NASA destaca sucesso recente e projeta Artemis 3 como próximo passo da exploração lunar

Na noite desta sexta-feira (10), chegou ao fim uma das maiores missões espaciais da humanidade. A Artemis 2 levou quatro astronautas à Lua para um sobrevoo que propiciou belíssimas imagens e descobertas incríveis.

Por volta das 21h07 (horário de Brasília), a equipe chegou à Terra e amerissou no Oceano Pacífico, onde foi resgatada pela NASA e pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos.

Após o resgate, a agência espacial realizou uma coletiva de imprensa, da qual participaram Amit Kshatriya, administrador associado da NASA; Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missão de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração; Rick Henfling, diretor de voo de entrada da Artemis 2; Howard Hu, gerente do Programa Orion; e Shawn Quinn, gerente do Programa de Sistemas Terrestres de Exploração.

Artemis 2: uma experiência inesquecível

A NASA reforçou que os preparativos para a missão Artemis 3 já estão em andamento e que a próxima etapa do programa espacial deve acontecer em breve.

Durante a missão recente, a espaçonave Integrity, com quatro astronautas a bordo, percorreu 1.126.922,21 quilômetros, atingiu velocidade máxima de 39.692,86 km/h e alcançou o ângulo de trajetória de voo com precisão de 0,4%. A reentrada foi realizada em um raio de 3149,486 quilômetros, com pouso a menos de dois quilômetros do alvo previsto.

O desempenho técnico foi destacado por Kshatriya, que ressaltou a precisão obtida pela equipe mesmo após uma longa viagem até a Lua. “Ontem [quinta-feira], o diretor de voo Jeff Radigan disse que tínhamos menos de um grau de ângulo para atingir o alvo depois de percorrermos 400 mil quilômetros até a Lua”, afirmou. “E a equipe deles conseguiu. Isso não é sorte; é o resultado de mil pessoas fazendo seu trabalho.”

Ainda durante a coletiva, Kshatriya afirmou que o anúncio da tripulação da Artemis 3 ocorrerá em breve. “Não vou atribuir unidades a esse valor, mas em breve o farei”, disse.

A missão Artemis 3 está planejada para meados de 2027 e terá como objetivo realizar demonstrações tecnológicas em órbita baixa da Terra com módulos de pouso lunar desenvolvidos comercialmente. Esses equipamentos, que estão sendo construídos por empresas, como SpaceX e Blue Origin, deverão se acoplar à espaçonave Orion, etapa fundamental para futuras missões tripuladas à superfície lunar.

Segundo Henfling, o cronograma apertado exige que as equipes iniciem os preparativos operacionais em breve. Ele destacou que as lições aprendidas em missões recentes serão essenciais para o sucesso das próximas etapas.

“Quando chegar a hora certa, voltaremos ao treinamento específico de voo”, disse. “Temos um grupo central de cerca de 30 diretores de voo e todos eles são extremamente capazes. E, sabe, acho que qualquer um que for designado para a próxima missão terá sucesso.”

Já Hu ressaltou o caráter histórico do momento. “Vamos aprender com esta missão. Vamos estudar os dados e seguiremos em frente. Este é o início de uma nova era da exploração espacial humana.”

Durante a coletiva, a agência também enfatizou que seus objetivos atuais diferem daqueles do programa Apollo. De acordo com Kshatriya, a corrida espacial da época tinha metas geopolíticas e tecnológicas específicas.

“Devido à natureza do ambiente em que se encontravam, estavam numa corrida”, afirmou. “Eles alcançaram seus objetivos, tanto geopolíticos quanto tecnológicos. Mas, uma vez concluído, estava concluído.”

Após o fim do programa Apollo, a NASA direcionou seus esforços para o desenvolvimento do ônibus espacial e para a criação de uma estrutura que permitisse a permanência prolongada de astronautas em órbita baixa da Terra, o que levou à construção da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Agora, o foco da agência é estabelecer uma presença de longo prazo na Lua.

“É uma estranha ironia da história que, sabe, tenha levado tanto tempo para fazermos isso, mas não ficamos parados enquanto acontecia”, disse Kshatriya. “Agora vamos aproveitar isso, agora que conseguimos chegar à Lua novamente.”

A importância da missão também foi destacada por Glaze, que ressaltou o impacto para gerações que cresceram após o programa Apollo. “A Apollo foi uma época em que eu era criança. E estar aqui agora e dizer: ‘Nós realmente fizemos isso, voltamos e vamos construir uma base lunar, vamos ter uma presença permanente na Lua’ — é simplesmente incrível”, afirmou.

A última vez que humanos pisaram na Lua foi em 1972, durante a missão Apollo 17. O primeiro pouso ocorreu em 1969, com a Apollo 11.

Além dos avanços técnicos, a missão também teve um tom inspirador. Hu incentivou jovens a seguirem suas paixões e considerarem carreiras no setor espacial.

“Sigam seus sonhos”, disse. “Digo aos meus filhos para também seguirem aquilo que os apaixona. E a minha paixão é o programa espacial. A minha paixão é a NASA e hoje consegui realizar isso. Espero que muitas outras vezes no futuro. Mas vocês têm a oportunidade de fazer o que amam e espero que essas crianças que são apaixonadas por voos espaciais tripulados, apaixonadas por ir às estrelas, se inspirem em nós, especialmente nas nossas equipes. Venham para a NASA, venham trabalhar conosco, temos muitas missões pela frente.”

Leia mais:

Amit Kshatriya, Lori Glaze, Rick Henfling, Howard Hu e Shawn Quinn
Amit Kshatriya, Lori Glaze, Rick Henfling, Howard Hu e Shawn Quinn participaram da coletiva – Imagem: Reprodução/YouTube/NASA

Linha do tempo: o que aconteceu dia a dia na missão Artemis 2

Dia 1 (1º de abril): o retorno ao espaço profundo

Dia 2 (2 de abril): o “chute” rumo à Lua

Dia 3 (3 de abril): chegando cada vez mais perto

  • A equipe testou vários equipamentos de primeiros socorros, como termômetro, monitor de pressão arterial, estetoscópio e otoscópio;
  • Realizaram testes no sistema de comunicações de emergência da Orion com a Rede de Espaço Profundo da NASA;
  • Também puderam conversar com a imprensa e familiares, destacando suas primeiras impressões sobre o espaço e a Terra vista de longe;
  • Com a realização da TLI um dia antes, a Orion entrou na chamada magnetocauda, extensão do campo magnético do planeta, semelhante a um cometa, que se estende por milhões de quilômetros, formada pelo vento solar que comprime e alonga o campo magnético.

Dia 4 (4 de abril): a pilotagem manual da Orion

  • No quarto dia de missão, cada membro da tripulação teve uma hora dedicada à revisão dos alvos geográficos que deverão fotografar no sexto dia de voo;
  • A equipe também teve que resolver problemas no banheiro da cápsula Orion. A resolução foi parcial;
  • Durante a noite, os astronautas Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), realizaram um teste de pilotagem manual da nave. Eles se revezaram no comando da Orion e executaram manobras em dois modos distintos de propulsão;
  • Paralelamente, os astronautas analisaram uma lista de alvos fornecida pela equipe de ciência lunar. O material reúne características da superfície da Lua que serão registradas durante o sobrevoo previsto para segunda-feira (6). 

Dia 5 (5 de abril): a pilotagem manual da Orion

  • Testes dos trajes: a tripulação dedicou grande parte da manhã a avaliar o Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion em ambiente espacial;
  • Operação inédita: os astronautas se tornaram os primeiros a vestir e operar os novos trajes no espaço, testando rapidez e pressurização em emergências;
  • Correção de trajetória: a Orion executou com sucesso a queima final (que seria a terceira) para ajustar o curso rumo à Lua.

Dia 6 (6 de abril): quebra de recordes e vislumbre de um eclipse solar total

  • Os tripulantes a bordo da cápsula Orion bateram o recorde de distância percorrida por alguém a partir da Terra, quebrando o recorde (400 mil km) estabelecido em 1970 pela tripulação da Apollo 13;
  • A equipe sobrevoou a Lua e fez análises sobre sua topografia e batizou uma cratera;
  • No fim do dia, durante quase uma hora, eles puderam acompanhar um eclipse solar total que só pôde ser visto por eles. Eles aproveitaram para observar mais a Lua e o Sol.

Dia 7 (7 de abril): descanso merecido

  • Orion saiu da esfera de influência lunar;
  • Donald Trump, presidente dos EUA, conversou com os tripulantes;
  • Um dos motores da cápsula foi acionado para realizar a primeira de três manobras de correção de rota;
  • Restante do dia livre para os astronautas.

Dia 8 (8 de abril): dia de testes

  • Testes de vestuário para intolerância ortostática;
  • Testes de pilotagem manual.

Dia 9 (9 de abril): muito próximos do retorno à Terra

  • Revisão dos procedimentos de reentrada na atmosfera e do pouso no oceano;
  • Organização da cabine;
  • Execução de manobra de correção de trajetória de retorno.

Dia 10 (10 de abril): pouso na água e missão concluída com sucesso

  • Configuração da cabine da Orion para a reentrada;
  • Realizada última queima de motor para correção da trajetória de retorno;
  • Uniformes especiais para o retorno vestidos;
  • Separação do módulo da tripulação e do módulo de serviço da Orion;
  • Pouso na água.

Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.

O post NASA destaca sucesso recente e projeta Artemis 3 como próximo passo da exploração lunar apareceu primeiro em Olhar Digital.



source https://olhardigital.com.br/2026/04/11/ciencia-e-espaco/nasa-destaca-sucesso-recente-e-projeta-artemis-3-como-proximo-passo-da-exploracao-lunar/

Nenhum comentário:

Postar um comentário