coloca o Brasil em destaque global na contenção de gases poluentes. “Tivemos uma redução do desmatamento da Amazônia em 51%, que é um valor extremamente elevado. Nenhum outro país reduziu as suas emissões com a magnitude que o Brasil reduziu”.
Na área de energia, a proposta prevê a expansão da infraestrutura elétrica com fontes solar e eólica, além da modernização hidrelétrica. O plano aposta nos biocombustíveis com o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro. Paralelamente, defende a exploração de petróleo no Pré-Sal, sob coordenação da Petrobras, como estratégia de segurança energética.
Para o físico, um possível próximo mandato precisaria dar destaque efetivo a essa mudança. “Agora, nós temos que avançar na questão, por exemplo, da implementação da transição energética, que ainda está realmente engatinhando no Brasil, infelizmente, e é fundamental que, se reeleito, Lula efetivamente implemente políticas que façam da transição energética um ponto central da questão climática como um todo”.
No aspecto social, a candidatura propõe ampliar o acesso à energia elétrica e manter a gratuidade da conta de luz para consumidores do programa Luz do Povo, reduzindo o peso dos gastos com eletricidade no orçamento doméstico.
Em relação ao meio ambiente, o plano prevê o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para combater o desmatamento, recuperar áreas degradadas e incentivar a bioeconomia.
Artaxo alerta, contudo, para os entraves políticos que o presidente terá de superar no Poder Legislativo. “Lula vai ter que enfrentar um congresso dominado pela extrema direita que sempre se opôs a cláusulas como combate ao crime organizado na Amazônia e à grilagem de terras na Amazônia e assim por diante. Isto, certamente, vai trazer dificuldades na implementação de políticas no próximo governo”.
A proposta inclui ainda ações de adaptação às mudanças climáticas para proteger comunidades vulneráveis contra secas e enchentes, buscando integrar a conservação da biodiversidade à geração de emprego e renda.
Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê integrar a transição energética e a preservação ambiental à segurança nacional, ao desenvolvimento tecnológico e à competitividade do agronegócio, com ênfase na exploração de recursos estratégicos, na participação do setor privado e na segurança jurídica.
No setor elétrico e de combustíveis, a candidatura propõe o Programa Nacional de Segurança Energética, associando a transição à exploração de minerais críticos, como lítio e terras raras, para o desenvolvimento de baterias e componentes industriais. O plano prevê também a ampliação e modernização dos sistemas de transmissão.
Artaxo questiona como as propostas ambientais de Flávio Bolsonaro seriam colocadas em prática. Para o pesquisador, as promessas apresentadas precisam ser avaliadas à luz das medidas efetivamente adotadas por governos em outros países. Em sua análise, há uma distância entre os compromissos descritos no documento e as ações necessárias para enfrentar a crise climática.
O docente estende suas ressalvas à governança ambiental de administrações que compartilham da mesma matriz ideológica e programática de Flávio Bolsonaro, argumentando que regimes correlatos historicamente negligenciam as diretrizes de sustentabilidade. “Governos de extrema direita, como o possível governo de Flávio Bolsonaro, são conhecidos por não tratar adequadamente a questão das mudanças climáticas, inclusive com uma postura negacionista de negar que elas existem e de, essencialmente, priorizar a exploração o máximo possível dos recursos naturais sem efetivamente cuidar dos interesses da população como um todo”.
Outra proposta do candidato do PL é transformar o Brasil em um polo internacional de data centers sustentáveis com energia renovável e baterias de grande porte. Para reduzir custos, defende a diminuição de impostos sobre a conta de luz e combustíveis.
O plano também prevê o fortalecimento da indústria de biogás, a expansão dos biocombustíveis e o estímulo ao mercado internacional de créditos de carbono, buscando ampliar as oportunidades econômicas na transição energética.
Na pauta ambiental e climática, o documento defende que a preservação deve caminhar com o crescimento produtivo, utilizando a regularização fundiária e o Código Florestal para dar segurança no campo. O plano prevê ainda o fortalecimento da Defesa Civil contra eventos extremos.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
Agenda da energia solar para o próximo governo
Em nota à imprensa, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) disse que o próximo presidente, os governadores estaduais e os parlamentares eleitos terão o desafio de ampliar a segurança e a flexibilidade do sistema elétrico, reduzir o desperdício de energia renovável, atrair investimentos e avançar na universalização do acesso à eletricidade limpa.
A entidade é a favor de consensos e políticas contínuas no setor elétrico. “Independentemente dos resultados eleitorais, a ABSOLAR defende políticas públicas de curto, médio e longo prazos que permitam transformar a abundância de recursos renováveis do Brasil em competitividade, empregos e desenvolvimento econômico”, diz o comunicado.
A associação encaminhou diretrizes aos concorrentes e reforçou o compromisso com o diálogo técnico. “A associação manterá diálogo institucional construtivo com os próximos governos federal e estaduais, o novo Congresso Nacional e as assembleias legislativas, contribuindo com recomendações técnicas e de mercado, baseadas em boas práticas internacionais adaptadas à realidade brasileira”.
Divididas em três programas (Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos), as diretrizes apresentadas pela ABSOLAR englobam armazenamento de energia, atração de indústrias e ampliação da geração fotovoltaica.
A prioridade inicial é expandir o armazenamento em baterias com leilões anuais de capacidade, maior integração às usinas solares e corte na tributação de baterias (que chega a 84,8%), igualando-a às fontes renováveis. A medida quer conter os cortes na geração renovável, cujas perdas ultrapassaram R$6 bilhões em 2025, aproveitando a sobra de energia em momentos de alta demanda em vez de acionar termelétricas poluentes. A meta é contratar 8 GW de armazenamento até 2030.
Outra frente propõe usar a competitividade da energia limpa para atração de indústrias eletrointensivas, data centers e fábrica de hidrogênio verde, exigindo aperfeiçoamentos no planejamento da transmissão e maior segurança regulatória. A ABSOLAR sugere instalar 18 GW em novas usinas solares até 2030, estimando atrair R$59,4 bilhões em investimentos e criar 500 mil empregos sem necessidade de subsídios.
Por fim, a entidade recomenda universalizar o acesso à eletricidade levando soluções fotovoltaicas a três milhões de unidades até o fim da década (incluindo 500 mil em áreas isoladas) por meio de leilões anuais com no mínimo 50% de fontes limpas, além da troca de 100 mil geradores a diesel por energia solar com baterias, reduzindo a emissão de poluentes e os custos com combustíveis fósseis.
Veja os destaques do Olhar Digital News desta quarta-feira (21/10).
ONU pede investigação sobre atuação da Meta nas eleições brasileiras
Especialistas independentes da ONU pediram, nesta quarta-feira (21), que a Meta investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos de um dos lados da disputa eleitoral brasileira. Os peritos querem explicações sobre os critérios usados pela empresa, as restrições relatadas e os mecanismos de contestação disponíveis.
Agentes de IA da OpenAI conseguiram desativar mecanismos de segurança da empresa
Dois agentes de inteligência artificial da OpenAI enfraqueceram sistemas de segurança usados pela empresa para monitorar as ações dos próprios modelos. O primeiro caso aconteceu em 3 de outubro, quando um agente da versão GPT-6.1 Sol desativou alertas automáticos de segurança sem ter recebido autorização para isso. Três dias depois, um agente GPT-6 Astra removeu um mecanismo de monitoramento de segurança enquanto copiava um código existente.
Próximo voo da Starship pode inaugurar uma nova era na exploração espacial
A SpaceX tentará capturar a nave Starship e seu propulsor Super Heavy durante o próximo voo de teste do megafoguete, previsto para o mês de novembro. O plano foi anunciado por Elon Musk e, se bem-sucedido, representará a primeira recuperação completa de um veículo lançador orbital da história.
Missão tripulada à Lua pode atrasar por conta de projetos da SpaceX e da Blue Origin
A NASA detalhou os cronogramas da SpaceX e da Blue Origin para preparar seus módulos lunares. As duas empresas travam uma verdadeira disputa para participar da histórica missão que levará astronautas de volta à superfície da Lua, prevista para 2028. Antes disso, a Artemis 3, planejada para o terceiro trimestre de 2027, testará o acoplamento dos veículos de cada uma das companhias com a nave Orion.
Tecnologia está entre os pilares dos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). Os dois disputam o segundo turno das eleições para a presidência da República em 2026. A votação está agendada para 25 de outubro.
O Olhar Digital mergulhou novamente nas propostas dos candidatos, explorando três eixos: inteligência artificial (IA), data centers e soberania digital.
Além de organizar as propostas nesses temas, a reportagem pediu para três especialistas comentarem a respeito:
José Batista Queiroz Filho: especialista em transformação digital e CEO e fundador da JBQ.Global;
Lucas Reis: professor-doutor em Comunicação, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) e empresário do setor de mídia e IA;
Thiago Muniz: especialista em tecnologias emergentes, professor da FGV e CEO da Receita Previsível e B2B Stack.
Vamos às propostas dos candidatos.
Inteligência artificial (IA)
Planos de governo convergem na importância da IA e divergem nas regras para o setor – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock
Lula
O plano de governo de Lula aborda a IA como política pública. A intenção central é garantir que o Brasil desenvolva sua própria tecnologia, regule o setor para evitar abusos e proteja trabalhadores. O documento também propõe usar a IA para modernizar o SUS e a indústria do país.
Regulação, transparência e proteção de direitos
Criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica para informar regras utilizadas pelos robôs e algoritmos, permitindo rastreamento de conteúdos gerados por IA;
Regulamentação da IA para proteger o trabalho de artistas, músicos, autores e criadores de conteúdo brasileiros. A proposta defende que as plataformas paguem pelo uso de conteúdos nacionais no treinamento ou funcionamento de sistemas de IA;
Integração da regulação da IA com a regulação de redes sociais para impedir a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio;
Atuação diplomática para que o Brasil ajude na criação de regras globais de IA baseadas na proteção de dados, na transferência de tecnologia e no respeito à soberania dos países.
Uso da IA na produtividade e em empresas
Difusão de ferramentas de IA no agronegócio, na saúde, nos serviços financeiros, na economia popular e em pequenas empresas;
Investimento em universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras que fabricam componentes de hardware e programas de software de alto desempenho.
Aplicação da IA no governo e nos serviços públicos
Uso de algoritmos para agilizar triagem de pacientes, priorizar casos graves, organizar filas de atendimento por risco clínico e fazer exames à distância;
Transformação do portal do governo numa plataforma com IA e dados abertos para facilitar a fiscalização pelo cidadão;
Implementação da Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade com IA no SINE, cruzando vagas de trabalho, cursos de qualificação, certificações e orientação profissional.
Educação
Programas para ensinar cidadãos a navegar na internet de forma crítica, reconhecer fraudes e desinformação e proteger seus dados;
Programas de bolsas e incentivos (como o Conhecimento Brasil) para atrair, formar e manter cientistas e especialistas em IA atuando no país.
Flávio Bolsonaro
O plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe usar a IA como motor de eficiência pública e produtividade no setor privado.
O foco das propostas está na aplicação da tecnologia na saúde, segurança pública e rotina do cidadão.
No geral, o plano do candidato defende uma legislação inspirada em práticas internacionais voltada à “liberdade de criar e inovar”. O objetivo é atrair investimentos privados e evitar regulações que possam ser encaradas como barreiras por empresas de tecnologia.
Atendimento ao cidadão e ‘governo digital’
Desenvolvimento da “ClarIA”, como parte do programa Brasil por Elas. É uma assistente virtual que ofereceria orientações sobre medidas protetivas, agendamento de exames de saúde, busca de emprego, apoio psicológico e registro de denúncias via chat;
Assistentes automatizados integrados à plataforma Gov.br que identificam e indicam os benefícios e serviços a que cada cidadão tem direito. O sistema poderia ser acionado por comando de voz;
Criação de aplicativo para oferecer assistência a idosos que vivem sozinhos.
Saúde pública e segurança
Uso de algoritmos de IA para organizar a marcação de consultas e exames médicos na rede pública, encaixando os pacientes na primeira vaga disponível para reduzir filas;
Implementação de um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais e a mais de um milhão de câmeras espalhadas por áreas públicas, portos e aeroportos;
Integração de centrais de denúncia e emergência numa plataforma capaz de avaliar o nível de risco de cada ocorrência e priorizar o atendimento dos casos mais graves;
Uso de IA e drones pelas Forças Armadas e órgãos de segurança contra ações de facções criminosas.
Economia
Programa para levar soluções de IA em larga escala para micro, pequenas e médias empresas, focando especialmente em quatro eixos: indústria, agronegócio, saúde e logística;
Incentivo ao aumento de patentes brasileiras em IA e atuação do Estado como comprador e indutor dessa indústria por meio de compras públicas e soluções “GovTech”.
Educação e meio ambiente
Inclusão de competências em IA e economia digital nos currículos da educação básica, além da criação da Política Nacional de Formação de Talentos e da capacitação de mulheres em IA e programação pela Escola Brasil por Elas;
Uso de ferramentas de IA combinadas com imagens de satélite e cruzamento de dados em tempo real para identificar grilagem de terras, monitorar queimadas e combater o desmatamento ilegal.
Análises de especialistas
“Um programa [o de Lula] olha com mais intensidade para a construção do motor e para as regras de voo; o outro [o de Flávio] enfatiza a pista que permite acelerar”, diz José Batista Queiroz Filho.
“O Brasil precisa do motor, da pista e, principalmente, de empresas capazes de voar para o mundo”, acrescenta o especialista em transformação digital.
Para Thiago Muniz, “é importante entender que ‘regular’ e ‘não criar barreiras à inovação’ não são necessariamente conceitos incompatíveis”.
“A discussão está principalmente em quanto o Estado deve intervir, em quais situações e em que momento”, diz o especialista em tecnologias emergentes.
Lucas Reis vê os planos de governo da seguinte forma: “A proposta de Flávio Bolsonaro se alinha à postura atual do governo americano; e a proposta do presidente Lula se alinha ao que a União Europeia tem buscado implementar.”
“As duas propostas têm se mostrado muito difíceis, na realidade, de serem implementadas”, acrescenta o pesquisador.
“No caso da perspectiva do presidente Lula, você tem uma dificuldade real de entender os algoritmos das diferentes plataformas”, diz o professor.
“As próprias máquinas vão se atualizando e é difícil até internamente as empresas entenderem exatamente o que está ali dentro. É mais difícil ainda um centro externo fazer esse acompanhamento”, explica Reis.
“Já a perspectiva de Flávio Bolsonaro, supostamente mais liberal e que prioriza a inovação, tem tido dificuldade justamente por causa dos riscos que surgem quando você tem talvez excesso de liberdade”, diz o pesquisador.
“Hoje em dia, nos Estados Unidos, as próprias plataformas têm pedido algum grau de regulamentação para tentar mitigar riscos de segurança”, acrescenta Reis.
Na prática, é muito difícil que quaisquer dessas propostas sejam implementadas. Provavelmente vai ser algo no meio. Muito provavelmente mais alinhado à perspectiva liberal, em que há menos controle estatal. Mas algum nível de controle.
Lucas Reis, professor-doutor em Comunicação e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), em entrevista ao Olhar Digital.
Data centers
Atração de data centers para o Brasil aparece em ambos os planos de governo – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT
Lula
O plano de governo de Lula adota um modelo de desenvolvimento condicionado.
A meta é transformar o Brasil num polo de processamento de dados. Mas exigindo: uso de energia limpa, proteção ambiental e reserva de capacidade computacional para o desenvolvimento nacional (pilares que lembram o Redata).
Fomento ao ‘ecossistema nacional de tecnologia’
Incentivar desde as instalações físicas de data centers até os serviços de computação em nuvem e o desenvolvimento de IA por empresas brasileiras;
Criação de uma infraestrutura computacional soberana, o que inclui o investimento em supercomputadores desenvolvidos, mantidos e operados por instituições nacionais;
Usar o poder de compra do governo, financiamentos públicos, incentivos à inovação e parcerias entre universidades, centros de pesquisa e empresas (públicas e privadas) para fortalecer o setor no país.
Salvaguardas socioambientais obrigatórias
Como os data centers consomem muita energia e água, o plano de Lula fixa regras socioambientais para as empresas se instalarem no Brasil. São elas:
Uso progressivo e obrigatório de fontes de energia limpa e renovável (como eólica e solar) para abastecer os data centers;
Adotar tecnologias que reduzam o desperdício de energia e otimizem o consumo dos sistemas;
Estudos de impacto sobre o sistema elétrico regional, sobre o uso da água e sobre as comunidades e populações que vivem no entorno.
Contrapartidas para o Brasil
O plano estabelece que empresas multinacionais e investidores que instalarem data centers no país devem oferecer contrapartidas diretas para o mercado interno. São elas:
Estímulo e obrigação para que os investimentos usem componentes, equipamentos, softwares e serviços desenvolvidos ou produzidos no Brasil;
Garantia de que parte do poder de processamento e armazenamento desses data centers seja reservada para atender às necessidades de empresas, instituições de pesquisa e órgãos públicos brasileiros.
Proteção de dados
Criação de uma infraestrutura e de um conjunto de regras nacionais para garantir o uso seguro de dados para o treinamento de tecnologias e a prestação de serviços essenciais.
Flávio Bolsonaro
O candidato propõe atrair a construção de data centers oferecendo energia barata, redução de impostos e “desburocratização” para o mercado privado.
O plano de Flávio posiciona o Nordeste e a riqueza mineral do Brasil no centro da sua estratégia para atrair investimentos.
Brasil como ‘polo global de data centers sustentáveis”
Aproveitar que o Brasil possui matriz de energia elétrica limpa e renovável (como energia solar e eólica) para transformar o país num “polo global de data centers sustentáveis”;
Construir data centers onde a energia é barata, estável e confiável.
Redução de impostos e barateamento da energia
Reduzir impostos sobre a energia elétrica e os combustíveis, além da simplificação da conta de luz;
Usar queda nos custos de energia como o principal chamariz para convencer grandes empresas internacionais de tecnologia a instalarem seus data centers no Brasil.
Foco na região Nordeste
Região tem destaque no plano de governo de Flávio por ter “sol e vento de sobra”;
Priorizar a região para receber os investimentos em data centers. A ideia é aproveitar a oferta de energia solar e eólica farta e barata para atrair empresas e gerar empregos.
Energia limpa, minerais críticos e data centers
O plano conecta a demanda dos data centers e da IA à exploração e ao processamento dos minerais críticos do subsolo brasileiro (como lítio, nióbio, grafite e terras raras);
Em vez de o Brasil apenas exportar a pedra bruta para depois comprar tecnologia pronta de fora, a proposta junta o minério, a energia limpa e a capacidade de processamento dos data centers numa estratégia para produzir tecnologia e hardware no país.
‘Desburocratização’
O modelo proposto por Flávio Bolsonaro baseia-se na atração de capital privado nacional e internacional por meio de regras, estabilidade de contratos e “desburocratização”;
O plano propõe prazos definidos e análises técnicas rápidas no licenciamento ambiental para grandes projetos não ficarem “travados”.
Análises de especialistas
Existe uma disputa entre “exigir contrapartidas” e “desonerar para atrair”. “As duas abordagens colocam ênfase em pontos diferentes”, diz Muniz. “Uma [a de Lula] busca associar o investimento a determinadas entregas para o mercado interno; a outra [a de Flávio] procura maximizar a atratividade econômica do país para o capital privado”, explica o professor da FGV.
Por um lado, “contrapartidas podem ampliar os efeitos de um investimento sobre o ecossistema local, mas também precisam ser consideradas dentro da estrutura de custos do empreendimento”, diz Muniz.
Por outro, “medidas que reduzem custos e facilitam investimentos podem aumentar a atratividade do país, mas a dimensão dos benefícios que permanecem no mercado interno dependerá de fatores como contratação de fornecedores, geração de conhecimento, desenvolvimento de empresas e utilização da capacidade instalada”, explica o especialista.
O Brasil conhece bem cadeias em que somos extremamente competitivos na origem, mas capturamos uma parcela menor do valor nas etapas seguintes. Na economia digital, não podemos correr o risco de produzir o grão e comprar a cápsula.
José Batista Queiroz Filho, especialista em transformação digital e CEO e fundador da JBQ.Global, em entrevista ao Olhar Digital.
Batista vê “pontos de complementaridade” entre as propostas dos candidatos: “Uma [a de Lula] enfatiza mais como capturar capacidade e valor tecnológico a partir do investimento; a outra [de Flávio], como criar condições econômicas para atrair esse investimento.”
“Para quem desenvolve e integra tecnologia, o maior ganho acontece quando essas duas pontas conseguem se conectar”, diz o especialista.
Soberania digital
Planos de governo de candidatos definem soberania digital de forma diferente – Imagem: mr_tigga/Shutterstock
Lula
No plano de governo de Lula, a soberania digital é um pilar central da agenda tecnológica.
O objetivo é garantir que o Brasil tenha controle, autonomia e capacidade de decisão sobre o seu futuro digital. Isto é, sem depender de subordinação a potências ou empresas estrangeiras.
Segundo consta no plano, a ideia é assegurar que o ambiente digital siga as leis brasileiras, proteja os direitos da população e sirva ao interesse público.
Governança e autonomia
Criação de um Conselho Nacional pela Soberania Digital, que teria participação da sociedade civil, para orientar e pactuar as diretrizes públicas sobre tecnologias estratégicas e ambiente digital;
Exigência de que plataformas, infraestruturas críticas e serviços digitais que operam no Brasil estejam submetidos às leis do país, assegurando a proteção de dados estratégicos e dos direitos fundamentais do cidadão.
Infraestrutura computacional e tecnologia própria
Investimento numa infraestrutura computacional soberana, com supercomputadores desenvolvidos, mantidos e operados por instituições públicas e centros de pesquisa nacionais;
Estímulo ao desenvolvimento interno da cadeia tecnológica, cobrindo desde a atração de data centers e serviços em nuvem até o fortalecimento de empresas brasileiras que fabricam componentes de hardware e desenvolvem software;
Uso de contratações públicas, financiamentos governamentais e incentivos para induzir o desenvolvimento tecnológico em universidades e empresas nacionais.
IA
Desenvolvimento e manutenção de IAs treinadas em português e em outras línguas do país, voltadas a resolver os problemas e desafios específicos do Brasil.
Cultura, educação e proteção de direitos
Aprovação de legislação sobre direitos autorais no ambiente digital para assegurar que artistas, músicos e criadores de conteúdo brasileiros sejam remunerados pelo uso de suas obras no treinamento de IAs e em plataformas digitais;
Implementação de regras contra a desinformação e discursos de ódio, além do aprimoramento do ECA Digital para proteger crianças e adolescentes do uso excessivo de telas e de ambientes de jogos;
Programas de alfabetização e capacitação para que cidadãos aprendam a navegar de forma crítica na rede, defender sua privacidade e reconhecer fraudes digitais.
Liderança e diplomacia
Atuação internacional do Brasil para liderar acordos globais de IA e tecnologia digital baseados na proteção de dados, na transferência de tecnologia, na cooperação científica e no respeito à soberania dos países em desenvolvimento.
Flávio Bolsonaro
O plano de governo de Flávio Bolsonaro define soberania digital como a capacidade de a nação governar a si própria, fazer cumprir suas leis e proteger seus cidadãos e território.
O candidato defende, em seu plano de governo, que a soberania seja exercida por meio de ações práticas, força econômica e atração de investimentos.
Ainda segundo o plano, o candidato quer inserir o Brasil nas cadeias globais de valor, combinando mercado privado, tecnologia e segurança.
Brasil como produtor e desenvolvedor de tecnologia
O plano estabelece a meta de que o Brasil deixe de ser apenas consumidor de tecnologias estrangeiras para se tornar um desenvolvedor e produtor de tecnologia e IA;
Propõe que o governo atue como indutor do ecossistema de inovação utilizando seu poder de compras públicas, soluções de “GovTech” e incentivos à pesquisa;
Objetivo é ampliar a participação brasileira no registro de patentes digitais e de IA, acompanhado de uma legislação voltada à “liberdade de criar”.
Dados do cidadão e defesa cibernética
O documento fixa a diretriz de que os dados pessoais pertencem ao indivíduo, e não ao governo;
Propõe reforçar a defesa cibernética nacional para proteger infraestruturas cruciais, serviços públicos e cidadãos contra ataques virtuais, invasões e fraudes digitais;
O plano enfatiza que as ferramentas de IA devem ser aplicadas a serviço das pessoas e da proteção pública.
Moderação de conteúdo
O plano rejeita a criação de estruturas estatais voltadas à moderação de conteúdo (é a proposta chamada “tesouraço na censura”);
A soberania e a confiança no ambiente digital são associadas à defesa intransigente da liberdade de expressão.
Análises de especialistas
Quando o assunto é IA, Thiago Muniz aponta que “o impacto econômico não estará apenas na quantidade de servidores ou modelos disponíveis, mas na capacidade de transformar essa infraestrutura em novos produtos, serviços, empresas, eficiência e ganhos de produtividade”.
Em outras palavras, uma coisa é “abrigar servidores” no país. Outra é o país desenvolver tecnologia.
José Batista levanta algumas questões. “Em quais áreas queremos estar entre os líderes mundiais? Onde queremos desenvolver propriedade intelectual? Onde queremos formar empresas globais? E quais resultados esperamos alcançar nos próximos cinco ou dez anos?”
“Os planos de governo apresentam forças diferentes e pontos de complementariedade”, analisa o especialista em transformação digital.
“Lula enfatiza soberania, capacidade nacional e governança. Flávio enfatiza liberdade para inovar, competitividade e dinamismo empresarial”, explica José Batista.
“O Brasil precisa conectar essas dimensões: liberdade para criar, confiança para escalar e capacidade própria para competir”, analisa o especialista.
Para Lucas Reis, a visão de soberania absoluta do Estado é mais retórica do que prática.
Na margem, uma plataforma pode simplesmente optar por não ter uma atuação formal no Brasil, que é um mercado secundário.
Lucas Reis, professor-doutor em Comunicação, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) e empresário do setor de mídia e IA, em entrevista ao Olhar Digital.
O professor acrescenta o seguinte: “Algum nível de legislação é importante, mas vale um exercício de humildade, de entender qual é realmente o tamanho do Brasil no cenário global de desenvolvimento dessa tecnologia emergente e focar no que é efetivamente possível regulamentar nacionalmente.”
“O Brasil é um país secundário no desenvolvimento de tecnologia. É um mercado consumidor relevante, mas não é fundamental no nível global”, explica o especialista.
Segundo Reis, o Brasil é um país que não desenvolve tecnologia. E a tecnologia usada pelo país “roda em outras jurisdições”.
(Os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro estão disponíveis no site do TSE.)
Entender o que acontece dentro de uma inteligência artificial é um dos grandes desafios da atualidade. Embora desenvolvedores consigam observar as informações fornecidas a um modelo e as respostas produzidas por ele, nem sempre conseguem explicar como o sistema chegou a determinada conclusão.
Um novo estudo, porém, sugere que esse funcionamento interno pode ser mais compreensível do que se imaginava. Este é o tema da coluna Fala AI desta terça-feira, com Roberto Pena Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning por Stanford e pesquisador na área de Inteligência Artificial. Confira!
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A iniciativa acusa a Meta, dona do Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp, de favorecer o candidato adversário por meio de algoritmos de recomendação e ferramentas de inteligência artificial (IA).
O pedido será apresentado em Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije). A campanha sustenta que os sistemas das plataformas teriam ampliado a distribuição de conteúdos favoráveis a Flávio e seus aliados, ao mesmo tempo que restringiram o alcance de publicações ligadas a Lula.
Japão lança sonda que tentará trazer pedaços de uma lua de Marte
O Japão lançou, nesta segunda-feira (19), às 16h41 (horário de Brasília), uma missão espacial que pretende trazer à Terra amostras de uma das luas de Marte. A sonda MMX (Exploração das Luas de Marte, na sigla em inglês) decolou a bordo de um foguete H3 do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, e iniciou jornada de aproximadamente cinco anos para investigar Fobos e Deimos, os dois satélites naturais do planeta vermelho.
OpenAI corre para levantar R$ 163,5 bilhões antes de IPO da Anthropic
A OpenAI está correndo para garantir compromissos de investidores antes da estreia da concorrente Anthropic na bolsa, prevista para meados de novembro. A nova rodada de financiamento pode avaliar a dona do ChatGPT em mais de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,63 trilhões), segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters.
Samsung usará tecnologia da rival TSMC em chips de memória da Nvidia, diz jornal
A Samsung usará o processo de fabricação de 3 nanômetros da TSMC para produzir componentes das próximas memórias HBM personalizadas da Nvidia, segundo o jornal sul-coreano Seoul Economic Daily.
Noruega quer restringir TikTok, Snapchat e Roblox para menores de 16 anos
O governo da Noruega quer ampliar a proposta de restrição ao uso de redes sociais por menores de 16 anos para incluir plataformas de jogos e serviços de mensagens considerados nocivos. A iniciativa poderá atingir serviços, como TikTok, Snapchat e Roblox, segundo anúncio feito nesta segunda-feira (19).
Menores conseguem baixar apps que criam nudes com IA, aponta investigação
Adolescentes conseguem acessar aplicativos de inteligência artificial que criam imagens íntimas falsas sem consentimento, mesmo com os controles parentais da Apple e do Google ativados. A conclusão é de uma investigação do Tech Transparency Project, divulgada pelo The Guardian.
EUA mandam banir inteligência artificial DeepSeek de redes federais
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) determinou que órgãos civis federais removam tecnologias de inteligência artificial da chinesa DeepSeek de seus sistemas de TI. A ordem também proíbe novas aquisições de produtos e serviços da empresa.
Físicos encontram evidências de fenômeno quântico previsto há quase 100 anos
Físicos encontraram novas evidências de um fenômeno quântico previsto em 1931 pelo físico Hans Bethe: a formação de agrupamentos de átomos que se comportam como uma única unidade, conhecidos como cordas de Bethe.
Apple prepara evento com possíveis novos MacBooks e iPad mini
A Apple convidou jornalistas para uma experiência presencial em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 28 de outubro de 2026. A publicação do executivo Greg Joswiak com a frase “Pro and Tell” alimentou rumores sobre novos computadores e tablets.
A OpenAI está correndo para garantir compromissos de investidores antes da estreia da concorrente Anthropic na bolsa, prevista para meados de novembro. A nova rodada de financiamento pode avaliar a dona do ChatGPT em mais de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,63 trilhões), segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters.
A captação deve movimentar aproximadamente US$ 30 bilhões (cerca de R$ 163,5 bilhões). Entre os investidores que negociam participação estão o SoftBank Group, o fundo soberano de Abu Dhabi MGX e outros apoiadores atuais da OpenAI.
De acordo com as fontes da agência, a empresa quer concluir a operação rapidamente, em parte para se antecipar à Anthropic. As duas desenvolvedoras de IA disputam recursos de base semelhante de investidores, enquanto buscam avaliações trilionárias.
A OpenAI realizou reuniões com fundos de investimento de longo prazo e fundos soberanos na semana passada, enquanto a Anthropic promovia seu próprio encontro com investidores. A rodada da dona do ChatGPT deve avançar em ritmo mais acelerado do que o habitual para uma operação desse porte.
OpenAI quer captar recursos antes de comparações com a Anthropic
A estratégia também busca aproveitar o crescimento recente da receita da OpenAI, impulsionado pelo lançamento de novos modelos de IA;
Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, a empresa informou a investidores que atingiu receita anualizada de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 272,5 bilhões) e espera elevar esse valor para US$ 70 bilhões (cerca de R$ 381,5 bilhões) até o fim do ano. A apresentação destaca o desempenho após o lançamento do GPT-6 Astra;
A OpenAI também reduziu os preços de seus modelos mais baratos e afirmou que a mudança ampliou o uso das ferramentas. A companhia sinalizou aos investidores que ainda pode diminuir os preços de seus modelos de IA;
A Anthropic, por sua vez, chegou à receita anualizada de aproximadamente US$ 65 bilhões (cerca de R$ 354,3 bilhões) em julho, segundo informações anteriores da Reuters. A empresa informou a investidores que sua receita trimestral passou de US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 63,2 bilhões) no segundo trimestre para US$ 16,8 bilhões (cerca de R$ 91,6 bilhões) no terceiro.
Apesar do avanço, a desaceleração do crescimento mensal da receita da Anthropic provocou questionamentos entre investidores sobre sua avaliação. A OpenAI quer concluir a captação antes que as divulgações financeiras da concorrente ofereçam mais informações e estimulem comparações diretas entre os negócios.
Esses dados também podem levar investidores a cobrar de Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI, mais detalhes sobre o crescimento da receita e as perspectivas da companhia.
As duas empresas têm métodos diferentes de contabilizar a receita. A OpenAI registra os valores líquidos, descontando antecipadamente a parcela de parceiros. A companhia já acusou a Anthropic de inflar sua receita ao contabilizar o valor bruto de contratos vendidos por meio de provedores de nuvem terceirizados. A Anthropic afirmou anteriormente à Reuters que segue práticas contábeis estabelecidas.
“É uma corrida entre duas empresas em termos de abertura de capital”, disse Edward Best, copresidente de mercados de capitais do escritório de advocacia Willkie Farr & Gallagher, que não participa da operação, à Reuters, e comentou a possibilidade em caráter hipotético.
A OpenAI foi avaliada em US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,64 trilhões) em março, após rodada de financiamento recorde de US$ 122 bilhões (cerca de R$ 664,9 bilhões). A operação incluiu compromisso de investimento da Amazon de até US$ 50 bilhões (cerca de R$ 272,5 bilhões).
IPO da Anthropic será realizado em breve – Imagem: RixAiArt/Shutterstock
Infraestrutura de IA e incertezas do mercado pesam na captação
Além de tentar se antecipar à concorrente, a OpenAI precisa de capital para cumprir seus compromissos de infraestrutura e reforçar o balanço financeiro. A necessidade ganha importância caso uma piora nas condições do mercado de IPOs atrase a abertura de capital da empresa, planejada para 2027.
Embora haja forte demanda pelas ações das duas companhias, os investidores precisam avaliar e distribuir recursos entre duas operações complexas e concorrentes em um intervalo de poucos dias ou semanas. Algumas fontes ouvidas pela Reuters avaliam que a iniciativa da OpenAI busca garantir dinheiro de fundos que poderiam destinar uma parcela maior de seus recursos à oferta pública da Anthropic.
O cenário, porém, é de maior cautela. A volatilidade das ações de tecnologia, a alta dos rendimentos dos títulos de dívida e as preocupações com a segurança da IA vêm afetando o apetite dos investidores. Os custos da infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA, incluindo o endividamento para financiar data centers, também estão sob escrutínio.
A própria avaliação da Anthropic enfrenta questionamentos. Alguns investidores atuais e potenciais defenderam valor próximo de US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 8,18 trilhões) para a estreia na bolsa, abaixo dos US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,9 trilhões) desejados, após os resultados do terceiro trimestre ficarem aquém das expectativas.
A instabilidade também afetou outras empresas que planejavam abrir capital. Companhias e instituições financeiras têm adiado ofertas para evitar disputar a atenção dos investidores com a Anthropic em mercado volátil e pressionado pela queda de ações ligadas à IA.
Entre as preocupações está a CoreWeave, provedora de serviços de nuvem, cujas ações e dívidas caíram na semana passada, enquanto investidores analisavam os quase US$ 50 bilhões (cerca de R$ 272,5 bilhões) em empréstimos usados para financiar sua expansão.
Empresas, como AirTrunk REIT, apoiada pela Blackstone, Firmus, apoiada pela Nvidia, e SB Energy, apoiada pelo SoftBank, retiraram ou suspenderam seus planos de abertura de capital. A empresa de serviços nucleares Holtec também cancelou uma oferta nos Estados Unidos no mês passado, citando combinação de fatores adversos, principalmente a incerteza sobre a demanda por data centers.
Em menos de duas semanas, as empresas do índice Philadelphia Semiconductor, usado como referência para a demanda por semicondutores ligados à IA, perderam US$ 1,6 trilhão (cerca de R$ 8,72 trilhões) em valor de mercado.
OpenAI e SoftBank não comentaram a captação. Anthropic e MGX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
O Olhar Digital traz os lançamentos da Netflix semanalmente. Nesta semana, você confere as produções que chegam ao catálogo do streaming entre 19 e 25 de outubro de 2026.
Entre as estreias, está a terceira temporada de Ninguém Quer, estrelada por Kristen Bell e Adam Brody. Além disso, a quarta temporada de Lupin chega à Netflix.
O que chega à Netflix entre 19 e 25 de outubro de 2026
Confira abaixo a lista das produções que chegam ao catálogo da Netflix entre 19 e 25 de outubro de 2026:
Terça-feira – 20/10
Theo Von: I’m Doing Fine (especial)
Cyberpunk: Mercenários – Temporada 2 (série)
Quarta-feira – 21/10
Six Kings Slam
Evento esportivo | Transmissão ao vivo pela Netflix | Tênis | Ano de Produção: 2026
A Netflix vai transmitir o Six Kings Slam ao vivo nos dias 21, 22 e 24 de outubro de 2026. O evento reúne seis tenistas do circuito da ATP: Jannik Sinner, Carlos Alcaraz, Novak Djokovic, Alexander Zverev, Taylor Fritz e Alex de Minaur.
O Novo Experimento de Aprisionamento de Stanford
Série | Original Netflix | Documentário | Ano de Produção: 2026 (Estados Unidos)
Nesta versão moderna de um dos experimentos sociais mais controversos da história, 30 participantes entram em uma prisão real e recebem aleatoriamente os papéis de guardas ou prisioneiros. Submetidos a um sistema de poder, hierarquia e controle, eles precisam lidar com os limites da empatia, da moral e da individualidade. À medida que a pressão aumenta e o equilíbrio de poder muda, o experimento investiga como pessoas comuns reagem às posições que ocupam e se o poder é capaz de corromper suas escolhas éticas.
Quinta-feira – 22/10
Ninguém Quer – Temporada 3
Série | Original Netflix | Comédia romântica | Ano de Produção: 2026 (Estados Unidos)
Depois de renovarem o compromisso no final da temporada anterior, Joanne (Kristen Bell) e Noah (Adam Brody) se mudam para uma casa e começam a construir uma vida juntos. Com o relacionamento mais sólido, os dois descobrem novas experiências nessa fase a dois. Enquanto isso, Sasha (Timothy Simons) e Esther (Jackie Tohn) voltam ao mundo dos encontros, entre situações inesperadas e os desafios de conhecer alguém novo. Morgan (Justine Lupe) avança na carreira e se aproxima de se tornar uma sensação da mídia, enquanto ela e Sasha lidam com sentimentos que nenhum dos dois consegue admitir.
Alguém Falou de Mim?
Série | Comédia | Ano de Produção: 2026 (Japão)
Gen Takasegawa é o primeiro ator japonês a protagonizar uma peça no Shakespeare’s Globe Theatre, em Londres. Depois de passar dois anos longe de casa, ele retorna ao Japão e descobre que foi esquecido por todos. Sem reputação, família ou dinheiro, o artista precisa recomeçar a vida e encontrar uma maneira de recuperar a fama. A comédia acompanha sua tentativa de voltar aos holofotes enquanto enfrenta as consequências de sua busca por reconhecimento.
Estamos Solteiros: O Amor Continua – novo episódio (série)
Sexta-feira – 23/10
Lupin – Temporada 4
Série | Original Netflix | Suspense | Ano de Produção: 2026 (França)
Quatro anos após os acontecimentos da parte anterior, Assane continua preso e pretende cumprir sua pena para reencontrar a família no Senegal, conforme prometeu ao filho. Seus planos mudam quando um anúncio misterioso, assinado por Lupin, prevê roubos simultâneos em vários museus. Os crimes acontecem, e as evidências apontam para Assane, incluindo uma gravação que sugere seu envolvimento no roubo que deixou a capitã Belkacem gravemente ferida. Para provar sua inocência e desmascarar o imitador, ele precisa escapar da prisão e assumir novamente a identidade de Lupin.
Paralisada pela Esperança: A História de Maria Bamford
Filme | Documentário | Comédia | Ano de Produção: 2026 (Estados Unidos)
Dirigido por Judd Apatow e Neil Berkeley, o documentário acompanha a trajetória da comediante Maria Bamford, conhecida por transformar experiências pessoais em um estilo de humor marcado pela sinceridade. A produção revisita sua infância em Duluth, Minnesota, a descoberta do teatro durante a faculdade e a conquista de reconhecimento em Los Angeles, além de registrar quase quatro anos de sua rotina. O filme também reúne trechos de seus especiais de stand-up e depoimentos de outros comediantes, abordando sua jornada de saúde mental e os relacionamentos familiares que marcaram sua vida.
O Aristocrata Decadente
Série | Original Netflix | Comédia | Ano de Produção: 2026 (Espanha)
Don Leandro é um marquês falido que mantém as aparências enquanto sonha em conquistar prestígio entre a nobreza espanhola. Para escapar da crise financeira, ele decide vender a mansão decadente da família, em Madri. A oportunidade surge quando Sofía Carrington, uma empresária milionária, demonstra interesse pelo imóvel. No entanto, à medida que as negociações avançam e a sedução entra em cena, os dois descobrem que as aparências podem esconder muito mais do que imaginavam.
Contra o Furacão
Filme | Drama | Ano de Produção: 2026
Em alto-mar, Wirpul e seu meio-irmão Candi lutam para sobreviver quando uma tempestade inesperada se transforma no furacão Otis, de categoria 5, na costa de Acapulco. O filme aborda temas como irmandade, desigualdade e coragem diante de uma situação extrema, em que o vínculo entre os irmãos se torna sua principal esperança de sobrevivência.
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