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A OpenAI anunciou três descobertas científicas que atribui a seus modelos de inteligência artificial (IA), envolvendo matemática, ciência da computação e física. Entre as alegações estão provas que resolveriam conjecturas matemáticas de longa data, a refutação de uma hipótese importante sobre os limites da computação e um avanço teórico relacionado à física de partículas.
Desta vez, a empresa também apresentou nova estratégia para envolver pesquisadores independentes na análise dos resultados. A proposta surge após críticas à forma como a OpenAI divulgou centenas de trabalhos matemáticos gerados por IA no início de outubro.
Os três casos terão abordagens diferentes. Na matemática, a empresa publicou diretamente o material produzido pelo modelo. Em ciência da computação, disponibilizou a prova e organizou um grupo externo para examiná-la. Já na física, os especialistas responsáveis decidiram preparar o trabalho antes de divulgar os materiais gerados pela IA.
A OpenAI afirma que os resultados ainda precisam ser transformados em conhecimento científico compreensível e verificável. Portanto, as descobertas anunciadas pela empresa não devem ser tratadas como conclusões definitivamente estabelecidas pela comunidade acadêmica.
IA afirma ter resolvido problemas matemáticos de longa data
O resultado matemático envolve a chamada conjectura de suavização local, proposta em 1991 e relacionada ao comportamento de ondas e à concentração de energia ao longo do tempo;
Segundo a OpenAI, seus modelos produziram prova válida em todas as dimensões espaciais a partir de duas. A empresa afirma que o resultado também resolve, em todas as dimensões, a conjectura de Kakeya e a conjectura de restrição de Stein, problemas importantes da análise matemática;
A demonstração utiliza uma equação diferencial parcial auxiliar. A OpenAI disponibilizou tanto o texto da prova produzido pelo modelo quanto uma versão formalizada em Lean, linguagem usada para expressar demonstrações matemáticas de maneira verificável por computador;
A divulgação ocorre poucas semanas depois de a empresa publicar centenas de manuscritos com soluções matemáticas atribuídas à IA. Na ocasião, pesquisadores questionaram se os materiais ofereciam explicações suficientes para que outros cientistas compreendessem, verificassem e desenvolvessem os resultados.
OpenAI afirma ter refutado hipótese importante da computação
A segunda descoberta envolve a Hipótese do Tempo Exponencial, conhecida pela sigla ETH. A conjectura é amplamente utilizada na ciência da computação teórica e sustenta que determinados problemas de satisfatibilidade de fórmulas booleanas não podem ser resolvidos por algoritmos exatos em tempo subexponencial.
A OpenAI afirma que seu sistema encontrou um algoritmo determinístico capaz de contar exatamente as atribuições que satisfazem fórmulas CNF de largura fixa em tempo subexponencial e espaço polinomial. No caso do problema 3-SAT, o resultado contrariaria a ETH.
Se confirmada, a conclusão poderá levar pesquisadores a reexaminar resultados teóricos que dependem dessa hipótese, utilizada em centenas de trabalhos de áreas, como teoria dos grafos, biologia computacional e geometria computacional.
Para examinar a alegação, foi formado um grupo de especialistas liderado por Russell Impagliazzo e Ramamohan Paturi, da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), e Ryan Williams, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Impagliazzo e Paturi participaram da formulação original da hipótese, em 1999.
A prova em linguagem natural e sua formalização em Lean foram disponibilizadas publicamente no GitHub. O grupo também pediu a colaboração da comunidade científica para avaliar o resultado e discutir como descobertas geradas por IA devem ser examinadas.
A participação dos especialistas, porém, não representa confirmação antecipada da descoberta. O próprio grupo defende que uma alegação dessa magnitude exige análise independente e cuidadosa.
OpenAI afirma que os resultados ainda precisam ser transformados em conhecimento científico compreensível e verificável; portanto, as descobertas anunciadas pela empresa não devem ser tratadas como conclusões definitivamente estabelecidas pela comunidade acadêmica – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT
Descoberta na física envolve teorias quânticas de campos
A terceira alegação está relacionada à física teórica. A OpenAI afirma ter produzido uma demonstração matematicamente rigorosa da existência de determinadas teorias quânticas de campos interagentes em quatro dimensões, com campos de calibre e férmions.
O trabalho incluiria a cromodinâmica quântica (QCD, na sigla em inglês), teoria que descreve a interação entre partículas como quarks e glúons por meio da força forte, além de uma extensão unificada do Modelo Padrão da física de partículas.
A empresa também afirma que o resultado inclui demonstração da existência da teoria de Yang-Mills pura, relacionada a um dos problemas do Prêmio do Milênio do Instituto Clay de Matemática.
Diferentemente dos outros dois casos, os materiais produzidos pela IA ainda não foram divulgados. David Gross, vencedor do Nobel de Física de 2004, liderará grupo que inclui Michael Douglas, Arthur Jaffe, Igor Klebanov e Nikita Nekrasov. Os especialistas decidiram preparar a explicação do trabalho antes da publicação dos materiais originais.
A existência de uma demonstração rigorosa para essas teorias seria um avanço importante para a física matemática. Por enquanto, contudo, a afirmação permanece sob análise, sem validação independente apresentada no anúncio.
Nova estratégia tenta responder às críticas dos pesquisadores
A mudança na divulgação dos resultados ocorre em meio a debate sobre o papel da IA na pesquisa científica. Um dos pontos centrais é como permitir que a comunidade examine os resultados sem concentrar o acesso inicial em um grupo escolhido pela própria empresa.
Em 25 de outubro, o Grupo Consultivo sobre Matemática e Inteligência Artificial (AGMAI, na sigla em inglês) recomendou que empresas de IA não adotem a prática de selecionar matemáticos para receber resultados antecipadamente. Entre os problemas apontados estão o acesso desigual, a influência da reputação dos especialistas sobre a credibilidade das alegações e o risco de escolhas enviesadas.
O grupo defende que os resultados sejam disponibilizados de maneira responsável, com informações que permitam a verificação independente e favoreçam o desenvolvimento de uma compreensão científica compartilhada.
A OpenAI reconhece que sua nova estratégia também envolve riscos. A escolha de especialistas para coordenar a análise pode influenciar quem participa primeiro da discussão e criar assimetrias de informação. A empresa afirma que os colaboradores externos poderão compartilhar o trabalho e publicar suas conclusões sem acordos de confidencialidade.
A companhia também diz que não busca crédito acadêmico pelas descobertas produzidas por seus modelos. O reconhecimento, segundo a proposta, deve contemplar os pesquisadores que desenvolverem explicações, verificarem as provas e produzirem materiais que permitam compreender os resultados.
A OpenAI convidou a comunidade científica a discutir critérios para o acesso antecipado, a divulgação de conflitos de interesse, a atribuição de crédito e o apoio a estudantes e pesquisadores diante das mudanças provocadas pela IA.
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Neste domingo (25), Barcelona e Real Madrid se enfrentam em duelo válido pela 10ª rodada daLa Liga 2026/27. A bola rola para a partida às 17h (horário de Brasília) no Camp Nou, em Barcelona, na Espanha. O confronto é conhecido no país como “El Clásico”.
Onde assistir a Barcelona x Real Madrid pela La Liga?
O jogo entre Barcelona x Real Madrid terá transmissão ao vivo na CazéTV (Youtube).
Prováveis escalações:
Barcelona: Joan García; João Cancelo, Pau Cubarsí, Gerard Martín e Xavi Espart; Rodri, Pedri e Fermín López; Lamine Yamal, Raphinha e Anthony Gordon (Adeyemi).
Técnico: Hansi Flick.
Real Madrid: Courtois; Valverde, Konaté, Huijsen e Cucurella; Tchouaméni, Arda Güler e Jude Bellingham; Endrick (Bernardo Silva), Diomande e Mbappé.
Técnico: José Mourinho.
As escalações confirmadas são divulgadas cerca de uma hora antes do jogo.
O Barcelona está invicto no Campeonato Espanhol e lidera a competição com 27 pontos. Já são 39 gols marcados em nove partidas.
O Real Madrid é o terceiro colocado com 21 pontos. A equipe da capital espanhola possui sete vitórias e duas derrotas, contra Real Betis e o rival Atlético de Madrid.
Quem estiver fora do domicílio eleitoral no dia das eleições 2026 e não puder comparecer à votação deverá justificar a ausência. O procedimento pode ser feito no próprio dia da eleição ou posteriormente, dentro dos prazos definidos pela Justiça Eleitoral.
O primeiro turno foi realizado no último dia 4, enquanto o segundo turno está marcado para este domingo (25). A justificativa precisa ser apresentada separadamente para cada turno em que a eleitora ou o eleitor deixar de votar.
Como justificar no dia da eleição
No próprio dia da votação, a ausência pode ser justificada pelo aplicativo e-Título ou por meio do Requerimento de Justificativa Eleitoral (RJE);
No caso do RJE, o formulário deve ser preenchido e entregue nas mesas receptoras de votos ou de justificativas instaladas para essa finalidade. Os locais são divulgados pelos tribunais regionais eleitorais e pelos cartórios eleitorais;
Quem fizer a justificativa no dia da eleição não precisa apresentar documentos que comprovem o motivo da ausência. Para quem optar pelo RJE, porém, também é necessário apresentar um documento oficial de identidade com foto;
A justificativa vale somente para o turno em que o eleitor não compareceu por estar fora do domicílio eleitoral. Assim, se houver ausência nos dois turnos, será necessário apresentar um requerimento para cada um deles.
E se a justificativa não for feita no dia?
Quem não conseguir justificar a ausência no dia da votação terá até 60 dias após cada turno para realizar o procedimento.
Nesse caso, é possível utilizar o aplicativo e-Título, o Autoatendimento Eleitoral – Título Net, os portais da Justiça Eleitoral ou comparecer presencialmente a qualquer cartório eleitoral.
Para as Eleições 2026, os prazos são:
3 de dezembro de 2026: prazo para justificar a ausência no primeiro turno;
8 de janeiro de 2027: prazo para justificar a ausência no segundo turno, marcado para este domingo (25).
Depois da eleição, independentemente do canal utilizado, o requerimento deverá ser acompanhado de documentos que comprovem o motivo da ausência. A documentação será analisada pela autoridade judiciária responsável pela zona eleitoral do título.
Se a justificativa for aceita, o registro será incluído no histórico do título eleitoral. Caso seja recusada, será necessário pagar a multa eleitoral.
Quem não conseguir justificar a ausência no dia da votação terá até 60 dias após cada turno para realizar o procedimento – Imagem: Nelson Antoine/Shutterstock
Segundo o TSE, não há um limite para o número de vezes que uma pessoa pode justificar a ausência às eleições.
Porém, a ausência em três eleições consecutivas, considerando cada turno como uma eleição, sem o pagamento das multas correspondentes ou a apresentação de justificativas, poderá resultar no cancelamento da inscrição eleitoral.
Como funciona para quem está no exterior?
Eleitoras e eleitores que vivem no exterior também podem justificar a ausência pelo e-Título ou nas mesas receptoras de votos instaladas fora do país que funcionem com urna eletrônica.
Inteligência artificial, data centers, soberania digital, terras raras, mudanças climáticas e transição energética estão entre os principais desafios que o próximo presidente do Brasil terá de enfrentar. O Olhar Digital consultou especialistas para analisar as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno das Eleições 2026, para cada um desses eixos estratégicos.
A forma como lidamos com a tecnologia mudou drasticamente. Durante anos, usamos computadores e programas simples apenas para automatizar tarefas do dia a dia. Hoje, o avanço da IA generativa – capaz de criar conteúdos, analisar dados complexos e tomar decisões – exige computadores e centrais de processamento muito mais potentes. Para qualquer país, acompanhar essa evolução virou uma questão de sobrevivência econômica.
O Brasil ocupa uma posição altamente estratégica nesse ecossistema. Já possuímos uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, característica ideal para suprir o altíssimo consumo de energia exigido pelos data centers e supercomputadores, além de contar com um enorme mercado consumidor interno. No entanto, a dependência externa e o avanço desregrado de algoritmos trazem sérios riscos à segurança nacional, à privacidade, ao emprego e à proliferação de desinformação.
Em paralelo, a geopolítica das tecnologias emergentes exige autonomia sobre recursos minerais críticos e terras raras – eixos indispensáveis para a fabricação de hardware, baterias, painéis solares e sistemas de defesa. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses elementos, e o debate central gira em torno de processar esses insumos no país em vez de exportar matéria-prima bruta.
Diante desse cenário, a transição energética – a substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes limpas – torna-se indissociável da pauta tecnológica e ambiental, especialmente em um país vulnerável a eventos climáticos extremos que causam impactos severos à infraestrutura e à economia.
O que Lula e Flávio Bolsonaro planejam para IA, data center, soberania, terras raras, clima e energia – Crédito: Imagem gerada por IA
Quem são os especialistas consultados pelo Olhar Digital
Para analisar as propostas relacionadas à tecnologia e à soberania digital, o Olhar Digital ouviu JB Queiroz Filho, empresário, especialista em transformação digital e CEO da JBQ.Global, consultoria voltada para inovação e tecnologia da informação; Lucas Reis, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD); e Thiago Muniz, especialista em economia digital e estratégia de negócios, além de professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Na área de minerais críticos e terras raras, participaram o geólogo Álvaro Penteado Crósta, autoridade em exploração mineral, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC); e o neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital.
Já a análise das propostas para mudanças climáticas e transição energética contou com Paulo Eduardo Artaxo Netto, físico com doutorado em física atmosférica e professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Vamos agora ao resumo dos planos de cada candidatura:
Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas distintas para inteligência artificial, data centers e soberania digital nas eleições de 2026. – Crédito: Imagem gerada por IA
Resumo das propostas dos candidatos em relação a terras raras. – Imagem gerada por IA
Resumo das propostas dos candidatos em relação aos minerais críticos. – Imagem gerada por IA
Resumo das propostas dos candidatos em relação ao clima. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos candidatos
Resumo das propostas dos candidatos em relação ao setor energético. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos candidatos
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
No plano de governo de Lula, a IA, os data centers, a soberania digital, o uso de minerais críticos e a transição energética são eixos centrais de um projeto de reindustrialização verde (Nova Indústria Brasil) sob coordenação ativa do Estado. A candidatura reafirma o compromisso de garantir que o país desenvolva tecnologia própria, regule o setor para evitar abusos e proteja o trabalho de criadores e profissionais.
Na área de regulação, direitos e governança, a proposta prevê a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica, a regulamentação para remunerar artistas e criadores pelo uso de obras no treinamento de IAs, o combate às fake news associado à regulação de redes e a defesa de regras globais de governança digital.
Para os serviços públicos e a economia, o plano propõe a difusão de inteligência artificial no agronegócio, no Sistema Nacional de Emprego (SINE) e na saúde, com triagem inteligente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em infraestrutura tecnológica e soberania, projeta a atração de data centers e supercomputadores vinculada ao uso obrigatório de energia limpa, eficiência energética e reserva de capacidade computacional para pesquisas nacionais, além da criação do Conselho Nacional pela Soberania Digital, do desenvolvimento de IAs nativas em português e da implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital).
Quanto aos recursos minerais estratégicos, a prioridade é a consolidação da Política Nacional de Minerais Críticos sob gestão estatal, estabelecendo exigências legais para que o beneficiamento e a separação química de terras raras ocorram em solo nacional.
A proposta estabelece exigências legais para que o beneficiamento e o refino químico de terras raras ocorram em solo nacional, evitando a exportação de minério bruto sem valor agregado. Para isso, o projeto estabelece a Região Nordeste como polo de plantas industriais movidas a energia eólica e solar, contando com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investimentos de empresas públicas e cooperação com universidades brasileiras.
No cenário internacional, a candidatura defende alianças geopolíticas diversificadas com países do Sul Global, o bloco dos BRICS (grupo que reúne nações emergentes como China, Índia e Rússia) e também os Estados Unidos, focando na cooperação e na transferência mútua de tecnologia.
Na pauta ambiental e energética, o plano reafirma o compromisso de reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 (em relação a 2005). Propõe a expansão de fontes solar e eólica, modernização de hidrelétricas, fortalecimento de biocombustíveis via RenovaBio e Lei do Combustível do Futuro, além do combate ao desmatamento com o fortalecimento do Ibama e do ICMBio. No âmbito social e de transição, apresenta o programa Luz do Povo, com gratuidade na conta de luz para famílias de baixa renda, ao mesmo tempo em que prevê a manutenção da exploração do Pré-Sal pela Petrobras para garantir a segurança energética transicional.
Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
A proposta de Flávio Bolsonaro fundamenta-se na integração da IA, infraestrutura de dados, exploração mineral e segurança energética à eficiência pública, à produtividade privada e à competitividade do agronegócio, com ênfase na liberdade de inovar, no incentivo a patentes, na desregulamentação e na atração de capital privado.
No atendimento ao cidadão e governança, o candidato propõe a assistente virtual “ClarIA” no programa Brasil por Elas, comandos de voz no Gov.br para indicação de benefícios sociais e aplicativos acessíveis para idosos.
Na saúde e segurança pública, prevê a gestão automatizada de filas no SUS, reconhecimento facial integrado a mais de um milhão de câmeras e uso de IA e drones pelas Forças Armadas.
Na economia, incentiva a adoção de IA em pequenas empresas e defende que os dados pertencem ao indivíduo, reforçando a defesa cibernética e rejeitando categoricamente a moderação estatal de conteúdos nas redes.
Para a infraestrutura e a pauta mineral, o plano projeta transformar o Nordeste em um polo global de data centers sustentáveis equipados com baterias de grande porte. A estratégia combina a oferta de energia eólica e solar ao barateamento da conta de luz via redução de impostos, conectando esses centros de dados à exploração de minerais críticos e terras raras (como lítio, nióbio, fosfato e potássio) para fabricar hardware e fertilizantes no país.
Posicionando o Estado essencialmente como regulador, propõe licenciamento ambiental ágil e abertura ao capital externo, alinhando a diplomacia comercial aos Estados Unidos e Israel para o fornecimento de ímãs e insumos tecnológicos como alternativa à hegemonia chinesa.
Na agenda climática e energética, apresenta o Programa Nacional de Segurança Energética, atrelando a transição à iniciativa privada, à segurança jurídica e ao apoio ao setor produtivo. Incentiva o biogás, biocombustíveis e o mercado de créditos de carbono, focando a preservação no cumprimento do Código Florestal, na regularização fundiária e no combate a eventos climáticos extremos por meio do fortalecimento da Defesa Civil.
Especialistas analisam os planos de governo dos candidatos
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças sobre como o Brasil deve desenvolver sua infraestrutura tecnológica, explorar recursos minerais e conduzir a transição energética.
Nas avaliações dos especialistas, essas escolhas envolvem não apenas a capacidade de atrair investimentos, mas também a distribuição dos benefícios econômicos, o fortalecimento da indústria nacional e a capacidade de implementar as medidas anunciadas.
Inteligência artificial, data centers e soberania digital
Para JB Queiroz Filho, a diferença entre as propostas está na maneira como cada candidato pretende desenvolver o setor tecnológico brasileiro. Ele resume a estratégia de Lula como uma iniciativa que “olha com mais intensidade para a construção do motor e para as regras de voo”, enquanto o projeto de Flávio Bolsonaro “enfatiza a pista que permite acelerar”.
IA, data centers e soberania digital estão em destaque nos planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro. – Crédito: Imagem gerada por IA
A comparação aponta para duas preocupações: desenvolver capacidades tecnológicas nacionais e estabelecer regras para o setor, de um lado, e criar condições para estimular a inovação e atrair investimentos, de outro.
O especialista ressalta que o país precisa combinar essas duas frentes. “O Brasil precisa do motor, da pista e, principalmente, de empresas capazes de voar para o mundo”. Para ele, o desafio não é apenas instalar infraestrutura ou criar regras, mas permitir que empresas brasileiras desenvolvam tecnologia e conquistem espaço nas cadeias globais de valor.
Essa preocupação também aparece na discussão sobre data centers. Queiroz Filho identifica pontos de complementaridade entre os programas: enquanto a proposta de Lula enfatiza a capacidade de transformar os investimentos em conhecimento e desenvolvimento tecnológico no país, a de Flávio prioriza as condições econômicas para atrair capital privado.
O especialista alerta para o risco de o Brasil repetir um modelo conhecido em outras cadeias produtivas: exportar matérias-primas ou oferecer recursos para a produção, mas capturar uma parcela menor do valor gerado nas etapas seguintes. “Na economia digital, não podemos correr o risco de produzir o grão e comprar a cápsula”, diz. Na avaliação dele, o maior benefício ocorre quando a atração de investimentos se conecta ao desenvolvimento de fornecedores, empresas e competências tecnológicas nacionais.
Thiago Muniz também chama a atenção para a relação entre regulação e inovação. Para ele, “regular” e “não criar barreiras à inovação” não são necessariamente objetivos incompatíveis. A questão central é definir quanto o Estado deve intervir, em quais situações e em que momento. No caso dos data centers, isso significa avaliar tanto as possíveis contrapartidas exigidas dos investidores quanto os efeitos de medidas destinadas a reduzir custos e facilitar a instalação dos empreendimentos.
Segundo ele, exigir contrapartidas pode ampliar os benefícios dos investimentos para o mercado interno, mas essas exigências também precisam ser consideradas na estrutura de custos dos projetos. Da mesma forma, incentivos econômicos podem tornar o país mais atraente para investidores, mas não garantem, por si só, que o conhecimento, os fornecedores e a capacidade tecnológica permaneçam no Brasil. Esse resultado depende de como os empreendimentos se relacionam com a economia local.
Lucas Reis identifica semelhanças entre a proposta de Flávio Bolsonaro e a postura mais liberal do governo dos Estados Unidos, enquanto a de Lula se aproxima do modelo europeu, que dá mais ênfase à regulação das plataformas digitais e à proteção de direitos.
Segundo o pesquisador, porém, colocar essas propostas em prática não é simples. A fiscalização dos algoritmos, por exemplo, esbarra na dificuldade de acompanhar sistemas que mudam constantemente e cujo funcionamento nem sempre é totalmente compreendido. Já a ausência de regras também pode trazer riscos à segurança.
Reis aponta dificuldades para fiscalizar os algoritmos das grandes plataformas, que mudam constantemente. “As próprias máquinas vão se atualizando e é difícil até internamente as empresas entenderem exatamente o que está ali dentro. É mais difícil ainda um centro externo fazer esse acompanhamento”.
O pesquisador observa que até empresas de tecnologia dos Estados Unidos, onde a abordagem é mais liberal, reconhecem a necessidade de regras. “Hoje em dia, nos Estados Unidos, as próprias plataformas têm pedido algum grau de regulamentação para tentar mitigar riscos de segurança”, afirma. Para Reis, isso mostra que mesmo modelos que priorizam a liberdade das empresas podem precisar de algum nível de controle.
Para Álvaro Crósta, as terras raras e os minerais críticos são estratégicos não apenas pelo valor das reservas brasileiras, mas pelo potencial de impulsionar a reindustrialização do país. O desafio, na avaliação do geólogo, é fazer com que a exploração desses recursos gere benefícios para a economia nacional, em vez de se limitar ao fornecimento de matéria-prima para indústrias estrangeiras.
Diferenças entre minerais críticos e terras raras. – Crédito: Imagem gerada por IA
Álvaro Machado Dias chama a atenção para um obstáculo específico: dominar as etapas de processamento desses materiais. “O problema das terras raras não é nem geológico, nem de dinheiro, mas químico. O Brasil tem total capacidade de desenvolvimento técnico para esse tipo de coisa”, afirma. Ou seja, ter grandes reservas e recursos financeiros não basta: é preciso desenvolver conhecimento e capacidade industrial para transformar os minerais em insumos utilizados na fabricação de produtos de alta tecnologia.
É nesse ponto que os caminhos propostos pelos candidatos apresentam uma diferença importante. Para Machado Dias, a divergência está no grau de exigência para que o processamento seja feito no Brasil. A questão vai além de atrair empresas e investimentos: envolve definir quanto da cadeia produtiva será desenvolvido no país e quanto do valor gerado permanecerá na economia brasileira.
Crósta também identifica diferenças na distribuição de responsabilidades entre o Estado e a iniciativa privada. Na avaliação dele, o modelo de Lula atribui ao poder público um papel mais ativo na condução do desenvolvimento industrial, enquanto a proposta de Flávio Bolsonaro abre mais espaço para o setor privado. Essa escolha influencia não apenas a forma de financiar os projetos, mas também quem terá maior participação nos ganhos econômicos gerados pela exploração mineral.
A disputa também tem uma dimensão geopolítica. Machado Dias resume a orientação da proposta de Flávio como uma tentativa de “colocar o Brasil dentro do bloco americano como a mina confiável”. A avaliação chama a atenção para o risco de o país ocupar uma posição de fornecedor de recursos estratégicos para outras potências, sem necessariamente dominar as etapas industriais mais complexas.
O ponto central, portanto, não é apenas quanto o Brasil conseguirá extrair ou exportar, mas se conseguirá transformar sua riqueza mineral em capacidade tecnológica e industrial. Em um mercado marcado pela disputa internacional por matérias-primas essenciais, essa diferença pode determinar o alcance dos benefícios econômicos obtidos pelo país.
Para Artaxo, o Brasil tem condições de avançar no enfrentamento das mudanças climáticas, mas precisa transformar compromissos ambientais em ações concretas. O pesquisador reconhece os resultados obtidos no combate ao desmatamento durante o governo Lula, mas ressalta que a transição energética ainda está em estágio inicial.
Os candidatos à Presidência apresentam diferentes propostas para o setor energético e o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas no Brasil – Crédito: Imagem gerada por IA
“Tivemos uma redução do desmatamento da Amazônia em 51%, que é um valor extremamente elevado. Nenhum outro país reduziu as suas emissões com a magnitude que o Brasil reduziu”, revela o especialista.
Apesar desse resultado, ele considera necessário ampliar os esforços para mudar a matriz energética do país e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. “Agora, nós temos que avançar na questão, por exemplo, da implementação da transição energética, que ainda está realmente engatinhando no Brasil, infelizmente, e é fundamental que, se reeleito, Lula efetivamente implemente políticas que façam da transição energética um ponto central da questão climática como um todo”.
Artaxo também chama a atenção para os obstáculos políticos à implementação dessas medidas. Na visão dele, a composição do Congresso pode dificultar o avanço de políticas ambientais. “Se vencer, Lula vai ter que enfrentar um congresso dominado pela extrema direita que sempre se opôs a cláusulas como combate ao crime organizado na Amazônia e à grilagem de terras na Amazônia e assim por diante”.
Em relação à proposta de Flávio Bolsonaro, o físico questiona se as medidas apresentadas são suficientes para enfrentar a crise climática. Ele critica a prioridade dada à exploração de recursos naturais e alerta para o risco de a agenda ambiental ficar subordinada a interesses econômicos. “Governos de extrema direita, como o possível governo de Flávio Bolsonaro, são conhecidos por não tratar adequadamente a questão das mudanças climáticas, inclusive com uma postura negacionista de negar que elas existem e de, essencialmente, priorizar a exploração o máximo possível dos recursos naturais sem efetivamente cuidar dos interesses da população como um todo”.
Artaxo ressalta que os resultados da política ambiental dependem da implementação das medidas propostas e das condições políticas para executá-las. Ele também alerta para as diferenças entre as abordagens dos candidatos, especialmente quanto à prioridade atribuída à proteção ambiental e à exploração dos recursos naturais.
O segundo turno das eleições, neste domingo (25), definirá qual projeto político estará à frente dessas decisões e quais caminhos o país adotará para lidar com desafios que vão da autonomia tecnológica ao uso de seus recursos naturais e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Lembrando que as escolhas do próximo governo terão consequências para o desenvolvimento econômico, a posição do Brasil no cenário internacional e a capacidade de responder a esses desafios nos próximos anos.
A semana foi marcada por decisões e discussões que podem influenciar o futuro da tecnologia no Brasil e no mundo. Às vésperas do segundo turno das eleições, o Olhar Digital analisou as propostas dos candidatos para áreas estratégicas, enquanto novas notícias movimentaram os setores de inteligência artificial, segurança digital e exploração espacial.
Eleições 2026: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para o futuro do Brasil
Inteligência artificial, data centers, soberania digital, clima, energia e minerais críticos estão entre os temas que podem influenciar os rumos tecnológicos e econômicos do país. Para comparar as propostas dos candidatos à Presidência, o Olhar Digital preparou reportagens especiais sobre os planos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
As análises abordam as estratégias para desenvolver a infraestrutura tecnológica nacional, enfrentar os desafios climáticos e energéticos e explorar recursos minerais importantes para a indústria. Juntas, as reportagens ajudam a entender as diferenças entre as propostas e os desafios para colocá-las em prática.
A exploração lunar continuou entre os assuntos de destaque, com novidades sobre o cronograma do programa Artemis. Os planos da NASA envolvem testes e etapas preparatórias para levar astronautas novamente à superfície lunar, em meio à disputa internacional por avanços na exploração espacial.
Duas vulnerabilidades graves na linguagem PHP colocaram sistemas públicos em risco e provocaram a retirada temporária de serviços do ar no Brasil. O caso reforçou a importância de corrigir falhas de segurança e manter sistemas e servidores atualizados.
Segurança da inteligência artificial volta ao centro do debate
Novos episódios envolvendo sistemas de inteligência artificial reacenderam a discussão sobre os limites de autonomia dos agentes e a eficácia dos mecanismos de segurança desenvolvidos para controlá-los. O tema também levanta dúvidas sobre a responsabilidade das empresas à medida que seus modelos ganham novas capacidades.
Elon Musk considera possível fusão entre Tesla e SpaceX
Uma possível fusão entre a Tesla e a SpaceX também chamou atenção. A combinação aproximaria os negócios de veículos elétricos e energia dos projetos espaciais de Elon Musk, embora a operação ainda dependa de decisões e negociações.
Calor extremo e conectividade via satélite também estiveram em pauta
A semana trouxe ainda notícias sobre eventos climáticos extremos e a expansão da conectividade via satélite, com a chegada da SpaceSail ao Brasil. Os assuntos mostram como mudanças ambientais e novas infraestruturas tecnológicas seguem influenciando a economia e o cotidiano.
Proteção de menores nas redes sociais segue em discussão
As medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital continuaram em pauta. O debate envolve a responsabilidade das plataformas, a exposição a conteúdos nocivos e os desafios de conciliar segurança, privacidade e acesso aos serviços digitais.
Neste sábado, 24 de outubro, Arsenal e Everton se enfrentam em partida válida pela oitava rodada do Campeonato Inglês, a Premier League. O jogo acontece a partir das 11h00 (horário de Brasília) e será disputado no Estádio Emirates, em Londres.
Onde assistir Arsenal e Everton pela Premier League?
O confronto entre Arsenal e Everton pelo Campeonato Inglês será transmitido ao vivo na TV fechada pela ESPN e no streaming pelo Disney+.
Possíveis escalações e arbitragem
Arsenal: Raya; Ben White, Ezri Konsa, Gabriel Magalhães e Calafiori; Bruno Guimarães e Declan Rice; Madueke, Ødegaard e Eze; Kai Havertz.
Técnico: Mikel Arteta.
Everton: Jordan Pickford; Jake O’Brien, James Tarkowski, Jarrad Branthwaite e Vitaliy Mykolenko; James Garner e Harrison Armstrong; Merlin Röhl, Kiernan Dewsbury-Hall e Jack Grealish; Thierno Barry.
Técnico: Davide Moyes.
Arbitragem:
Árbitro: Tony Harrington.
Assistentes: Adrian Holmes e Lee Betts.
VAR: Stuart Attwell.
As escalações confirmadas são divulgadas cerca de uma hora antes do jogo.
Com 18 pontos em sete rodadas, o Arsenal ocupa a vice-liderança da Premier League, três atrás do Manchester City. Os Gunners chegam embalados por duas vitórias consecutivas, a mais recente por 1 a 0 sobre o Nottingham Forest, fora de casa, e buscam manter a perseguição ao líder.
Na oitava colocação, com dez pontos, o Everton tenta reencontrar o caminho das vitórias após dois tropeços consecutivos na Premier League. A equipe busca somar pontos diante do vice-líder para se recuperar na tabela e voltar a brigar pelas primeiras posições.
Duas falhas graves de segurança no PHP levaram a Anatel e tribunais brasileiros a suspender temporariamente o acesso a sistemas, incluindo o Sistema Eletrônico de Informações (SEI). As vulnerabilidades podem permitir que invasores controlem servidores sem precisar de login ou senha.
O governo federal alertou os órgãos públicos para que atualizem o software. As falhas foram identificadas com ajuda de inteligência artificial (IA), e já existe uma correção disponível.
Calor extremo matou mais de 50 mil pessoas em cidades europeias no verão de 2026
As ondas de calor que atingiram a Europa no verão de 2026 podem ter causado 50.391 mortes em áreas urbanas do continente, segundo estimativas científicas revisadas por pares. Desse total, aproximadamente 32.619 óbitos — cerca de dois terços — são atribuídos ao aquecimento provocado pela atividade humana, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
Meta: parlamentares dos EUA cobram Zuckerberg por atuação nas eleições do Brasil
Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre denúncias de tratamento desigual às campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa durante as eleições brasileiras de 2026.
Trump intervém após Musk limitar Starlink na Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligou para Elon Musk na quarta-feira (21) e pediu que o empresário suspendesse as restrições impostas a uma versão militar do sistema de internet via satélite Starlink utilizada pela Ucrânia. Segundo autoridades estadunidenses e ucranianas ouvidas pelo The Wall Street Journal, o serviço começou a funcionar de maneira mais regular na quinta-feira (22), pouco depois da conversa.
OpenAI negocia rodada de R$ 162 bilhões com investidores dos Emirados Árabes
A OpenAI está perto de concluir nova rodada de financiamento de até US$ 30 bilhões (cerca de R$ 162 bilhões), com participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos e da gestora de investimentos Coatue. A operação pode avaliar a criadora do ChatGPT em US$ 1,25 trilhão (aproximadamente R$ 6,75 trilhões), antes da entrada dos novos recursos, segundo informações publicadas pela CNBC nesta quinta-feira (22).
China pode barrar a fusão entre a Tesla e a SpaceX
A possível fusão entre Tesla e SpaceX, duas empresas de Elon Musk, enfrenta impasses sobre o valor do negócio, o controle da companhia combinada e as exigências regulatórias de Estados Unidos e China. Embora a união possa facilitar investimentos em inteligência artificial, a operação ainda depende de negociações e da aprovação dos acionistas.
Nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação contra o sarampo
O Brasil tenta manter o sarampo sob controle, mas nenhum estado alcançou a meta de vacinar 95% das crianças menores de 2 anos. Enquanto isso, surtos nas Américas aumentam o risco de novos casos importados.
SpaceSail: rival chinesa da Starlink avança no mercado brasileiro
A SpaceSail avançou nos preparativos para oferecer internet via satélite no Brasil. A Anatel homologou um terminal residencial da empresa chinesa, que pretende disputar espaço com a Starlink. O equipamento promete velocidades de até 400 Mb/s, mas a data de lançamento e os preços ainda não foram divulgados.
Muitas vezes confundidos, mineraiscríticos e terras raras constituem duas categorias distintas e altamente estratégicas para a indústria, a tecnologia e a economia brasileira. Especialista consultado pelo Olhar Digital analisou as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que concorrem no segundo turno, para a exploração e o aproveitamento desses recursos no país.
As terras raras formam um grupo fixo de 17 elementos químicos essenciais para ímãs de motores elétricos e equipamentos para a indústria de defesa. Já os minerais críticos são insumos vitais com alto risco de desabastecimento global, como lítio, níquel, cobre e potássio. Em resumo: todas as terras raras são minerais críticos, mas nem todos os minerais críticos são terras raras.
Diferenças entre minerais críticos e terras raras. – Crédito: Imagem gerada por IA
O Brasil possui uma posição geopolítica privilegiada por deter a segunda maior reserva mundial de terras raras, além de grandes jazidas de minerais essenciais. Essa riqueza impacta diretamente a fabricação de baterias, semicondutores, painéis solares e insumos para inteligência artificial, além da produção de fertilizantes para o agronegócio.
O grande debate político concentra-se na capacidade de processar, refinar e industrializar esses insumos no país. Historicamente limitado à exportação de matéria-prima bruta ou de pouco valor agregado, o Brasil enfrenta a oportunidade de integrar etapas complexas das cadeias de valor, tornando a regulação do setor um tema central de soberania econômica.
Minerais críticos e terras raras: propostas dos presidenciáveis nas Eleições 2026
A seguir, apresentamos as propostas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno nas Eleições de 2026.
Os planos foram analisados pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, autoridade em exploração mineral, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e pelo neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital.
Vamos começar com um resumo:
Do subsolo à indústria, veja como os candidatos pretendem transformar os minerais críticos em vantagem estratégica para o Brasil. – Imagem gerada por IA
Infográfico resume as propostas dos candidatos à Presidência para o desenvolvimento da cadeia de terras raras no Brasil. – Imagem gerada por IA
Segundo Machado Dias, o ponto de partida legal já está resolvido com a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos no Congresso em 2 de setembro e sancionada duas semanas depois pelo presidente Lula. Ele destaca que a divergência real entre as campanhas está em definir o nível de exigência para transformar o minério dentro do país. “A lei está dada e os dois candidatos dizem a mesma coisa, que o Brasil não vai continuar sendo só exportador de matéria-prima. A disputa real não é sobre lei novamente, mas sobre qual é o grau de exigência nesse processamento”.
O candidato prioriza a consolidação e ampliação da Política Nacional de Minerais Críticos para estruturar a cadeia produtiva sob coordenação do Estado. A diretriz central é combater a exportação de minério bruto sem processamento, estabelecendo exigências para que o beneficiamento e o refino ocorram em solo nacional.
Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
A pauta mineral integra a política de reindustrialização verde, apontando o Nordeste como polo de plantas industriais movidas a energia eólica e solar. Lula defende usar o poder de compra do Estado e conceder financiamentos condicionados à transferência de tecnologia e produção de componentes no país.
A proposta define mecanismos pautados no financiamento público via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), indução de pesquisa e desenvolvimento por empresas públicas e articulação com universidades e instituições de pesquisa.
“A proposta de Lula atribui ao governo papel central na organização e coordenação da política industrial e da definição de prioridades para as cadeias produtivas completas desses minerais; define mecanismos e incentivos com financiamento público via BNDES, forte indução de pesquisa e desenvolvimento no país por meio de empresas públicas, pesquisa geológica estatal e forte participação de universidades e institutos de pesquisa brasileiros”, explica Crósta.
Ele complementa que, “no programa de Lula, os minerais críticos, incluindo as terras raras, são parte dos focos estratégicos no contexto mais amplo da neoindustrialização do Brasil (Nova Indústria Brasil – NIB), defendendo parcerias comerciais e tecnológicas com países integrantes do Sul Global e com países membros do bloco dos BRICS, com transferências mútuas de tecnologia.”
Machado Dias concorda com essa avaliação sobre o elevado nível de exigência do plano governista, destacando que a intenção do PT é alcançar o refino pleno do minério e diversificar parcerias geopolíticas globais.
“A visão do governo do PT é de uma régua mais alta, apontando para a separação química das terras raras no Brasil. Do ponto de vista dos pontos de contato com o mercado, existe uma busca de parcerias com a Índia, a China e os Estados Unidos”, explica o neurocientista, ressaltando ainda que o Brasil possui plena capacidade científica de superar o gargalo químico da separação de elementos e industrializar esse setor internamente.
“O problema das terras raras não é nem geológico, nem de dinheiro, mas químico. O Brasil tem total capacidade de desenvolvimento técnico para esse tipo de coisa, pois essa classe média da ciência brasileira é de excelente qualidade”, destaca Machado Dias.
A proposta busca integrar a exploração mineral à oferta de energia limpa para atrair indústrias tecnológicas e data centers. O plano estabelece o Estado prioritariamente como regulador, rejeitando a atuação governamental direta como ente produtor. A estratégia foca na desburocratização, agilidade no licenciamento e atração de investimento privado.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
Na diplomacia comercial, Flávio Bolsonaro defende uma “inserção internacional soberana e pragmática, pautada nos interesses nacionais” para parcerias e cooperação tecnológica. Crósta, porém, contesta a neutralidade dessa promessa. “Na verdade, há restrições e preferências ideológicas no plano do Flávio em favor dos EUA, ainda que implícitas no texto”.
O plano também propõe utilizar as reservas de fosfato e potássio para expandir a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência do agronegócio.
Crósta resume que a proposta de Flávio Bolsonaro prioriza as empresas privadas, deixando o Estado como regulador e indutor para conectar as reservas à oferta de energia limpa e verticalizar a produção. Nela, os minerais estratégicos são atrelados a usos específicos, como data centers, semicondutores e baterias, destacando a atração de capital e tecnologia estrangeiros.
“Neste caso, parece haver uma forte influência dos interesses das chamadas ‘big techs’, em sua maioria baseadas nos Estados Unidos, sugerindo forte interação com o governo daquele país, ou mesmo subordinação a ele”, reforça o especialista. “Flávio defende o alinhamento com Estados Unidos e Israel na questão dessas commodities minerais, indicando que las reservas brasileiras desses minerais, principalmente no caso das terras raras, das quais o Brasil possui o segundo maior potencial mundial, seriam a solução para quebrar a dependência daqueles países em relação à China, país que possui as maiores reservas e que domina todo o ciclo de aproveitamento desses minerais”.
Machado Dias endossa a leitura de Crósta ao ressaltar a aproximação da candidatura com os interesses dos EUA, destacando que a prioridade da oposição é fechar acordos de forma mais célere. “O programa do PL fala mais em licenciamento ágil e capital estrangeiro sem ressalva, com a régua não precisando ser tão alta. O caminho do Flávio é o de colocar o Brasil dentro do bloco americano como a mina confiável”, observa.
Ele destaca a urgência dos EUA em obter ímãs de terras raras para motores, robótica e tecnologias militares, e faz um alerta sobre os riscos geopolíticos de um alinhamento exclusivo que ignore a capacidade industrial chinesa. “A China tem uma capacidade de alimentação energética de suas fábricas que é incomparável, pois foi a grande fábrica do mundo nas últimas décadas. Essa troca pode, em poucos anos, ter um custo muito grande para o Brasil”, adverte.
Na avaliação de Crósta, a principal diferença entre os dois modelos está em quem fica com os ganhos econômicos e quem arca com os custos da exploração. “Se na proposta de Lula parte dos eventuais benefícios, impostos e lucros na exploração desses importantes recursos minerais se reverteriam para o Estado, e, portanto, para o país, na de Flávio Bolsonaro o Estado desembolsaria recursos em atividades de fomento e arrecadaria impostos, ficando a maior parte do lucro e benefícios com a iniciativa privada, principalmente a de natureza multinacional.”
A escolha entre o projeto de Lula, centrado no controle estatal e na industrialização local, e o de Flávio Bolsonaro, focado na atração de capital privado estrangeiro, definirá o futuro das terras raras do Brasil. Essa decisão será tomada pelos eleitores no segundo turno da eleição para Presidente do Brasil, neste domingo (25).