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Neste sábado (6), Brasil e Egito se enfrentam em amistoso internacional preparatório para a Copa do Mundo 2026. A bola rola às 19h00 (horário de Brasília) no Huntington Park Field, em Cleveland, nos Estados Unidos.
Brasil x Egito:
Competição: Amistoso Internacional
Data: 06/06 (sábado)
Horário: 19h00 (horário de Brasília)
Local: Huntington Park Field, em Cleveland (Estados Unidos)
O amistoso contra o Egito será o último compromisso da Seleção Brasileira antes da estreia na Copa do Mundo de 2026. A equipe de Carlo Ancelotti chega embalada pela goleada por 6 a 2 sobre o Panamá e deve utilizar a partida para fazer os últimos ajustes antes do Mundial.
Do outro lado, o Egito aposta no talento de Mohamed Salah e em uma sequência positiva de amistosos, que inclui empate com a Espanha e vitória sobre a Rússia. A seleção africana também disputará a Copa do Mundo e busca ganhar confiança antes da estreia no torneio.
Elas estão nos motores de carros elétricos, nas turbinas eólicas, em celulares, computadores, satélites, equipamentos médicos, sistemas de defesa, drones, sensores industriais e em parte da infraestrutura que sustenta a economia digital. As terras raras deixaram de ser um assunto restrito a geólogos, mineradoras e laboratórios para se tornarem uma das disputas estratégicas mais importantes do século XXI. O nome, no entanto, pode enganar: esses elementos não são necessariamente raros na natureza. O que é raro — e caro — é encontrá-los em concentrações economicamente viáveis, separá-los com alto grau de pureza e transformá-los em produtos industriais de alto desempenho. As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Entre os mais estratégicos estão neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, usados na fabricação de ímãs permanentes de alta performance.
Para Sidney Ribeiro, professor do Instituto de Química de Araraquara da Unesp, a presença desses elementos na vida cotidiana é tão ampla que muitas vezes passa despercebida. “Hoje, tudo relacionado à tecnologia envolve terras raras na sua fabricação, desde o celular até turbinas eólicas ou carros elétricos. Então, a gente tem uma grande dependência tecnológica das terras raras”, afirma. Essa dependência explica por que um tema antes técnico passou a ser tratado por governos, empresas e centros de pesquisa como assunto de segurança econômica, industrial e até militar.
Terras raras – Imagem: Joaquin Corbalan/Shutterstock
O recurso por trás dos ímãs que movem carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares
A principal aplicação estratégica das terras raras está nos ímãs permanentes de alto desempenho, especialmente os de neodímio-ferro-boro. Eles são pequenos, leves, resistentes e capazes de gerar campos magnéticos muito fortes. Por isso, aparecem em motores elétricos, aerogeradores, equipamentos de automação, aparelhos médicos, sistemas aeroespaciais, data centers, robótica e aplicações de defesa. Segundo a Agência Internacional de Energia, os ímãs permanentes representam a aplicação mais importante e de crescimento mais acelerado das terras raras, respondendo por cerca de 95% do consumo total desses elementos em valor. A demanda por neodímio, praseodímio, disprósio e térbio dobrou desde 2015 e deve crescer mais de um terço até 2030, impulsionada pela eletrificação, pelas energias renováveis e pela digitalização da economia.
Esse crescimento transformou as terras raras em uma espécie de elo invisível da indústria contemporânea. Sem elas, motores elétricos ficam menos eficientes, turbinas eólicas perdem desempenho, equipamentos eletrônicos encarecem e setores estratégicos passam a depender de substitutos menos eficazes. Por isso, o debate não é apenas sobre mineração. É sobre quem controla as etapas industriais que ligam o minério ao produto final.
O Brasil tem potencial, mas ainda precisa transformar reserva em cadeia produtiva
É nesse contexto que o Brasil aparece como uma promessa global. O Serviço Geológico do Brasil aponta que o país tem cerca de 21 milhões de toneladas em reservas ou recursos de terras raras, algo em torno de 23% do total mundial, o que colocaria o Brasil entre os maiores detentores desse tipo de recurso no planeta. O potencial, porém, ainda não se traduz em presença industrial equivalente. O SGB informou que o país produziu apenas 20 toneladas em 2024, menos de 1% da produção mundial daquele ano. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos, em sua síntese de 2026, estimou para 2025 uma produção brasileira de 2 mil toneladas, diante de 270 mil toneladas da China e de um total mundial de 390 mil toneladas. Mesmo com metodologias e anos diferentes, os números mostram o mesmo contraste: o Brasil tem recurso, mas ainda não tem escala comparável aos grandes produtores.
Essa distância entre potencial geológico e produção real é um dos pontos centrais para André Pimenta, coordenador do CIT SENAI ITR. Segundo ele, a existência de reservas não significa, automaticamente, uma mina pronta para operar. “Esse número primeiro é um número de mapeamento, ou seja, o pessoal vai descobrindo os novos depósitos e vai comunicando isso para as nossas agências reguladoras, a ANM, Serviço Geológico do Brasil. Mas isso ainda, até que vire uma mina, até que a gente consiga realmente explotar, tem um caminho muito longo. Então tem uma questão de licenciamento, licenciamento ambiental, tem uma questão de investimento. Desde o momento em que você descobre um depósito, você precisa perfurar, caracterizar, fazer as solicitações de licenciamento. Algumas vezes você precisa de infraestrutura, energia elétrica, rodovia, etc. Então isso demanda tempo.”
Da descoberta à mina: o caminho longo entre potencial geológico e produção real
A fala de Pimenta ajuda a explicar por que o Brasil pode ser visto como uma potência futura em terras raras e, ao mesmo tempo, ainda ter participação reduzida na oferta global. Identificar um depósito é apenas o começo. Depois vêm sondagens, estudos geológicos detalhados, avaliação econômica, licenciamento ambiental, definição de rota tecnológica, infraestrutura, logística, energia, água, segurança operacional e financiamento. Em muitos casos, os elementos terras raras aparecem associados a outros bens minerais, como nióbio, fosfato, bauxita ou monazita, o que aumenta a complexidade de extração e aproveitamento industrial. Segundo o SGB, os principais recursos brasileiros estão em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, com destaque para Araxá, Minaçu, Seis Lagos, Pitinga, Jequié e áreas do litoral sergipano.
Em Minas Gerais, Araxá abriga a única reserva oficialmente reconhecida de terras raras do Brasil, segundo o SGB. Em Goiás, Minaçu ganhou projeção por ter uma mina ativa de elementos terras raras e por abrigar um depósito de argila iônica, tipo de mineralização importante para terras raras pesadas. No Amazonas, Seis Lagos tem grande potencial, mas está em área com restrições legais. Na Bahia, projetos no Complexo de Jequié chamam atenção pelos teores de terras raras associados a outros minerais estratégicos. O mapa brasileiro, portanto, é amplo, mas desigual: há regiões com pesquisa, regiões com potencial, regiões com restrições e poucas áreas em produção efetiva.
Terras raras são essenciais para baterias de carros elétricos, turbinas (Imagem: Fellipe Abreu/iStock)
Por que terras raras são mais química do que mineração tradicional
O grande gargalo não está apenas na lavra. Depois de retirar o minério do solo, é preciso separar os elementos, transformá-los em óxidos, purificá-los, converter óxidos em metais, produzir ligas e chegar aos ímãs ou componentes finais. A Agência Internacional de Energia descreve essa cadeia como uma sequência tecnicamente exigente que inclui extração, beneficiamento, separação química, produção de óxidos, refino metálico, formação de ligas e manufatura de ímãs. Cada etapa agrega valor, mas também exige conhecimento técnico, equipamentos especializados e escala industrial.
Para Pimenta, esse é o ponto que diferencia as terras raras de outras atividades minerais mais conhecidas no Brasil. “Trabalhar com tecnologias de terras raras é um pouco diferente da mineração que a gente conhece. É quase um processo mais químico do que mineral. Então essas tecnologias também acabam impactando nesse tempo. Precisa desenvolver, conhecer, etc. Basicamente, o que a gente precisa é desenvolver um processo que seja viável economicamente. Então a gente precisa desenvolver métodos que sejam mais baratos, rápidos e eficientes. Às vezes até procurar novos reagentes ou novos extratores. A China domina isso muito bem, mas a gente ainda precisa fazer esses estudos para desenvolver de uma forma que seja viável economicamente.”
Sidney Ribeiro aponta o mesmo gargalo por outro ângulo. Para ele, o Brasil tem experiência mineral, mas ainda precisa avançar justamente na etapa de separação dos elementos de maior valor. “Exatamente. O processamento do minério o Brasil faz. Agora, a extração das terras raras do minério ainda é o gargalo”, afirma. Em outras palavras: não basta retirar material do subsolo. O valor estratégico aparece quando o país consegue dominar a rota química que transforma minério em óxidos purificados, metais, ligas e, finalmente, ímãs.
Maior controle busca “salvaguardar a segurança nacional” e impedir o uso dos minerais por setores de defesa (Imagem: William Potter/Shutterstock) – Imagem: William Potter/Shutterstock
A China domina a cadeia porque controla mais do que a mina
A liderança chinesa não se resume ao volume extraído. O poder está principalmente no controle das etapas intermediárias e finais da cadeia. Segundo a Agência Internacional de Energia, em 2024 a China respondeu por cerca de 60% da produção minerada global das terras raras usadas em ímãs, 91% da produção refinada e 94% da fabricação de ímãs permanentes. Isso significa que, mesmo quando outros países extraem terras raras, muitos ainda dependem da China para separar, refinar e transformar esses materiais em insumos industriais de alto valor agregado.
Para Ribeiro, é aí que aparece o ponto mais sensível da cadeia. “Aí aparece o problema do século, porque toda a produção, extração e produção, que é uma atividade muito poluidora, se concentra hoje na China.” A avaliação combina dois fatores que explicam a dependência global: a concentração produtiva e o custo ambiental. Durante décadas, muitos países aceitaram que as etapas mais complexas, caras e ambientalmente sensíveis ficassem concentradas fora de seus territórios. A conta agora aparece na forma de vulnerabilidade industrial.
Pimenta também vê essa concentração como o principal risco do mercado. “Esse é o risco do mercado. Esse é o temor de quem quer entrar nesse mercado pela dominância da China em relação ao fornecimento de todas as matérias-primas e produtos finais relativos a isso. Toda vez que tem uma tensão geopolítica, o pessoal da China tende a fazer restrições de comércio. Eles usam isso como forma de retaliação, de controle ou de pressão política. Então essa questão de gerar um player alternativo é importante para o mundo e para a questão da globalização.”
O fim da confiança ingênua nas cadeias globais
Durante décadas, a lógica dominante era simples: se o comércio global funcionasse sem interrupções, não seria necessário reproduzir toda a cadeia produtiva em outros países. Essa visão começou a mudar com a pandemia, com a guerra comercial entre China e Estados Unidos, com conflitos militares e com sucessivos controles de exportação sobre materiais críticos. Em 2025, a China introduziu controles sobre sete terras raras pesadas e produtos relacionados; depois, ampliou o escopo para outros elementos, equipamentos e tecnologias. A IEA afirma que essas restrições causaram dificuldades de fornecimento para fabricantes fora da China e, em alguns casos, obrigaram empresas a reduzir produção ou até interromper temporariamente operações.
Ribeiro resume esse histórico como uma sequência de choques que desembocou na disputa atual. “Houve um caos mundial. A China parou de vender, alguns países retomaram a produção e a extração, inclusive o Brasil, mas isso também não andou, e isso culminou com a situação de hoje, esse problema geopolítico imenso.” A fala traduz o sentimento de urgência que tomou conta de governos e indústrias: a dependência deixou de ser apenas um problema de preço e passou a ser tratada como risco de soberania tecnológica.
Pimenta define essa aposta anterior como uma “crença ingênua” na globalização. “Os países optaram por deixar isso com a China também pela questão ambiental. Mas outra coisa importante foi uma crença muito forte, quase ingênua, na globalização, no livre comércio, nas supply chains. Se acreditava demais que seriam honrados os contratos e as parcerias comerciais. Hoje a gente vê que não é bem assim. E não é só uma questão da China. O Ocidente e o Oriente, quando existe tensão geopolítica, tendem a usar principalmente o comércio como ferramenta de retaliação.”
A dependência brasileira atravessa setores críticos
No caso brasileiro, a vulnerabilidade não está apenas na mineração ou na indústria de ímãs. Ela aparece em cadeias inteiras que dependem de componentes importados: telecomunicações, eletrônicos, automóveis, equipamentos médicos, geração de energia, defesa, automação e infraestrutura digital. Parte importante das terras raras consumidas no país não chega como minério ou óxido, mas embutida em produtos prontos, componentes, motores, sensores e equipamentos industriais. Essa dependência é difícil de medir, justamente porque os elementos estão escondidos dentro de bens manufaturados.
Para Sidney Ribeiro, a consequência é direta: “Se o Brasil parar de comprar terra rara, o país para, simplesmente. São vários setores críticos. Telecomunicações, veículos elétricos, energia eólica, tudo isso depende desses elementos terras raras.” A frase é forte porque desloca o tema do campo mineral para o cotidiano da economia. Terras raras não são apenas um insumo para mineradoras ou laboratórios; elas sustentam parte da infraestrutura que permite ao país se comunicar, produzir energia, mover veículos, operar equipamentos e participar da economia digital.
Chegada de modelos chineses acessíveis pressiona montadoras tradicionais a buscarem rápida adaptação – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Near shore e friendly shore: a nova geografia das terras raras
A disputa por terras raras também mudou o vocabulário da indústria. Dois termos passaram a aparecer com frequência: near shore e friendly shore. O primeiro se refere à tentativa de produzir mais perto dos centros consumidores. O segundo indica a busca por fornecedores considerados aliados ou politicamente alinhados. A lógica é reduzir a dependência de cadeias longas, concentradas e vulneráveis a disputas comerciais. Nesse cenário, países com reservas relevantes, estabilidade institucional e capacidade tecnológica passam a ser observados com atenção por Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia do Sul.
Pimenta vê essa movimentação como uma nova corrida global. “Agora existe uma corrida pelas terras raras. Hoje são dois termos muito usados. O primeiro é o near shore, ou seja, você produzir próximo de onde existe consumo. E no caso dos Estados Unidos existe também o friendly shore, que são fornecedores amigáveis, estrategicamente alinhados. Então a gente acredita que sim, haverá um fomento a outros players para diminuir essa dependência e também regular melhor os preços de mercado. Porque quando existe um único fornecedor, ele controla o valor.”
A própria IEA afirma que a diversificação não depende apenas de abrir novas minas. Segundo a agência, os projetos existentes e anunciados fora da China ainda são insuficientes para atender à demanda futura, especialmente nas etapas de refino e fabricação de ímãs. Pelas projeções da agência, em 2035 a capacidade fora do fornecedor dominante cobriria apenas cerca de metade das necessidades de mineração, um quarto das necessidades de refino e menos de um quinto da demanda por ímãs. O gargalo, portanto, está no conjunto da cadeia produtiva.
Para Pimenta, o objetivo não deve ser apenas exportar recurso mineral, mas ocupar um lugar mais alto na cadeia tecnológica. “Posicionar o Brasil nessa cadeia significa posicionar o país como desenvolvedor de tecnologia, fornecedor de tecnologia. Isso traz um potencial diferente de ser só fornecedor de matéria-prima ou fornecedor de materiais de base. É uma mudança de posicionamento estratégico do país.”
Sidney Ribeiro também avalia que o país tem condições científicas de participar dessa cadeia de forma mais ambiciosa. “O Brasil tem tecnologia, tem possibilidade, tem massa crítica de pesquisadores e gente para trabalhar nessa área e contribuir. Eu acho que dá para fazer, sim.” A fala aponta para um ativo que vai além das reservas minerais: a existência de universidades, centros de pesquisa, pesquisadores e infraestrutura técnica capazes de desenvolver rotas próprias de processamento e aplicação industrial.
Um mercado bilionário em expansão
A oportunidade econômica é grande porque a demanda já existe e tende a crescer. Os ímãs permanentes de terras raras são usados em setores que estão no centro da economia do futuro: mobilidade elétrica, energia renovável, automação, defesa, eletrônica, saúde, robótica, aeroespacial e data centers. A Agência Internacional de Energia afirma que as terras raras se tornaram indispensáveis para tecnologias ligadas à eletrificação, à digitalização e à segurança econômica, mas também destaca que suas cadeias permanecem entre as mais concentradas de todos os minerais críticos.
Pimenta afirma que o mercado já não é uma promessa distante. “O mercado é crescente. São dois pontos específicos. Ele já é um mercado bem estabelecido. Já existe demanda real, neste momento, para os ímãs permanentes de terras raras, para diversas aplicações. E a tendência desse mercado é crescer. A gente está falando hoje de um mercado que tem potencial para chegar até 2030 com 50 bilhões de dólares. Hoje é um mercado na casa dos 13,5 bilhões, alguns autores falam 25 bilhões. Então estabelecer uma cadeia de valor aqui no Brasil traz uma alternativa ao player principal que é a China.”
Ambientalistas e indústria travam batalha sobre o que é melhor para o meio ambiente (Imagem: PARALAXIS/Shutterstock)
A questão ambiental será decisiva para o Brasil
A expansão das terras raras no Brasil também terá de enfrentar um ponto sensível: o impacto ambiental. A extração e o processamento podem envolver uso de reagentes químicos, geração de rejeitos, consumo de água, abertura de cavas, movimentação de solo e riscos associados a elementos radioativos presentes em alguns minerais, como a monazita. Por isso, licenciamento, fiscalização, rastreabilidade e tecnologia de baixo impacto serão decisivos para diferenciar o Brasil de modelos de exploração marcados por passivos ambientais. O SGB observa que as terras raras são consideradas críticas não por serem necessariamente escassas na natureza, mas pela complexidade dos processos envolvidos em sua extração e beneficiamento.
Esse ponto é importante porque a nova corrida global não deve repetir, sem ajustes, a lógica de antigas cadeias minerais. Se o Brasil quiser ocupar espaço em um mercado que se apresenta como base da transição energética, precisará demonstrar que é capaz de produzir com controle ambiental, eficiência tecnológica, segurança jurídica e agregação de valor. Não basta substituir a China no fornecimento de matéria-prima; será necessário construir uma cadeia competitiva, rastreável e ambientalmente defensável.
A escolha estratégica: exportar minério ou vender tecnologia
O ponto central da corrida pelas terras raras é que a riqueza não está apenas no subsolo. Está na capacidade de transformar recurso mineral em tecnologia. Países que dominam separação, refino, metalurgia e fabricação de componentes capturam mais valor, geram empregos mais qualificados e ganham influência sobre cadeias industriais estratégicas. O Brasil tem reservas relevantes, projetos em desenvolvimento, uma mina em produção, centros de pesquisa e uma janela geopolítica favorável. Mas ainda precisa resolver gargalos de escala, licenciamento, infraestrutura, financiamento, tecnologia e coordenação entre governo, empresas, universidades e indústria.
Para Sidney Ribeiro, esse é um dos grandes paradoxos da vida contemporânea. “É o paradigma da sociedade atual. A gente tem essa dependência incrível desses elementos e essa limitação na obtenção deles.” A frase sintetiza a contradição: quanto mais a sociedade avança em eletrificação, digitalização e automação, mais depende de uma cadeia mineral concentrada, complexa e vulnerável.
Imagem: hyotographics/Shutterstock
O que está em jogo para o país
As terras raras colocam o Brasil diante de uma escolha conhecida, mas agora em um setor muito mais estratégico. O país pode repetir o papel histórico de exportador de matérias-primas ou tentar construir uma posição mais sofisticada, entrando na produção de óxidos purificados, metais, ligas, ímãs e componentes industriais. A diferença é que, desta vez, o recurso está ligado diretamente à transição energética, à mobilidade elétrica, à defesa, à indústria digital e à soberania tecnológica.
Como resume André Pimenta, entrar nessa cadeia significa mais do que abrir minas: significa decidir se o Brasil será apenas origem do minério ou também fornecedor da tecnologia que move parte da economia do futuro. E, como reforça Sidney Ribeiro, o país não parte do zero: tem pesquisadores, centros tecnológicos e conhecimento acumulado. O desafio é transformar essa capacidade em escala industrial antes que a nova corrida global pelas terras raras defina, mais uma vez, quem fornece matéria-prima e quem controla a tecnologia.
As principais empresas de semicondutores negociadas nas bolsas dos Estados Unidos registraram fortes perdas nesta sexta-feira (5), em um movimento que eliminou cerca de US$ 1,3 trilhão em valor de mercado do setor. O recuo atingiu gigantes ligadas à inteligência artificial (IA), como Nvidia, Micron Technology e Advanced Micro Devices (AMD), após a repercussão negativa do resultado trimestral divulgado pela Broadcom no início da semana.
A queda também afetou o principal indicador do segmento. O índice PHLX Semiconductor Index (SOX) recuou 10,3% no dia, registrando sua maior perda diária desde março de 2020, período em que a pandemia de coronavírus provocou forte turbulência nos mercados globais.
Resultado da Broadcom amplia pressão sobre o setor de chips
As vendas desta sexta-feira se somaram às perdas observadas na quinta-feira (4). O movimento ganhou força após a Broadcom divulgar um relatório trimestral que mostrou que a demanda por sua divisão de chips personalizados para inteligência artificial ficou abaixo das expectativas elevadas do mercado.
Resultado trimestral da Broadcom abaixo das expectativas para chips de inteligência artificial ajudou a ampliar a pressão sobre as ações do setor – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Nos dois pregões, o índice PHLX acumulou uma queda de 12%. O desempenho sugere um aumento da preocupação dos investidores com as avaliações elevadas das empresas de tecnologia, especialmente em um momento em que Elon Musk se prepara para realizar, na próxima semana, uma oferta pública inicial da SpaceX avaliada em US$ 1,75 trilhão.
Apesar do recuo recente, o índice de semicondutores havia alcançado um recorde histórico na quarta-feira (3) e ainda acumula alta de 73% no ano.
Nvidia, Micron e AMD lideram perdas
A Nvidia, maior fabricante de chips do mundo em valor de mercado, caiu cerca de 6% durante o pregão, reduzindo sua capitalização em mais de US$ 300 bilhões.
A Nvidia perdeu mais de US$ 300 bilhões em valor de mercado durante a forte correção que atingiu o setor de semicondutores nos Estados Unidos – Imagem: Sudarsan Thobias/Shutterstock
Já a Micron Technology registrou uma queda de 13%, eliminando aproximadamente US$ 150 bilhões em valor de mercado. A Marvell Technology, que vinha atraindo atenção de investidores nos últimos meses, perdeu 17%, enquanto a AMD recuou quase 11%.
Dennis Dick, operador proprietário da Triple D Trading, afirmou à Reuters que muitos investidores vinham comprando ações após quedas recentes, estratégia que havia gerado retornos até agora. “Muita gente estava simplesmente comprando na queda sem pensar muito. Essa estratégia de comprar sempre que o mercado caía vinha dando dinheiro, mas isso acabou hoje”, afirmou ele.
Juros e mercado de trabalho também pesam
Além das preocupações específicas com o setor de semicondutores, investidores reagiram a dados de emprego nos Estados Unidos que vieram acima do esperado. O cenário reforçou receios sobre a possibilidade de juros mais altos, aumentando a pressão sobre as ações americanas de forma mais ampla.
O índice S&P 500 caiu 2,6% no dia.
A própria Broadcom, uma das empresas mais beneficiadas pela corrida da inteligência artificial, perdeu 7,9% nesta sexta-feira. Com isso, a companhia acumula uma queda próxima de 20% nos últimos dois pregões.
Para Ohsung Kwon, estrategista-chefe de ações da Wells Fargo, o movimento está relacionado ao forte desempenho anterior do setor. Segundo ele, as ações de semicondutores estavam excessivamente valorizadas, o que ajuda a explicar a correção observada nos mercados. Ainda assim, o executivo afirmou que não acredita que o atual ciclo de alta do setor tenha chegado ao fim.
O mercado financeiro está de olho no IPO da SpaceX, previsto para os próximos dias. A abertura de capital da empresa de Elon Musk tem tudo para se tornar a maior oferta pública de ações da história.
Mas muitos investidores ainda estão em dúvida se o valor da companhia é realmente justo. Neste cenário, o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, divulgou relatórios que podem ajudar na tomada de decisão desses investidores.
Segundo a instituição, a receita da divisão de inteligência artificial da SpaceX crescerá 100 vezes até o ano de 2030. A expectativa é que o faturamento atinja US$ 322 bilhões, cerca de R$ 1,6 trilhão, no período. Para se ter uma ideia, em 2025, essa mesma receita foi de US$ 3,2 bilhões.
O relatório ainda prevê que o faturamento total da empresa alcançará US$ 474 bilhões no fim da década. Para este ano, a previsão é de um salto de 388% no segmento de inteligência artificial. E o avanço não deve parar por aí.
Lembrando que o Goldman Sachs atua como o principal coordenador da oferta pública inicial de ações da SpaceX na bolsa de valores. A empresa busca captar US$ 75 bilhões com o IPO, fixando sua avaliação de mercado em US$ 1,75 trilhão.
O preço por ação foi definido em US$ 135. As negociações oficiais na Nasdaq estão previstas para começar no dia 12 de junho.
A divulgação do documento do banco Goldman Sachs ocorre após analistas da Morningstar afirmarem que a companhia de Elon Musk está “significativamente supervalorizada”. O principal temor é que alguns dos planos futuros da SpaceX não sejam viáveis, o que gera incertezas sobre a lucratividade da empresa a longo prazo.
Novidades da Apple
A Worldwide Developers Conference 2026 da Apple está marcada para entre 8 e 12 de junho – Imagem: Divulgação
Anote aí! Segunda-feira, 8 de junho, às 14h no horário de Brasília.
A Conferência Mundial de Desenvolvedores da Apple (WWDC 2026) está chegando!
A maior expectativa está na Siri. A promessa é de que a assistente fique mais conversacional e capaz de entender contextos. Ou seja, podemos esperar a Siri lidando com tarefas complexas e interagindo de forma mais natural. Lembrando que ela será turbinada pela IA Gemini, do Google.
Além das melhorias nativas do sistema, a Apple planeja introduzir um aplicativo independente para a Siri. O software foi desenhado para bater de frente com plataformas consolidadas no mercado, como ChatGPT, Claude e o próprio app do Gemini.
O novo aplicativo contará com uma interface dedicada que permitirá ao usuário:
Acessar o histórico completo de conversas anteriores;
Fazer o upload de documentos e fotos para análise contextual da IA;
Interagir por meio de comandos de texto complexos.
Os membros do sindicato SAG-AFTRA aprovaram um novo contrato de quatro anos com os grandes estúdios de Hollywood que estabelece regras para o uso de atores gerados por inteligência artificial (IA). O acordo foi ratificado com 91,4% dos votos favoráveis entre os participantes da votação, encerrando meses de negociações sobre temas que incluem IA, remuneração e benefícios previdenciários.
O resultado representa mais um capítulo da disputa entre trabalhadores da indústria do entretenimento e empresas que buscam incorporar ferramentas de IA aos processos de produção. Desde a greve histórica de atores e roteiristas em 2023, o uso da tecnologia se tornou uma das principais preocupações dos sindicatos do setor.
O uso de inteligência artificial se tornou um dos principais temas das negociações entre sindicatos e estúdios da indústria audiovisual – Imagem: Grusho Anna / Shutterstock
O que muda para os atores criados por IA?
Uma das principais novidades do contrato é a criação de regras específicas para os chamados “performers sintéticos”, personagens gerados por inteligência artificial que podem ser utilizados em filmes e séries.
Pelas novas regras, os estúdios só poderão recorrer a esses personagens quando eles oferecerem “valor adicional significativo” em comparação com um ator humano ou com o avatar digital desse profissional. Segundo a direção do SAG-AFTRA, a medida foi desenhada para evitar que a tecnologia seja usada simplesmente como substituta de trabalhadores.
Sean Astin, presidente do sindicato, afirmou anteriormente que o acordo coloca a entidade na vanguarda das discussões sobre IA no mercado de trabalho. Já Duncan Crabtree-Ireland, diretor executivo do SAG-AFTRA, declarou que as novas cláusulas buscam garantir que os personagens sintéticos permaneçam como exceção na indústria, e não se tornem uma prática comum.
Regras ampliam proteções conquistadas após a greve
O novo contrato dá continuidade às proteções obtidas durante a paralisação de 2023. Na época, o sindicato conquistou o direito de exigir consentimento dos atores para o uso de réplicas digitais de suas imagens, além de garantir compensação financeira quando essas versões forem utilizadas.
A greve de atores de 2023 colocou o uso de inteligência artificial entre os principais temas das negociações entre sindicatos e estúdios de Hollywood – Imagem: Leonard Zhukovsky/Shutterstock
Segundo a liderança da entidade, o novo acordo reforça essas salvaguardas e procura dar aos profissionais mais influência sobre a forma como a tecnologia será empregada nos próximos anos.
Além disso, os estúdios deverão informar o sindicato e abrir espaço para negociações caso decidam ampliar o uso de performers sintéticos em suas produções.
Nem todos os atores apoiam o acordo
Apesar da aprovação expressiva, o contrato também enfrenta críticas dentro do próprio sindicato. Parte dos membros argumenta que as restrições impostas aos estúdios ainda são insuficientes diante da velocidade com que as ferramentas de IA evoluem.
Outro ponto de preocupação é a duração do acordo. O contrato terá validade de quatro anos, prazo superior ao padrão de três anos normalmente adotado nas negociações trabalhistas de Hollywood. Críticos afirmam que a tecnologia pode avançar rapidamente nesse período, reduzindo a capacidade de reação dos atores diante de novas aplicações da IA.
Também há questionamentos sobre o fato de que o sindicato não poderá recorrer a uma nova greve relacionada ao tema até o fim da vigência do contrato. Para os opositores, isso pode limitar o poder de negociação dos trabalhadores justamente em um momento de transformação acelerada da indústria audiovisual.
O PUBG MOBILE Global Open (PMGO) Season 1 começa nesta terça-feira (2) reunindo algumas das principais equipes de PUBG MOBILE do mundo. Disputado em Jacarta, na Indonésia, o torneio contará com 32 organizações internacionais e distribuirá uma premiação total de US$ 500 mil.
O Brasil será representado por três equipes: Loops Esports, FURIA Esports e Alpha7 Esports, que entram em busca do título de uma das competições mais importantes do cenário competitivo de PUBG MOBILE.
PMGO reúne 32 equipes em Jacarta
A competição será realizada entre os dias 2 e 7 de junho e começa com a Fase de Grupos. As 32 equipes participantes serão divididas em dois grupos e disputarão seis partidas nesta etapa inicial.
Ao final da fase classificatória, os seis melhores colocados de cada grupo garantem vaga direta na Grande Final. Já as equipes posicionadas entre o 7º e o 14º lugar disputarão uma fase de repescagem em busca das últimas vagas para a decisão.
Loops, FURIA e Alpha7 representam o Brasil
Entre os representantes brasileiros estão três das organizações mais tradicionais do cenário competitivo de PUBG MOBILE.
A Loops Esports, a FURIA Esports e a Alpha7 Esports chegam ao torneio com o objetivo de colocar o Brasil novamente entre os protagonistas da modalidade e disputar a premiação milionária oferecida pela competição.
Formato de match. Imagem: PUBG MOBILE/ Divulgação.
Grande Final acontece no fim de semana
A decisão do PMGO será disputada por 16 equipes e contará com um total de 12 partidas.
As finais acontecerão no sábado (6) e no domingo (7), com início das disputas programado para as 6h10 (horário de Brasília).
Onde assistir ao PMGO 2026
Os fãs poderão acompanhar todas as partidas do PUBG MOBILE Global Open por meio dos canais oficiais de PUBG MOBILE nas plataformas:
YouTube
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Instagram
TikTok
Com algumas das melhores equipes do mundo em ação e três representantes brasileiros na disputa, o PMGO 2026 promete ser um dos maiores eventos de PUBG MOBILE da temporada.
Nesta quinta-feira (04), França e Costa do Marfim se enfrentam em amistoso preparatório para a Copa do Mundo. O jogo acontece a partir das 16h10 (horário de Brasília) e será disputado no Stade de la Beaujoire, em Nantes (FRA).
Onde assistir ao amistoso entre França e Costa do Marfim?
O confronto entre França e Costa do Marfim será transmitido ao vivo pelo streaming Disney+.
Possíveis escalações
França: Maignan; Jules Koundé, William Saliba, Ibrahima Konaté e Theo Hernández; Aurélien Tchouaméni, N’Golo Kanté e Adrien Rabiot; Ousmane Dembélé, Marcus Thuram e Kylian Mbappé.
Técnico: Didier Deschamps.
Costa do Marfim: Yahia Fofana; Wilfried Singo, Ousmane Diomande, Evan Ndicka e Ghislain Konan; Ibrahim Sangaré, Franck Kessié e Seko Fofana; Amad Diallo, Yan Diomande e Simon Adingra.
Técnico: Emerse Faé.
As escalações confirmadas são divulgadas cerca de uma hora antes do jogo.
Como chegam França e Costa do Marfim para o confronto?
A França utiliza o amistoso como parte da preparação para a Copa do Mundo após uma campanha invicta nas Eliminatórias. Sob o comando de Didier Deschamps, os franceses chegam como candidatos ao título e tentam alcançar a terceira final consecutiva do Mundial.
A Costa do Marfim retorna à Copa do Mundo após 12 anos de ausência. Comandada por Emerse Faé, a seleção africana chega em alta, embalada por vitórias recentes em amistosos contra a Escócia e a Coreia do Sul.
Nesta quinta-feira (04), Espanha e Iraque se enfrentam em amistoso preparatório para a Copa do Mundo. A bola rola às 16h (horário de Brasília) no Estádio Riazor, em La Coruña (ESP).
Comandada por Luis de la Fuente, a Espanha chega embalada por uma sequência de oito jogos sem perder e figura entre as favoritas ao título mundial. Para o amistoso, a comissão técnica deve promover mudanças na equipe. Os jovens Lamine Yamal e Nico Williams estão fora por lesão muscular, enquanto Fabián Ruiz ainda é dúvida para a partida.
Do outro lado, o Iraque vive um momento especial ao retornar à Copa do Mundo pela primeira vez desde 1986. Sob o comando de Graham Arnold, a seleção chega embalada por duas vitórias consecutivas e tem mostrado força ofensiva, marcando gols em dez dos últimos 13 jogos disputados.
Recentemente, Andrea Cau e sua equipe de pesquisadores identificaram indícios de estruturas associadas à eliminação de sal em crânios de espinossaurídeos, grupo de dinossauros carnívoros que viveu há milhões de anos. A descoberta, publicada no periódico Historical Biology (leia aqui), pode ampliar a compreensão sobre a relação desses animais com ambientes aquáticos.
A investigação foi conduzida a partir da análise de fósseis de espécies do grupo dos espinossaurídeos. Os sinais encontrados sugerem que alguns desses predadores possuíam mecanismos biológicos capazes de auxiliar no controle do excesso de sal absorvido durante a alimentação e a permanência em áreas alagadas ou costeiras.
Os resultados também oferecem uma possível explicação para uma questão antiga da paleontologia: por que os dinossauros nunca chegaram a dominar os oceanos da mesma forma que outros grupos de vertebrados marinhos?
Para quem tem pressa:
Estruturas encontradas em fósseis podem indicar a presença de glândulas especializadas na eliminação de sal;
A descoberta reforça hipóteses de que alguns espinossaurídeos tinham forte associação com ambientes aquáticos;
Pesquisadores avaliam que limitações fisiológicas podem ter dificultado a ocupação plena dos mares pelos dinossauros.
Evidências preservadas nos ossos
Fósseis demonstram a localização da glândula – (Reprodução: Alessandro Paterna and Mario Falasca (OPHIS)
O estudo concentrou-se em crânios de espinossaurídeos, grupo conhecido por características frequentemente associadas à captura de peixes e ao uso de habitats próximos à água.
Como tecidos moles raramente permanecem preservados ao longo de milhões de anos, os cientistas buscaram marcas ósseas que pudessem indicar a presença de estruturas biológicas desaparecidas.
A equipe examinou depressões e canais presentes nos fósseis e comparou essas formações anatômicas com as observadas em aves marinhas e iguanas-marinhas atuais. O objetivo era verificar se os ossos guardavam evidências compatíveis com glândulas responsáveis pela remoção de sal do organismo.
Os indícios mais relevantes foram encontrados acima da região dos olhos em alguns representantes mais derivados do grupo. Segundo a interpretação dos autores, esse local poderia ter abrigado uma glândula semelhante à observada em aves adaptadas à vida marinha, ligada às narinas por meio de um ducto excretor.
A hipótese ganha importância porque o excesso de sal representa um desafio para animais que obtêm alimento em ambientes aquáticos. Em espécies modernas, estruturas especializadas filtram o sódio da corrente sanguínea e ajudam a evitar problemas fisiológicos decorrentes da alta salinidade.
O que a descoberta revela sobre a biologia dos espinossauros
Espinossauros caçavam tanto em solo quanto na água. Crédito: Herschel Hoffmeyer – Shutterstock
Para os pesquisadores, a possível presença dessas glândulas oferece uma rara oportunidade de reconstruir aspectos fisiológicos de animais extintos. Em paleontologia, inferências costumam estar limitadas a informações relacionadas à locomoção ou à alimentação, já que tecidos e órgãos dificilmente deixam registros diretos.
Em entrevista ao IFLScience, Andrea Cau, autora do estudo e integrante do OPHIS Museum of Palaeontology and Center of Herpetology, destacou a relevância da descoberta. “Nossa descoberta é uma oportunidade rara de conectar aspectos da fisiologia e da ecologia de um dinossauro extinto.“
Conforme explicou a pesquisadora, normalmente os fósseis permitem identificar adaptações ligadas ao movimento ou à dieta, mas oferecem poucas pistas sobre processos biológicos internos. Nesse contexto, as estruturas observadas nos crânios poderiam fornecer informações inéditas sobre a forma como esses animais lidavam com os desafios do ambiente.
Os autores também interpretam a característica como um possível caso de evolução convergente. Esse fenômeno ocorre quando grupos sem parentesco próximo desenvolvem soluções semelhantes para enfrentar pressões ambientais equivalentes.
Uma pista para entender a ausência de dinossauros marinhos
Além de contribuir para o debate sobre o estilo de vida dos espinossaurídeos, a pesquisa levanta uma hipótese mais ampla.
Os cientistas sugerem que limitações anatômicas relacionadas ao desenvolvimento de sistemas eficientes de eliminação de sal podem ter restringido a ocupação de ambientes marinhos pelos dinossauros.
A proposta parte da observação de que a regulação da salinidade é essencial para animais expostos regularmente à água do mar. Caso a maioria dos dinossauros não possuísse estruturas adequadas para essa função, a adaptação a ecossistemas oceânicos teria encontrado obstáculos significativos ao longo da evolução.
Cau também afirmou que, diferentemente do que ocorre em iguanas-marinhas, as supostas glândulas dos espinossaurídeos provavelmente não alteravam de forma perceptível a aparência externa dos animais.
Segundo ela, a configuração sugerida para esses dinossauros seria mais próxima daquela observada nas aves atuais, nas quais essas estruturas permanecem discretas sob os tecidos da cabeça.
Os resultados foram publicados na revista Historical Biology e acrescentam um novo elemento a uma discussão que há anos divide especialistas sobre o grau de adaptação aquática dos espinossaurídeos.
Nesta quarta-feira (03), Holanda e Argélia se enfrentam em jogo válido pela rodada de amistosos anteriores à Copa do Mundo. O confronto acontece a partir das 15h45 (horário de Brasília) e será disputado no Feyenoord Stadium, em Roterdã (NED).
A Holanda chega ao Mundial sonhando com um título inédito após três vice-campeonatos. Comandada por Ronald Koeman, a seleção conta com nomes de peso como Virgil van Dijk, Ryan Gravenberch e Cody Gakpo, trio do Liverpool. Outro destaque é Memphis Depay, camisa 10 do Corinthians.
Do outro lado, a Argélia busca surpreender na Copa do Mundo. Entre os principais nomes da equipe estão o lateral-esquerdo Rayan Aït-Nouri, do Manchester City, e o atacante Riyad Mahrez, que atua no Al-Ahli.
Chegou a hora de definir o grande campeão do futebol nordestino! Nesta terça-feira (02), Fortaleza e Vitória se enfrentam no jogo de ida da final da Copa do Nordeste. A bola rola a partir de 21h (horário de Brasília) na Arena Castelão, em Fortaleza (CE).
Fortaleza e Vitória na final da Copa do Nordeste 2026
O Fortaleza garantiu vaga na final ao derrotar o Sport Club do Recife por 2 a 0 na Ilha do Retiro, revertendo a desvantagem do jogo de ida. Na fase de grupos, o time cearense avançou como vice-líder do Grupo D, com 10 pontos. Sob o comando de Thiago Carpini, o Tricolor aposta na força da torcida para buscar uma boa vantagem e conquistar seu quarto título da competição.
O Vitória chegou à final após superar o ABC com duas vitórias nas semifinais. Líder do Grupo A na primeira fase, o time baiano manteve a regularidade ao longo da competição. Comandado por Jair Ventura, o Leão tenta conquistar um bom resultado fora de casa para decidir o tetracampeonato diante de sua torcida, em Salvador.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Spcine, inaugurou nesta sexta-feira (30 de maio) o projeto Futuro Gamer: Hub Móvel na Quebrada, iniciativa que busca democratizar o acesso à formação em desenvolvimento de jogos digitais e tecnologia para jovens das periferias da capital paulista. O programa contará com cursos gratuitos, oficinas, game jams e atividades práticas realizadas diretamente nos territórios atendidos.
Desenvolvido em parceria com a Salve Games, Geek Hub e Leafbone.co, o projeto utilizará uma estrutura itinerante instalada em um caminhão adaptado que percorrerá diferentes regiões da cidade ao longo dos próximos seis meses. A proposta é ampliar o acesso à capacitação profissional e estimular a formação de novos talentos para a indústria de games, um dos segmentos que mais cresce dentro da economia criativa.
O caminhão-escola fará paradas nos CEUs São Miguel, Perus, Uirapuru, Paraisópolis e Carrão. Equipado com computadores gamers, notebooks, tablets, videogames e estrutura acessível, o espaço oferecerá cursos, workshops, experiências interativas e atividades voltadas ao desenvolvimento de jogos digitais.
Além das formações com inscrição prévia, o projeto também terá programação aberta ao público, incluindo visitas ao hub, acesso a jogos educativos e atividades voltadas à apresentação das oportunidades profissionais existentes na indústria de games. A agenda segue para os seguintes CEU:
A primeira programação acontece no CEU São Miguel entre os dias 1º e 26 de junho. O curso principal, chamado “Crie seu próprio jogo plataforma: do zero ao pulo”, ensinará jovens a desenvolver um jogo autoral completo utilizando ferramentas como Construct 3 e inteligência artificial generativa. Ao final da formação, os participantes apresentarão seus projetos durante uma game jam.
O programa também contará com workshops sobre monetização, criação de mapas em jogos populares, desenvolvimento de audiência e uso dos games para projetos com impacto social.
Spcine destaca protagonismo de novos criadores
Segundo a Spcine, o Futuro Gamer foi criado para estimular a descentralização do acesso à tecnologia e fortalecer a indústria criativa ligada aos jogos digitais.
Em comunicado oficial, a empresa afirma que a iniciativa busca:
“Dar voz a uma nova geração de criadores no mercado de jogos.”
A proposta também pretende aproximar jovens de carreiras ligadas à tecnologia, inovação e economia criativa, utilizando os games como ferramenta de formação, inclusão e transformação social.
Emiliano Zapata, diretor da Spcine, destaca que o acesso à informação e ao desenvolvimento de jogos é o principal objetivo do Futuro Gamer, criando oportunidades nas periferias de São Paulo.
A startup espacial Vast Space, fundada pelo ex-magnata de criptomoedas Jed McCaleb, anunciou, nesta segunda-feira (1), que estabelecerá uma sede europeia em Paris (França) e enviará astronautas franceses em duas missões tripuladas ao espaço.
A empresa está entre várias companhias desenvolvendo sucessores comerciais para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), que tem previsão de saída de órbita até 2030.
Expansão para o mercado europeu
O estabelecimento da sede parisiense marca a primeira expansão internacional significativa da Vast Space, posicionando a empresa no crescente mercado europeu de estações espaciais comerciais.
A escolha de Paris como base europeia reflete uma estratégia de aproximação com o setor espacial francês, reconhecido por sua tradição no desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais.
Representação artística da Haven-1 em órbita com a Dragon acoplada – Imagem: Divulgação/Vast Space
Missões tripuladas programadas
Foram anunciadas duas missões, que incluirão astronautas franceses: o astronauta da Reserva da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) Arnaud Prost e o astronauta da ESA Thomas Pesquet.
A sexta missão privada de astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) e o voo de teste da Haven-1, a primeira missão tripulada à estação espacial comercial Haven-1 da Vast, com lançamento previsto para 2027;
Também é esperado que as missões durem cerca de duas semanas. O transporte será realizado pela SpaceX, que providenciará uma espaçonave Dragon e um foguete Falcon 9, o mais poderoso do mundo;
A iniciativa representa uma parceria estratégica entre a startup estadunidense e o programa espacial francês, expandindo as oportunidades de voos tripulados comerciais para a Europa;
A Vast compete em um setor em expansão, no qual múltiplas empresas privadas desenvolvem estações espaciais comerciais para substituir a ISS após sua aposentadoria programada;
Com o fim da operação da ISS previsto até 2030, o mercado de plataformas orbitais comerciais tornou-se prioridade estratégica para empresas do setor aeroespacial.
“Agradecemos à França, mas também ao CNES, à ESA e à NASA pela parceria e liderança no avanço dos voos espaciais tripulados”, disse Max Haot, CEO da Vast. “Este acordo reforça o compromisso da Vast em lançar e operar a primeira estação espacial comercial do mundo. É uma honra para nós que a França tenha escolhido a Vast para essas missões históricas.”
A Haven-1 está sendo integrada na sede da VAST em Long Beach, Califórnia (EUA), sendo preparada para o lançamento programado para não antes do verão de 2027. Após o lançamento, espera-se que a primeira tripulação da Haven-1 voe para a ISS dentro de algumas semanas.
O Olhar Digital apresenta os lançamentos da semana do Amazon Prime Video. Na semana entre 1º e 7 de junho de 2026, a Amazon terá a chegada de produções à sua plataforma de streaming.
Entre as estreias do Prime Video nesta semana, estão a quarta temporada de A Lenda de Vox Machina e o filme Destruição Final 2.
Para um teste grátis de 30 dias de Prime Video clique aqui.
Lançamentos da Prime Video de 1º a 7 de junho de 2026
A Lenda de Vox Machina — Temporada 4, Episódios 1-3
Série | Original Prime Video | Animação | Ação | Aventura | Comédia | Fantasia | Ano de Produção: 2026 (EUA)
Em uma tentativa desesperada de pagar uma aba de bar gigantesca, um grupo de desajustados acaba embarcando em uma missão para salvar o reino de Exandria de forças mágicas e sombrias.
Na Fazenda com Clarkson — Temporada 5 (Episódios 1-4)
Série | Original Prime Video | Documentário | Comédia | Reality show | Ano de Produção: 2026 (Reino Unido)
Na Fazenda com Clarkson está de volta em meio a cortes do governo que colocam a comunidade agropecuária britânica em polvorosa. Jeremy decide implementar mudanças para melhorar a eficiência da fazenda, mas novidades ainda maiores prometem trazer desafios inesperados.
Sexta-feira – 05/06
Destruição Final 2
Filme | Ação | Aventura | Ficção científica | Suspense | Ano de Produção: 2026 (Reino Unido | EUA)
A família Garrity precisa deixar a segurança do bunker na Groenlândia e embarcar em uma perigosa jornada pela Europa devastada para encontrar um novo lar.
Sábado – 06/06
Five Nights at Freddy’s 2
Filme | Terror | Mistério | Suspense | Ano de Produção: 2025 (EUA | Canadá)
Um ano após os acontecimentos sobrenaturais na Freddy Fazbear’s Pizza, Abby tenta se reconectar com seus amigos animatrônicos, mas acaba descobrindo segredos obscuros sobre as origens do local e despertando um horror escondido há décadas.